Em inglês se apaixonar é “fall in love”. E em francês, se eu me lembro bem das aulas, é “tombe amoureux”. As duas expressões, se traduzidas literalmente, iriam dizem quase a mesma coisa, “cair em amor” ou “cair de amor”. O que, se você pensar bem, tem uma diferença clara em relação ao nosso “se apaixonar”: em português parece que o ato é voluntário e isso me faz por alguns segundos achar que os franceses e os americanos entendem melhor o que está acontecendo nesse tipo de situação.

Estar apaixonado nunca me pareceu uma coisa muito voluntária. Não que todos nós não façamos coisas de propósito pra ficarmos meio bobos, entendendo tudo errado, nos preocupando com bobagens, rindo sem razão ou chateados sem um bom motivo, claro que fazemos isso. Mas quase sempre a razão vem em garrafas e já no rótulo sabemos a graduação alcoólica, além dos efeitos passarem na manhã seguinte deixando apenas a dor de cabeça residual, as roupas amassadas e as dúvidas sobre como chegamos em casa, porque tem batom no meu joelho e o que aquele animal empalhado está fazendo na beliche de cima. Mas estar apaixonado? Estar apaixonado é muito mais complicado e muito menos voluntário.

Primeiro porque estar apaixonado, assim como usar LSD, ou torcer pra algum time de futebol é algo que causa uma alteração grave na sua percepção da realidade, como eu já disse. Você perde noção das prioridades, começa a se preocupar com coisas meio sem sentido, acha graça em coisas que antes mereceriam de sua parte apenas um “ah, não fode” e começa a tomar diversas atitudes totalmente atípicas e bizarras sem nem ao mesmo notar. Mulheres decididas e independentes se tornam garotas que fazem beicinho, caras grossos e insensíveis se tornam moleques que brincam de “ah, desliga você, vai…”,homens sovinas acham normal pagar 150 reais por uma noite de cinema a dois e sua tia que odiava os homens solta frases como “não consigo parar de pensar naquele bigode”.

Segundo porque você não escolhe. Ok, você pode reduzir a margem, minimizar o grupo de trabalho, se focar nas opções viáveis e racionais, isso ajuda. Mas nada garante que vai funcionar. Você tenta se manter neutro, tenta ficar na sua, tenta não se comprometer, ficar solteiro e em duas semanas está namorando, em dois meses noivo, e antes que se possa dizer “vamosmarcarsuadespedidadesolteiroeroubarotigredomiketyson” você já se casou e tem um amigo cantando “You are so beautiful” durante a festa. Você se compromete com relacionamentos fáceis, lógicos, simples e sem conflitos e em breve se apaixona por uma panamenha que conheceu no “pen pal club”, cuja mão já está prometida para um chefão do narcotráfico curdo conhecido como “Harum Corta-Bagos”. Não que quando você for se apaixonar por alguém vá sempre “escolher” a pessoa mais complicada, claro que não, mas são quase nulas as chances de “escolher” a pessoa mais fácil.

E claro, existem os outros detalhes bobos como a impossibilidade matemática de ser correspondido (eu sou o único que sempre que fica interessado numa garota começa a pensar que estatisticamente existem grandes chances de que ela prefira um chinês?), a mudança na forma de aproveitar o tempo (“uau, ela me chamou pra escolher batatas com ela! ueba!”) e os efeitos devastadores que uma paixão pode ter no seu gosto musical (“cara, Bon Jovi nunca fez tanto sentido pra mim! coloca “Always” no modo repeat, faz favor?”). Em suma, vários destes pequenos fatos que realmente te fazem duvidar que alguém vá entrar numa onda dessas de propósito e ainda por cima de graça.

E eu poderia continuar este texto durante parágrafos e mais parágrafos (calma, é só uma ameaça, eu não vou realmente fazer isso) apenas citando várias razões pelas quais é totalmente irracional e logicamente absurdo que alguém se envolva, de propósito, em qualquer tipo de relacionamento amoroso e em como eu estou escrevendo esse post em homenagem a um amigo que está total e irracionalmente apaixonado e passando por um momento de total falta de lógica na vida. Mas aí eu lembro do meu histórico pessoal, da atual situação em que me encontro e do fato de que estou realmente torcendo pelo MC Leozinho na “Fazenda 2” e tudo que eu posso dizer pra um amigo que está total e irracionalmente apaixonado é…go get her, tiger. Casais são legais, eu torço por você e tomara que tudo dê certo. (E se não der certo…bem, eu vou comprar um X-Box no final desse ano, eu acho, então todo mundo estar solteiro nem é tão ruim assim.)

Geisygate: Achei no mínimo impressionante a ascensão meteórica da garota que quase foi estuprada na Uniban. Tudo começa com uma situação bizarra sendo promovida ao nível de ato de barbárie (eu moro no Rio, se eu for tentar estuprar toda menina de roupa curta que passar perto de mim que horário eu vou ter pra trabalhar, ver um filme, dormir, acessar a internet? Sério, isso não viável, galera…). Depois começa o debate inflamado em que todo mundo quer aparecer porque é raro uma situação em que esteja tão claro quem está errado e seja tão fácil descer a lenha. Aí o pessoal da Veja começa a criticar a barbárie e você já começa a desconfiar que a barbárie não pode ser tão ruim assim, mas afasta esses pensamentos estranhos da sua cabeça. E então ao invés de um debate nacional ou de um chamado à consciência sobre o porque de termos chegado nesse nível de insanidade coletiva ou porque os nossos universitários pararam de dar dicas no Show do Milhão e começaram a tentar fazer sexo não-consensual com as nossas universitárias nós ganhamos mais uma celebridade instantânea. Porque Geisy já apareceu no Superpop, vai aparecer no Casseta e Planeta e está assinando contrato pra posar nua. E assim…sou só eu ou ela é…tipo…totalmente não-atraente?

Visita da Madonna: Pra mim ela é apenas a ex-mulher mala do Guy Ritchie, que é um cineasta legalzão. Então ainda que eu goste da versão do Richard Cheese pra “Material Girl” e “Like a Virgin” e possa passar um mês apenas fazendo trocadilhos sobre Jesus, eu acho que não dei a mínima pro assunto.

Reta final do campeonato brasileiro: Acho que exceto pelo Flamengo ter chegado até as rodadas finais com chances de título não aconteceu nada que os bons analistas esportivos não tivessem previsto. O São Paulo é o time de melhor estrutura do país e pode colocar até cães dançarinos em campo que briga pelo título, o Palmeiras é um time horrendo com dois ou três bons jogadores e um técnico engraçado, o Inter tinha o Tite e o Atlético tinha o Celso Roth e o Goiás era o Goiás, fazer o que? Os destaques do campeonato ficam sendo então Petkovic, por ter a idade do meu pai e correr mais do que eu, e Cuca, por me fazer torcer pra que o Fluminense fique na série A apenas pra não ver aquela carinha triste.

A Fazenda 2: Como já disse, acho que deveríamos simplesmente encerrar o programa e transformar em dois meses de entrevistas do Britto Jr. com o MC Leozinho, o cara que misturou funk e violão. Não tem como superar isso. Se qualquer outra pessoa ganhar a competição é injustiça pura e simples.

Filme da Bruna Surfistinha: Não vou ver o filme (o pessoal da Band sabe que eu já curti muito um pornô softcore, mas a fase passou faz uns 10 anos), mas valeu meu domingo a Deborah Secco entrevistando a Bruna Surfistinha e perguntando se ela já sofreu preconceito por ter feito programa. Não, claro que não, quem sofre preconceito por ter feito programa é o Otaviano Costa que apresentava o O+ e o Ferrugem, que trabalhou com o João Gordo na MTV.

Music Review #2

Novembro 18, 2009

Weezer – Raditude

Cotação: Inaplicável

Bem, como eu sempre disse pra quem quisesse ouvir e nunca fiz questão de esconder, existem algumas definições bem claras na minha vida de quais são as minhas verdades imutáveis, eternas e que nunca irão nem passar perto de mudar. São coisas que me acompanham desde sempre e formam os cinco vértices da minha definição de quem eu sou. E uma dessas pontas é a certeza de que a melhor banda do universo se chama Weezer.

Por isso eu gostaria de deixar claro, assim como fiz na resenha de “Zack and Miri make a porno” que a avaliação feita aqui foge totalmente de qualquer critério racional ou analítico no sentido estrito da palavra e que a imparcialidade passou longe sem deixar recado ou mesmo uma mensagem offline no MSN. Ou seja, perguntar se esse cd é ruim é basicamente como perguntar se minha mãe é feia ou meu pai usa calcinha: não vai levar à nada além de brigas ou a algum tipo de diálogo constrangedor entre eu e meu pai. Dito isso vamos em frente analisando o disco faixa à faixa.

“Raditude” abre com “(If You’re Wondering If I Want You To) I Want You To”, primeiro single do disco e que até já tem clipe nas interwebs. É um pop rock “weezer style”, daqueles pra tocar em rádio e fazer a galerinha cantar junto em ritmo de azaração e descontração total. Na sequência vem “I’m your daddy”, outra canção que já nasce clássica, falando sobre aquele climinha de “vou conhecer a garota da minha vida nessa pista de dança”, o que seria realmente possível se alguém aqui soubesse dançar. Aí entra a faixa 3, “The girl got hot”, mais uma daquelas músicas que te fazem pensar que Rivers Cuomo anda saindo muito, provavelmente mais do que você e isso é preocupante. Então vem “Can’t Stop Partying” e você tem certeza que realmente alguém anda se divertindo e saindo com companhias erradas, fora que existe o choque de saber que Lil’ Wayne não é o filho do Batman, como você tinha pensado, e sim um rapper. E assim termina o que eu chamo de lado “solteirão nerd pegador” do CD, perfeito pra ouvir enquanto você se arruma pra sair numa sexta à noite ou enquanto você se arruma pra ficar em casa numa sexta à noite.

Na faixa 5 o Weezer traz à tona seu repertório de canções um pouco mais sentimentais, com “Put Me Back Together”, já citada aqui no blog como representante das súplicas de retorno de ex-namorada (além de uma das melhores do CD), algo parecido com a intenção de “Trippin’ Down the Freeway”, bem mais animadinha e um pouco mais preventiva: ao invés de pedir pra você voltar eu não vou deixar você terminar. “Love Is the Answer” é a prova de que até mesmo o Weezer pode errar e de que nada é tão complicado que uma cítara mal colocada não possa complicar mais, por isso pode ser legal pular para “Let It All Hang Out”, uma música de sábado à noite bem melhor do que qualquer coisa que o Black Eyed Peas jamais possa conseguir fazer, cheia de energia, vida, coragem, alegria e outras coisas que você teria que beber para conseguir. Na versão normal o disco iria então continuar com “In the mall”, um rock simples e sem grandes pretensões fechando com “”I Don’t Want to Let You Go”, a balada final do disco, outra bela canção sobre o porque de não ser legal você me chutar ainda mais agora…

Mas claro, existe a versão Deluxe, e nela existem mais 4 músicas: “Get me some”, uma das mais pesadas do disco, com os “instrumentos moendo” e uma letra que, vá lá, é rebelde sem deixar sua mãe preocupada; “Run Over by a Truck”, que te faz assobiar no metrô e ficar estalando os dedos; “The Prettiest Girl in the Whole Wide World”, uma música lentinha que já tinha saído no segundo disco solo do Rivers e “The Underdogs” , provavelmente o mais próximo de um “We’re the world” que o Weezer algum dia vai chegar.

Numa análise geral a banda basicamente oferece mais do mesmo com algumas boas variações, o que vai ser muito interessante se você for fã e não vai te impressionar taaaanto assim se você não for. Muito da vibração adolescente dos discos antigos e que estava ausente no “Red Album” retorna, assim como uma certa vocação para o pop rock com mais cara de “música pra tocar na rádio” (se as rádios fossem legais, coisa que não são). E não se deixe assustar por participações de rappers ou pelo cachorro na capa (mas tipo, se você se assustar com o cachorro você é meio hiper-sensível, eu acho): é apenas o bom e velho Weezer de sempre. E cara, é bom saber que algumas coisas não mudam tanto assim nesse mundo estranho, frio e cruel que existe aí fora.

Weezer – Put me back together: Da mesma escola de músicas como “Valerie” do The Zutons e “Volta pra casa” do Yahoo, “Not getting better” joga em um esquema clássico do pedido de retorno no namoro: o argumento de que você precisa dela e com ela sua vida é bem melhor. Sem ela você se veste mal, não acorda na hora certa, não chega no trabalho, perde o ônibus, é criticado em casa, não consegue sintonizar a TV, seu time perde todos os jogos, seu cabelo pára de crescer, seu pai engorda, seu cachorro faz greve de fome, sua mãe não acerta o tempero, a vida perde o sentido, o sol para de brilhar e a Heloísa Perisse ganhou programa próprio. Ou seja, o universo se tornou uma merda e ela precisa voltar logo antes que a entropia e as humoristas sem graça dominem o mundo. Bem, se funcionar é ótimo, porque você conseguiu convencer a garota, mas se não funcionar e isso tudo for mesmo verdade…bem…aí você está fodido.

The Police – I can’t stand losing you: Bem, você tentou argumentar, disse que ela faz falta, disse que ela é especial, disse que ela é a mulher da sua vida, e ela não ouviu. Agora você decidiu dizer que vai se matar se ela não voltar e ela que se prepare pra viver com essa culpa na consciência. Admito, é a típica atitude covarde e desesperada do cara que fura a bola quando está perdendo o jogo e rouba nas trocas quando brinca de War, mas pelo menos você tem um projeto. E ninguém disse nada sobre o seu projeto não poder envolver covardia e chantagem emocional, disse?

Jackson Five – I want you back: Ela pode resistir a você pedindo pra voltar. Ela pode resistir a você dizendo que vai melhorar. Ela pode não dar a mínima pro seu sofrimento, pra sua dor, pra sua tristeza. Ela pode rir do seu choro, das suas ameaças de suicídio, da sua cabeça enfiada dentro do forno elétrico (porque, tipo, é engraçado, sabe? não tem gás ali, cara!). Mas ela nada, sim, eu digo, nada, poderá fazer diante do Michael Jackson criança, ainda negro, de black power e usando uma roupa colorida, pedindo que ela dê mais uma chance porque você vai mostrar pra ela o amor que ela quer se ela te deixar voltar pro coração dela. Seria desumano se ela fizesse isso, cara.

Elvis – Are you lonesome tonight: Uma coisa que todos nós tempos que aprender é que neste mundo existem três jeitos de fazer as coisas: o jeito certo, o jeito errado e o jeito do Elvis. Elvis não chora, Elvis não suplica, Elvis não pede perdão, Elvis não dá pinta de quem passou a noite toda chorando sozinho enquanto olhava álbuns de fotos e assistia “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” pela sexta vez. Elvis sabe que se o relacionamento terminou quem perdeu foi ela, que se você está sozinho o mundo das mulheres solteiras sorri, que toda e qualquer garota se rasgaria por um cara feito você. Mas mesmo assim Elvis, cara boa praça que é, aceita dar mais uma (e apenas uma) chance pra que ela reconsidere, sabendo que ela está sozinha, carente, largada e que ele foi o ponto alto da vida dela, depois do qual virá apenas o vazio, a depressão e caras com cabelo menos bonito. É assim que Elvis resolve essas coisas.

Take That – Back for good: Você não entendeu direito porque terminou. Ela estava chorando, falando enrolado, parecia meio bêbada e as coisas que você conseguiu pescar serviam tanto pra justificar um final de namoro, um discurso de despedida do futebol ou uma declaração de guerra no oriente médio. Mas você imagina que a culpa deva ser sua e portanto você deva pedir desculpas já que não quer terminar (além de não querer começar uma guerra no oriente médio). E existe algum pedido de desculpas mais genérico do que “o que quer que eu tenha dito, o que quer que eu tenha feito, não foi de propósito”? É aquela coisa, seja qual for o problema foi sem querer e eu vou resolver, mas se você puder falar de uma forma menos confusa vai facilitar um bocado pra mim.

Menções honrosas

Waguinho – A mina de fé: É impossível falar de músicas sobre retorno de namoro sem citar essa pérola do “você não sabe o que tem até perder” cometida pelo sempre sensacional Waguinho, homem por trás do mega-sucesso “Tô dentro, tô fora” dos Morenos. Não só toda a letra é permeada por um genuíno terror em relação a perda (“eu era feliz sem saber e isso me revolta”) como é impossível não notar que Waguinho realmente mudou sua postura de vida e agora não leva mais aquela vida de dissipação e degradação moral de antigamente (“eu aprendi, não vale nada, noite, farra, madrugada”). Ou seja, mais do que uma canção é o retrato de uma mudança de vida em letra e música. Tocante.

Molejo – Voltei: Pra que se fazer de vítima depois do fim? Afinal, se você tinha problemas, que forma melhor de atrair a mulher amada de volta do que corrigindo suas atitudes, mudando sua postura, buscando se adequar aos elevados padrões que ela estipulou para um parceiro ideal? E é isso que Anderson Leonardo nos ensina. Abandone o cigarro, comece a malhar, pare de freqüentar a zona da sua cidade, acorde cedo, se comporte bem, seja um ser humano melhor! E se ela não voltar? Bem, aí você volta a fazer aquelas merdas todas de novo, é claro.

Seria meio idiota dizer aqui que 2009 tem sido um ano bom. Afinal, se vocês lêem o blog acabam sabendo de praticamente tudo que acontece na minha vida, de uma forma ou de outra (por sinal, eu vou sim lavar meu tênis azul, não me apressem) e provavelmente já sabem muito bem que esse ano vem superando todas as expectativas que eu tinha pra ele (que eram basicamente o não retorno de “Sob nova direção” e “A diarista” e não morrer). A temporada 2009 (sim, eu penso na minha vida em termos de temporadas como se ela fosse um seriado ou uma liga americana de hóquei. sério. eu tenho até programação mid-season) tem sido divertida, interessante, estimulante e diferente. Mudei de cidade, de emprego, de ritmo de vida, de nome (vocês não sabem, mas agora me chamo §). Conheci muita gente nova e legal e tentei não perder contato com as pessoas legais de antigamente. Tivemos aventura, romance (ok, pouco, mas tivemos), comédia, drama, tiros, explosões (eu moro no Rio, então…), invasões alienígenas, animais que jogam basquete e gorilas albinos que falam sem mexer os lábios, ou seja, tudo que um bom ano precisa ter. Ainda que o lance dos gorilas seja meio perturbador, não sei se vocês concordam.

E claro, tenho que ressaltar que tive o melhor aniversário dos últimos vários anos. Não vou entrar em muitos detalhes (mesmo porque eu não lembro exatamente de todos os detalhes) e nem vou citar todos os nomes das pessoas responsáveis (porque se eu fizesse isso iria parecer que eu estou saindo de um Big Brother – “Yuri, Ju, Natália, Kassie,Rafa, Bruno, Juliana, mãe, pai, tá todo mundo aqui! Bial! Bial!”), mas quero dizer que foi ótimo. A festa na sexta com muita cerveja e a presença de quase todo o pessoal aqui do Rio (nunca pensei que fosse ter tanta gente comigo numa mesa sem estar sofrendo uma cirurgia) foi algo entre o épico e o lendário, com destaque para a tequileira que tentou me agredir quando me serviu (mas acho que isso é parte do trabalho dela, ainda que ela parecesse estar se divertindo demais) e com a única menção negativa de que o ar-condicionado só começou a funcionar por volta das duas da manhã, quando eu já havia perdido metade dos líquidos do meu corpo.

Já no sábado teve a já citada festa-surpresa-sem-exatamente-nenhuma-surpresa-mas-que-me-surpreendeu-mesmo-assim em casa, seguida de barzinho e logo depois fomos para um show de uma banda cover do Los Hermanos. Sim, eu sei, banda cover de Los Hermanos no dia do seu aniversário é como ver “O Iluminado” antes de sair de férias, ver “A Profecia” antes de adotar uma criança ou ver aqueles vídeos sobre DST antes da sua primeira vez. Mas foi legal e a banda que tocou depois deles mandou Hash Pipe no bis final o que fez com que pela primeira vez em 15 anos os meus gritos bizarros de “toca Weezer” tivessem sido respondidos. Ou seja, foi um dia de aniversário sensacional, espetacular e mágico. Tipo, já disse que tocaram Hash Pipe? Sim, porque, tipo, tocaram Hash Pipe, cara! Sim, Hash Pipe! Hash “fucking” Pipe!

E ainda que demonstrar emoção (assim como andar de bicicleta, comer comidas com molho sem sujar a mesa e escolher roupas) não seja meu forte, eu queria agradecer a todo mundo por esse final de semana e por esse ano como um todo. Aos velhos amigos, aos amigos novos, aos velhos novos amigos, aos novos amigos que já estão ficando velhos, aos velhos amigos que não estão ficando mais novos e que eu acho que deveriam começar a se preocupar seriamente com problemas como a queda de cabelo e a osteoporose, aos novos amigos que eu chamo de “velho” e aos velhos amigos que estão namorando com meninas 8 anos mais novas. Vocês (tanto os presenciais quanto os não-presenciais) são os melhores amigos que um cara pode ter caso ele não possa fazer parte do Rat Pack e nem possa andar com os caras do Weezer pra cima e pra baixo.

E mesmo que o ano que vem não seja tão legal quanto esse (admitamos, é uma competição difícil), saibam que eu sempre vou ter as lembranças disso. É, pessoal, sempre teremos Paris, sempre teremos a tequileira, as risadas, o barzinho, o show e essas duas noites, ainda que eu espero que consertem o ar-condicionado logo. E claro, sempre teremos Hash Pipe. Porque, eu não sei se eu já disse, tocaram Hash Pipe no sábado, sabiam? Sério, cara, Hash Pipe!

A Barata da Vizinha

E eu tinha sentado na frente do computador pra terminar de escrever a segunda parte do post sobre o meu aniversário, mas depois de quinze minutos tudo que eu tinha conseguido produzir era…isso. Portanto achei melhor deixar a segunda parte pra daqui a dois dias. Até lá.

Eu não me dou bem com festas surpresa. Eu sei que é chato falar uma coisa dessas porque muita gente costuma acreditar que a festa surpresa é o supra-sumo da demonstração de afeto humano no universo conhecido(“passamos o dia todo te ignorando e minando sua já fraquejante auto-estima fingindo que não nos lembramos do único dia no ano em que você é relativamente especial, mas em compensação nos organizamos pra te dar um puta susto e fazer seu músculo cardíaco perder seis anos de vida útil. Cool, huh?”) mas eu realmente não me dou bem com o conceito da coisa. E isso acontece por várias razões.

Primeiro porque a minha personalidade e o meu temperamento não combinam com festas surpresa. Sério, eu sou um cara pessimista e para alguém pessimista poucas coisas são mais aterrorizantes do que uma surpresa. Chernobyl? Foi uma surpresa. Ascensão de Hitler ao poder? Surpresa! Desastre do Titanic? Surpresa! Eu ter sido obrigado a ver o filme Titanic? Meu Deus, quem poderia imaginar?! Ou seja, pra mim o conceito de “surpresa agradável” funciona basicamente como o conceito de “música militar”, “bom filme da Xuxa” ou “uma grande partida do Dênis Marques”: uma contradição em termos.  Eu vejo pessoas saindo do escuro no meio da minha sala ou gritando comigo pelas minhas costas e vou provavelmente pensar que é uma invasão alienígena comandada por Inri Cristo visando obrigar todos a ouvir sua versão de “Just Dance” da Lady Gaga antes de achar que é uma comemoração de aniversário.

E claro,ainda tem uma coisa da qual pouca gente se toca mas que sempre passa pela minha cabeça quando me fazem uma festa assim: meus amigos e meus familiares se reuniram, pelas minhas costas, para tramar alguma coisa. Não sei vocês, mas eu acho isso perturbador! Minha mãe dando telefonemas escondida, meu irmão sumindo de casa sem explicação, meu melhor amigo fugindo de assuntos para não me dar pistas, tudo isso é meio aterrorizante, não? Fora que, ok, hoje foi uma festa, mas quem garante que amanhã não vai ser um assassinato, uma trama de extorsão, um golpe coletivo pra que eu pense que estou maluco e perca todos os meus bens?! Ok, eu exagerei, vou parar. Mas vocês entenderam como a espiral de paranóia funciona comigo.

E como se não bastasse isso ainda tem o meu histórico com esse tipo de festa. Ok, a desse ano foi legal (ainda mais porque a minha mãe me contou sobre a surpresa e eu mesmo telefonei para os meus amigos perguntando se eles não poderiam me surpreender uma hora mais tarde porque eu tinha que dar uma saída), mas as duas tentativas anteriores foram, não sei, confusas. Não que a festa que meus amigos organizaram na faculdade não tenha sido muito boa (na verdade a surpresa foi tão boa que eu achei que a festa era pra uma outra amiga minha e só fui notar que eu estava envolvido lá pelas últimas horas do evento) ou mesmo que aquela planejada pela minha ex-namorada nos tempos do colégio não tenha sido espetacular (afinal, o que pode surpreender mais um cara do que, assim que entra no próprio quarto e tira as calças, notar que as luzes se acendem e vários amigos da namorada, alguns que ele mal conhece, surgem de debaixo da cama e começam a gritar?), mas não sei, não acho que eu tenha sido capaz de pegar a graça do conceito como deveria.

Possivelmente eu sou apenas um cara resmungão e que não consegue processar bem certas manifestações de afeto um pouco mais engenhosas dos amigos (eu ainda fico perturbado quando a pessoa gasta semanas planejando uma festa pra você e te dá um par de meias, por exemplo) ou apenas uma cara resmungão e ponto, e tenho que admitir que o meu aniversário desse ano foi realmente muito bom (mas vou falar mais disso depois), mas como eu disse, não me dou bem com festas surpresas e espero que os meus aniversários continuem sendo divertidos e as pessoas continuem me avisando sobre o que querem fazer com ele. E claro, que não me surpreendam, por favor.

Mineirinho: Alexandre Pires, como todo grande artista, sempre gostou de desde o começo da carreira, flertar com o complexo, o criativo, o paradoxal. E quer coisa mais paradoxal do que um mineiro fazendo uma música pra falar pra todo mundo que o mineiro é de fazer e não de falar? Com essa canção que é a versão musical de começar a gritar dentro de uma biblioteca para pedir silêncio, o Só Pra Contrariar não só fez self-marketing (e espero que todos eles tenham conseguido pegar alguém graças a isso) como alcançaram as paradas de sucesso e lançaram Alexandre como um sex symbol para o novo milênio.

Interfone: É até um pouco complicado pra mim falar dessa música pelo tanto que ela me emociona. Afinal, eu imagino Alexandre Pires sentado em casa, sozinho, solitário. Ele viu o Jô, ele viu o Intercine (no qual ele tinha votado em “Simples como amar” mas acabou tendo que ver “Fuga de Absolon”) e depois, no auge da derrota, ele viu o Amaury Junior. Aí ele ficou chateado, até eu ficaria. Então ele saiu, entrou no carro e foi, a duzentos por hora, até a frente do prédio da amada. Chegando lá ele foi barrado pelo porteiro que, recém-contratado e nada afeito as revistas de fofoca, ainda acha que Alexandre namora com uma das Scheilas e não entende o que a voz máxima do pagode mineiro está fazendo ali. E então, num gesto de supremo amor e desespero, Alexandre pega o celular, abre seu coração e manda, de lá de dentro, do seu âmago mais recôndito um “mas o porteiro é novo, ele não me conhece, tá cheio de suspeitas, tá desconfiaaaaaaaaado”. Cara, eu estou chorando aqui. É foda.

A barata : Nunca é demais dizer que Alexandre Pires é acima de tudo um pioneiro. Muito antes da Wired, muito antes do Steve Jobs, muito antes dos caras do Google, do Facebook, do Twitter, o ex-vocalista do SPC já trabalhava na música interativa, no pagode 2.0, no partido-alto colaborativo, no samba wiki. Sim, ou o que mais você pode dizer de um samba em que Alexandre lança as bases rítmicas e você mesmo pode continuar a letra de acordo com sua vontade, oferecendo uma colaboração pessoal e inovadora como letrista? Afinal, a barata era da vizinha do Alexandre, mas quem decidia o que fazer com ela era você! Pistolada, sapatada, cabeçada, desintegrada, o poder era todo seu, meu amigo.


Essa tal liberdade:
Nessa música Alexandre propõe uma das grandes questões da humanidade, tão complexa quanto o paradoxo do gato de Schrödinger, o “ser ou não ser?” de Hamlet ou o “should i stay or should i go?” do The Clash. Afinal, o que que eu vou fazer com essa tal liberdade se estou na solidão pensando em você? Eu andei errado, eu pisei na bola, troquei quem mais amava por uma ilusão, mas a gente aprende, a vida é uma escola. Não é assim que acaba uma grande paixão. E ainda virou música-tema de propaganda da Malwee, lembra? Gênio, gênio.

Depois do Prazer: Primeira coisa a ser dita sobre “Depois do prazer” é que apenas um campeão, um gênio, um macho-alfa, um predador emocional, é capaz de começar uma declaração de amor com as palavras “tô fazendo amor com outra pessoa” e ainda se dar bem. Mas para Alexandre Pires, um conquistador que ganha pela confusão e dissuasão da mulher amada, isso é pouco, claro. Depois dessa ele ainda manda um verso de extrema complexidade como “a verdade é que eu minto” e a mulher, que não sabia se ele estava indo ou vindo, começa a se questionar que raios está acontecendo ali. E aí, pra fechar, ele manda o “posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo”, o que faz com que a mulher perceba que as emoções de Xandeco são tão complexas que Stephen Hakwings era o amigão com quem ele desabafava durante os namoricos de colégio e que resistir é inútil, tem mais é que voltar com o cara antes que ele diga qualquer outra coisa desse tipo e ninguém entenda mais nada. (E claro, não podemos deixar de lembrar mais duas frases épicas dessa canção: “o que o corpo faz a alma perdoa”, um belo verso sobre traição e “emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr” que é evidentemente sobre a incapacidade de Alexandre de achar algo para fazer durante as 7 horas e meia que sobraram na suíte do motel após pegar aquela promoção de pernoite)

Uma tatuagem: Tatuagens são costumeiramente um sinal de rebeldia, autenticidade, capacidade de decisão, culto ao corpo ou de que você apenas bebeu demais e tem amigos sacanas. Ou seja, exceto o lance da bebida e dos amigos sacanas é algo que não tem nada, mas nada a ver comigo. Some a isso o terror patológico de agulhas (“peraí, não dá pra fazer isso com giz de cera? Hidrocor? Guache? Hein?”) e a absoluta incapacidade para tomar decisões de longo prazo (eu tenho problemas para escolher acompanhamentos no Spoletto, como posso tomar uma decisão sobre o que vai estar desenhado em mim pra vida toda?) e você vai ter uma pessoa que nunca, mas nunca vai ter uma tatuagem. E claro, ainda existem as questões de pura paranóia como “como eu vou saber se esse ideograma quer mesmo dizer felicidade e não ‘sou um podólatra comedor de polenta’?”, mas não vamos entrar nesse tipo de detalhe.

Ir numa boate de strip-tease: Não vou dizer que eu nunca tenha achado o conceito interessante, mas conforme eu fui crescendo eu acabei deixando de ver a magia inerente a uma casa de strippers. Ok, são mulheres atraentes (ou não) dançando nuas (ou não) e isso é um daqueles conceitos que, junto com batata frita e leite condensado, funciona independente de contexto, mas sempre bate aquela ponta de depressão pelo lado lamentável da situação. Afinal, no frigir dos ovos é um cara pagando para que uma mulher fique perto dele e o pior, sabendo que está pagando e que provavelmente ela só ficaria perto dele se ele realmente pagasse. Triste. E como se não bastasse isso, uma lata de coca-cola custa dez reais.

Juntar meus amigos num bar, ficar bêbado, cantar a garçonete até que ela me passe o telefone dela e no dia seguinte estar tão sem graça com a atitude da véspera que não tenho coragem de telefonar: Bah, já fiz isso ano passado e não vou repetir a programação. Eu superei essa fase. Fora que depois de ver pessoas se dando mal com argumentos bem mais fortes como “o prédio está pegando fogo e nós todos vamos morrer, quer ficar comigo?” e “tenho mais 72 horas de vida, você podia me dar um beijo?” eu comecei a achar que “oi, sabia que hoje é meu aniversário?” não é um começo de conversa que vá me levar a algum lugar interessante.

Fazer um programa de pai e filho: Por alguma razão estranha que eu nunca vou conseguir compreender, o meu pai acha que o meu aniversário é no dia 9 e não no dia 7, e isso desde que eu era garoto, o que faz com que ele sempre me dê os parabéns por volta do dia 12 ou 15 (meu pai acha que é dia 9 mas se esquece mesmo assim) e eu receba um presente por volta do dia 10 de dezembro (quando ele acha que é o aniversário do meu irmão, que na verdade acontece no dia 7 de dezembro) . Com isso eu desconfio que um almoço de pai e filho entre eu e ele para comemorar meu aniversário iria acontecer ali por volta de meados de agosto de 2010, quando eu possivelmente já teria morrido de fome ou gasto 5000 reais em couvert.

Ir a uma sessão de “Homem-Aranha – Ação e aventura”: Sim, eu realmente pensei nisso, sério. Eu sei, eu sei, é pra crianças, eu sei, é uma peça musical com pessoas presas em cordas e eu sei, eu teria que ir sozinho e provavelmente contratar o filho pequeno de alguém para que eu usasse como pretexto. Mas pô, é o Homema-Aranha, cara! E eles prometem ação e aventura! Como isso poderia ser ruim?

“Sabe qual é o problema entre nós dois? É que eu cresci e você não. Eu amadureci e você não. Eu achei um emprego, uma sala, uma rotina de oito horas com passeios opcionais nos finais de semana e você não. E eu acho que agora é um pouco tarde demais pra que eu admita que você fez a escolha certa. E eu não. Mas eu tenho um grampeador, se isso servir de compensação”

“Eu sei que eu posso estar me adiantando um pouco e isso pode soar esquisito, mas se essa bebida levar à outra bebida, essa outra bebida levar à um beijo, esse beijo levar à uma noite juntos e isso virar realmente um relacionamento, mas por alguma razão nós virarmos um desses casais que brigam o tempo todo e discutem por bobagens feito a escolha de um dvd ou onde vão passar o natal, quando uma das brigas ficar séria demais, você poderia me lembrar de te dizer que, de todas as coisas que eu vi até hoje nada, nada mesmo, é tão lindo quando o jeito como você está me olhando agora?”

“O que nós estamos fazendo é simples como andar de bicicleta. Com a diferença de que nenhum de nós dois sabe andar de bicicleta”

“Eu não me importo realmente com o que você pensa, mas me importo com você o bastante para fingir que me importo. Isso fez sentido pra você?”

“Atire no papagaio! Não pense, apenas atire no papagaio! Ele devorou Jay, ele é maligno!”

“Sabe aquele email? Era tudo bobagem. Desde que você foi embora eu descobri que em cada língua existem pelo menos uns 50 sinônimos pra saudade. E nem vou precisar citar o seu nome como um dos primeiros.”

“E você tem todo o direito de ir embora, o problema não é esse. E o problema nem é o fato de que você vai sair por aí e vai fazer outras coisas, conhecer outras pessoas e nunca vai se sentir satisfeita com alguém que não sabe pra que lado você dorme, ou em que momento você está realmente triste, ou como você prende seu cabelo quando fica preocupada, ou que tipo de filme te faz dar risadas. Nada disso. Você tem todo o direito de sair por aí e acreditar que eu vou ficar feito um idiota te esperando. Isso não é um problema. Na verdade o único problema é que tem um lado de mim que acredita realmente que valeria a pena ficar aqui sentado esperando por isso.”

“Meu Deus, alguém mate o maldito papagaio! Cortem as asas desse bastardo! Meu Deus! Maldito papagaio!”

“Você quer saber a verdade? Você quer mesmo saber a verdade? Você não iria reconhecer a verdade nem mesmo que ela estivesse na sua frente! Nem que ela tropeçasse em você. Nem se ela fosse uma espinha no seu rosto pra ser espremida. Nem se ela fosse um inseto e pudesse te picar. Nem se ela fosse uma ex-namorada e te telefonasse de madrugada te xingando. O que você sabe sobre a verdade? Hein? Hein? Quem você pensa que é pra merecer a verdade? Mas ok, se você quer a verdade, a verdade real, aí vai…eu…hummm…qual era a pergunta mesmo? Me esqueci, desculpe…”

“Suzana, eu realmente acredito que o universo conspire…só não penso em uma boa razão pra que seja à favor…ei! o que é isso? Asas? Um papagaio, diabos, um papagaio! Fujam, corram por suas vidas! Um papagaio! Um papaghaaaaaaaaarrrrrrgh!”