Top 5 – Profissões para enriquecer facilmente o seu currículo
Dezembro 2, 2009

E então você se formou. Diplominha na mão, altas expectativas, muita felicidade, papai e mamãe orgulhosos, titio e titia exultantes, vovó alegre e vovô resmungando porque acha que comunicação é curso de veado e você deveria ter feito engenharia civil. Mas aí você chega no mercado de trabalho e descobre que o mundo é dos profissionais multi-função. Gente que pinta, borda, dança, sapateia, lava, passa e ainda faz alguma outra coisa que exige nível superior antes de dar banho nas crianças. Gente multifuncional da HP diante de quem você não passa de uma impressora matricial movida à lenha. Afinal,veja como vários exemplos de pessoas ferradamente bem-sucedidas envolvem alguém que exerce múltiplas e variadas funções: a) Roberto Justus (publicitário, apresentador,cantor); b) Eri Johnson (ator, jogador de futevôlei, amigo do Romário); c) Junior Lima (cantor, ator, namorado de ex-VJ da MTV). Sim, amigo, não dá pra ter sucesso sabendo fazer apenas uma coisa ou tendo apenas uma profissão, a não ser que essa coisa que você sabe fazer seja namorar a Suzana Vieira. E é visando enriquecer esse seu currículozinho miserável que eu trago cinco sugestões de profissões viáveis e interessantes para te ajudar na conquista de poder, dinheiro, sucesso e se possível um emprego.
DJ: Como qualquer pessoa bem-informada sabe, sempre existiu um grande preconceito em relação ao trabalho do DJ. Muitas pessoas durante muitas décadas consideravam que o trabalho do DJ era apenas dar o play numas músicas, levar uma mala de fitas e arranhar alguns vinis sem necessidade enquanto ficava se mostrando pras gatinhas, o que é uma visão totalmente errada. Afinal, atualmente todos nós sabemos que dá pra levar tudo em um pen-drive e DJs gostam muito mais de garotos do que de garotas. Então é óbvio que mesmo você que não sabe nada de música pode fazer uma playlist qualquer e começar a tocar em algum inferninho. Se você ainda tem alguma dúvida sobre sua capacidade de ganhar um troco como DJ faça como os americanos e se pergunte: “O que Jesus faria?”
Ator: Atuar é algo complicado, que exige estudo, dedicação, preparação e talento natural, além de concentração e sensibilidade. Mas atuar na Record ou fazer Malhação não. Faça um cursinho qualquer na faculdade, entre naquele grupo de teatro da sua rua que vem tentando há seis meses sem sucesso encenar a piada do “não, nem eu”, peça para aquele seu amigo que desde 2002 escreve poesias pra namorada que fugiu pra te escrever um monólogo e se jogue de cabeça na carreira de ator. Afinal, se “Caminhos da Vida” já está na sexta continuação quem garante que o próximo mutante com poder estranho ou o amigo com “La tourette” do mocinho da próxima temporada de Malhação não pode ser você?
Comediante stand up: Uma tendência que você deve ter notado depois da ascensão do Barack Obama e do CQC é que todo mundo passou a querer ser negro e fazer comédia stand-up, com maior ou menor sucesso. Mas como fazer stand-up é mais fácil e não faz com que os seguranças te sigam em lojas de eletrônicos, a arte do humor de pé foi se vulgarizando ao ponto de que qualquer pessoa que se ache engraçada e consiga ficar em pé se considere um humorista de stand-up e vá fazer um show em algum bar onde você pacificamente tentava beber uma cerveja. E bem, se você não pode vencê-los junte-se a eles! Reúna todas aquelas piadas de pontinho, todos aqueles chistes do tipo “sua mãe é tão gorda que…”, invente um personagem estereotipado legal e mãos à obra, meu amigo! Vai que é tua e quando chegar no Zorra Total me convida pra escrever um quadro estrelando o Agildo Ribeiro.
Modelo: Num mundo distante, muito tempo atrás, modelos eram pessoas com uma beleza acima da nossa, caras com um físico hercúleo, traços que lembravam uma estátua grega e que namoravam com outros caras de físico hercúleo e traços que lembravam uma estátua grega. Mas claro, sinal, dos tempos, isso mudou e hoje qualquer moleque magrelo com um cabelo que fizer com que você ache que ele é gay pode ser considerado modelo! Sim, é fácil, é simples, é prático como cozinhar com George Foreman Master Grill! Perca peso, deixe sua tia cortar seu cabelo e pronto, o mundo é seu, bonitão!
Jornalista: Bem, não precisa de diploma… Ok, paga mal, mas por que não?

O que você faz: sabe cozinhar
Porque ela acha que você faz: porque você é um cara sensível, você gosta de atividades manuais, e você, por conta de alguma idéia machista que ela tem na cabeça de que apenas mulheres cozinham, é um cara ligado aos aspectos femininos da sua personalidade. Cozinhando você mostra que sabe cuidar de si mesmo, que se interessa por outros assuntos e hobbys que não apenas o seu trabalho e que tem sensibilidade para tentar atrair mulheres.
Porque você realmente faz: porque durante a sua adolescência a sua mãe trabalhava até muito tarde e você tinha que fazer seu jantar e na faculdade você era tão quebrado que copiava receitas daquele “alimente-se bem com 1 real” da TV Futura.
O que você faz: sempre deixa que ela escolha pra onde vocês vão quando saem
Porque ela acha que você faz: porque você respeita e confia na opinião dela, além de realmente se divertir com todas as idéias que ela dá. Vocês são duas pessoas com gostos e hábitos parecidos, praticamente duas almas gêmeas e são afinidades como essas que vão manter os dois juntos e ajudar a construir um longo relacionamento.
Porque você realmente faz: porque você acabou de chegar na cidade e não conhece absolutamente nada, além de ter um baita pânico de se perder. Fora que você não tem saco pra discussões sobre a escolha do lugar
O que você faz: sempre a chama para dormir na sua casa
Porque ela acha que você faz: porque você quer oferecer a ela intimidade. Chamando-a pra passar mais tempo na sua casa você faz com que ela se sinta parte da sua vida, conheça mais detalhes sobre você e saiba como você se porta no seu próprio ambiente. Ela pode assim conhecer seus livros, seus discos, seus gostos, seus hábitos. Você quer que ela realmente se torne parte do que você vive e não apenas quando vocês saem.
Porque você realmente faz: porque na casa dela não tem ar-condicionado
O que você faz: leva a irmã menor dela no cinema
Porque ela acha que você faz: porque você é um cara adorável. Você brinca com crianças, você adora animais e você encontrou na intimidade com a pequena irmã dela uma forma de se tornar mais próximo não só da sua amada como de toda a família, além de ir se preparando para, quem sabe, um dia ser o pai dos filhos dela.
Porque você realmente faz: porque você adora desenhos animados e fica sem graça de ir sozinho. Fora que a garota te dá um bom pretexto pra comer algodão doce, um outro troço que você acha foda mas sente vergonha de comprar sozinho.
O que você faz: continua amigo da família dela mesmo após o final do namoro.
Porque ela acha que você faz: porque você é um cara realmente legal e mesmo depois do final traumático do namoro de vocês dois (você flagrou ela com o professor de pilates fazendo algo que você teve que pesquisar durante dois dias no google pra confirmar que era mesmo sexo) decidiu manter o contato com ela e a família, visto que é uma pessoa legal e evoluída, um ex-namorado e bom amigo com quem ela com certeza pode contar para toda a vida.
Porque você realmente faz: porque o irmão dela copia jogos de Play 2 pra você, o pai dela tem aquela cerveja belga cara pra caramba que você adora e a mãe dela faz o melhor bife de panela do universo. Fora que você quer estar por perto pra poder dizer na cara dela quando ela for traída algo como “bem feito, sua vaca”.
Top 5 – Músicas pra pedir pra ex voltar
Novembro 16, 2009

Weezer – Put me back together: Da mesma escola de músicas como “Valerie” do The Zutons e “Volta pra casa” do Yahoo, “Not getting better” joga em um esquema clássico do pedido de retorno no namoro: o argumento de que você precisa dela e com ela sua vida é bem melhor. Sem ela você se veste mal, não acorda na hora certa, não chega no trabalho, perde o ônibus, é criticado em casa, não consegue sintonizar a TV, seu time perde todos os jogos, seu cabelo pára de crescer, seu pai engorda, seu cachorro faz greve de fome, sua mãe não acerta o tempero, a vida perde o sentido, o sol para de brilhar e a Heloísa Perisse ganhou programa próprio. Ou seja, o universo se tornou uma merda e ela precisa voltar logo antes que a entropia e as humoristas sem graça dominem o mundo. Bem, se funcionar é ótimo, porque você conseguiu convencer a garota, mas se não funcionar e isso tudo for mesmo verdade…bem…aí você está fodido.
The Police – I can’t stand losing you: Bem, você tentou argumentar, disse que ela faz falta, disse que ela é especial, disse que ela é a mulher da sua vida, e ela não ouviu. Agora você decidiu dizer que vai se matar se ela não voltar e ela que se prepare pra viver com essa culpa na consciência. Admito, é a típica atitude covarde e desesperada do cara que fura a bola quando está perdendo o jogo e rouba nas trocas quando brinca de War, mas pelo menos você tem um projeto. E ninguém disse nada sobre o seu projeto não poder envolver covardia e chantagem emocional, disse?
Jackson Five – I want you back: Ela pode resistir a você pedindo pra voltar. Ela pode resistir a você dizendo que vai melhorar. Ela pode não dar a mínima pro seu sofrimento, pra sua dor, pra sua tristeza. Ela pode rir do seu choro, das suas ameaças de suicídio, da sua cabeça enfiada dentro do forno elétrico (porque, tipo, é engraçado, sabe? não tem gás ali, cara!). Mas ela nada, sim, eu digo, nada, poderá fazer diante do Michael Jackson criança, ainda negro, de black power e usando uma roupa colorida, pedindo que ela dê mais uma chance porque você vai mostrar pra ela o amor que ela quer se ela te deixar voltar pro coração dela. Seria desumano se ela fizesse isso, cara.
Elvis – Are you lonesome tonight: Uma coisa que todos nós tempos que aprender é que neste mundo existem três jeitos de fazer as coisas: o jeito certo, o jeito errado e o jeito do Elvis. Elvis não chora, Elvis não suplica, Elvis não pede perdão, Elvis não dá pinta de quem passou a noite toda chorando sozinho enquanto olhava álbuns de fotos e assistia “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” pela sexta vez. Elvis sabe que se o relacionamento terminou quem perdeu foi ela, que se você está sozinho o mundo das mulheres solteiras sorri, que toda e qualquer garota se rasgaria por um cara feito você. Mas mesmo assim Elvis, cara boa praça que é, aceita dar mais uma (e apenas uma) chance pra que ela reconsidere, sabendo que ela está sozinha, carente, largada e que ele foi o ponto alto da vida dela, depois do qual virá apenas o vazio, a depressão e caras com cabelo menos bonito. É assim que Elvis resolve essas coisas.
Take That – Back for good: Você não entendeu direito porque terminou. Ela estava chorando, falando enrolado, parecia meio bêbada e as coisas que você conseguiu pescar serviam tanto pra justificar um final de namoro, um discurso de despedida do futebol ou uma declaração de guerra no oriente médio. Mas você imagina que a culpa deva ser sua e portanto você deva pedir desculpas já que não quer terminar (além de não querer começar uma guerra no oriente médio). E existe algum pedido de desculpas mais genérico do que “o que quer que eu tenha dito, o que quer que eu tenha feito, não foi de propósito”? É aquela coisa, seja qual for o problema foi sem querer e eu vou resolver, mas se você puder falar de uma forma menos confusa vai facilitar um bocado pra mim.
Menções honrosas
Waguinho – A mina de fé: É impossível falar de músicas sobre retorno de namoro sem citar essa pérola do “você não sabe o que tem até perder” cometida pelo sempre sensacional Waguinho, homem por trás do mega-sucesso “Tô dentro, tô fora” dos Morenos. Não só toda a letra é permeada por um genuíno terror em relação a perda (“eu era feliz sem saber e isso me revolta”) como é impossível não notar que Waguinho realmente mudou sua postura de vida e agora não leva mais aquela vida de dissipação e degradação moral de antigamente (“eu aprendi, não vale nada, noite, farra, madrugada”). Ou seja, mais do que uma canção é o retrato de uma mudança de vida em letra e música. Tocante.
Molejo – Voltei: Pra que se fazer de vítima depois do fim? Afinal, se você tinha problemas, que forma melhor de atrair a mulher amada de volta do que corrigindo suas atitudes, mudando sua postura, buscando se adequar aos elevados padrões que ela estipulou para um parceiro ideal? E é isso que Anderson Leonardo nos ensina. Abandone o cigarro, comece a malhar, pare de freqüentar a zona da sua cidade, acorde cedo, se comporte bem, seja um ser humano melhor! E se ela não voltar? Bem, aí você volta a fazer aquelas merdas todas de novo, é claro.
Top 5 – Canções mais bonitas de Alexandre Pires
Novembro 6, 2009

Mineirinho: Alexandre Pires, como todo grande artista, sempre gostou de desde o começo da carreira, flertar com o complexo, o criativo, o paradoxal. E quer coisa mais paradoxal do que um mineiro fazendo uma música pra falar pra todo mundo que o mineiro é de fazer e não de falar? Com essa canção que é a versão musical de começar a gritar dentro de uma biblioteca para pedir silêncio, o Só Pra Contrariar não só fez self-marketing (e espero que todos eles tenham conseguido pegar alguém graças a isso) como alcançaram as paradas de sucesso e lançaram Alexandre como um sex symbol para o novo milênio.
Interfone: É até um pouco complicado pra mim falar dessa música pelo tanto que ela me emociona. Afinal, eu imagino Alexandre Pires sentado em casa, sozinho, solitário. Ele viu o Jô, ele viu o Intercine (no qual ele tinha votado em “Simples como amar” mas acabou tendo que ver “Fuga de Absolon”) e depois, no auge da derrota, ele viu o Amaury Junior. Aí ele ficou chateado, até eu ficaria. Então ele saiu, entrou no carro e foi, a duzentos por hora, até a frente do prédio da amada. Chegando lá ele foi barrado pelo porteiro que, recém-contratado e nada afeito as revistas de fofoca, ainda acha que Alexandre namora com uma das Scheilas e não entende o que a voz máxima do pagode mineiro está fazendo ali. E então, num gesto de supremo amor e desespero, Alexandre pega o celular, abre seu coração e manda, de lá de dentro, do seu âmago mais recôndito um “mas o porteiro é novo, ele não me conhece, tá cheio de suspeitas, tá desconfiaaaaaaaaado”. Cara, eu estou chorando aqui. É foda.
A barata : Nunca é demais dizer que Alexandre Pires é acima de tudo um pioneiro. Muito antes da Wired, muito antes do Steve Jobs, muito antes dos caras do Google, do Facebook, do Twitter, o ex-vocalista do SPC já trabalhava na música interativa, no pagode 2.0, no partido-alto colaborativo, no samba wiki. Sim, ou o que mais você pode dizer de um samba em que Alexandre lança as bases rítmicas e você mesmo pode continuar a letra de acordo com sua vontade, oferecendo uma colaboração pessoal e inovadora como letrista? Afinal, a barata era da vizinha do Alexandre, mas quem decidia o que fazer com ela era você! Pistolada, sapatada, cabeçada, desintegrada, o poder era todo seu, meu amigo.
Essa tal liberdade: Nessa música Alexandre propõe uma das grandes questões da humanidade, tão complexa quanto o paradoxo do gato de Schrödinger, o “ser ou não ser?” de Hamlet ou o “should i stay or should i go?” do The Clash. Afinal, o que que eu vou fazer com essa tal liberdade se estou na solidão pensando em você? Eu andei errado, eu pisei na bola, troquei quem mais amava por uma ilusão, mas a gente aprende, a vida é uma escola. Não é assim que acaba uma grande paixão. E ainda virou música-tema de propaganda da Malwee, lembra? Gênio, gênio.
Depois do Prazer: Primeira coisa a ser dita sobre “Depois do prazer” é que apenas um campeão, um gênio, um macho-alfa, um predador emocional, é capaz de começar uma declaração de amor com as palavras “tô fazendo amor com outra pessoa” e ainda se dar bem. Mas para Alexandre Pires, um conquistador que ganha pela confusão e dissuasão da mulher amada, isso é pouco, claro. Depois dessa ele ainda manda um verso de extrema complexidade como “a verdade é que eu minto” e a mulher, que não sabia se ele estava indo ou vindo, começa a se questionar que raios está acontecendo ali. E aí, pra fechar, ele manda o “posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo”, o que faz com que a mulher perceba que as emoções de Xandeco são tão complexas que Stephen Hakwings era o amigão com quem ele desabafava durante os namoricos de colégio e que resistir é inútil, tem mais é que voltar com o cara antes que ele diga qualquer outra coisa desse tipo e ninguém entenda mais nada. (E claro, não podemos deixar de lembrar mais duas frases épicas dessa canção: “o que o corpo faz a alma perdoa”, um belo verso sobre traição e “emoção foi embora e a gente só pede pro tempo correr” que é evidentemente sobre a incapacidade de Alexandre de achar algo para fazer durante as 7 horas e meia que sobraram na suíte do motel após pegar aquela promoção de pernoite)
Top 5 – Coisas que eu não vou fazer no meu aniversário
Novembro 4, 2009

Uma tatuagem: Tatuagens são costumeiramente um sinal de rebeldia, autenticidade, capacidade de decisão, culto ao corpo ou de que você apenas bebeu demais e tem amigos sacanas. Ou seja, exceto o lance da bebida e dos amigos sacanas é algo que não tem nada, mas nada a ver comigo. Some a isso o terror patológico de agulhas (“peraí, não dá pra fazer isso com giz de cera? Hidrocor? Guache? Hein?”) e a absoluta incapacidade para tomar decisões de longo prazo (eu tenho problemas para escolher acompanhamentos no Spoletto, como posso tomar uma decisão sobre o que vai estar desenhado em mim pra vida toda?) e você vai ter uma pessoa que nunca, mas nunca vai ter uma tatuagem. E claro, ainda existem as questões de pura paranóia como “como eu vou saber se esse ideograma quer mesmo dizer felicidade e não ‘sou um podólatra comedor de polenta’?”, mas não vamos entrar nesse tipo de detalhe.
Ir numa boate de strip-tease: Não vou dizer que eu nunca tenha achado o conceito interessante, mas conforme eu fui crescendo eu acabei deixando de ver a magia inerente a uma casa de strippers. Ok, são mulheres atraentes (ou não) dançando nuas (ou não) e isso é um daqueles conceitos que, junto com batata frita e leite condensado, funciona independente de contexto, mas sempre bate aquela ponta de depressão pelo lado lamentável da situação. Afinal, no frigir dos ovos é um cara pagando para que uma mulher fique perto dele e o pior, sabendo que está pagando e que provavelmente ela só ficaria perto dele se ele realmente pagasse. Triste. E como se não bastasse isso, uma lata de coca-cola custa dez reais.
Juntar meus amigos num bar, ficar bêbado, cantar a garçonete até que ela me passe o telefone dela e no dia seguinte estar tão sem graça com a atitude da véspera que não tenho coragem de telefonar: Bah, já fiz isso ano passado e não vou repetir a programação. Eu superei essa fase. Fora que depois de ver pessoas se dando mal com argumentos bem mais fortes como “o prédio está pegando fogo e nós todos vamos morrer, quer ficar comigo?” e “tenho mais 72 horas de vida, você podia me dar um beijo?” eu comecei a achar que “oi, sabia que hoje é meu aniversário?” não é um começo de conversa que vá me levar a algum lugar interessante.
Fazer um programa de pai e filho: Por alguma razão estranha que eu nunca vou conseguir compreender, o meu pai acha que o meu aniversário é no dia 9 e não no dia 7, e isso desde que eu era garoto, o que faz com que ele sempre me dê os parabéns por volta do dia 12 ou 15 (meu pai acha que é dia 9 mas se esquece mesmo assim) e eu receba um presente por volta do dia 10 de dezembro (quando ele acha que é o aniversário do meu irmão, que na verdade acontece no dia 7 de dezembro) . Com isso eu desconfio que um almoço de pai e filho entre eu e ele para comemorar meu aniversário iria acontecer ali por volta de meados de agosto de 2010, quando eu possivelmente já teria morrido de fome ou gasto 5000 reais em couvert.
Ir a uma sessão de “Homem-Aranha – Ação e aventura”: Sim, eu realmente pensei nisso, sério. Eu sei, eu sei, é pra crianças, eu sei, é uma peça musical com pessoas presas em cordas e eu sei, eu teria que ir sozinho e provavelmente contratar o filho pequeno de alguém para que eu usasse como pretexto. Mas pô, é o Homema-Aranha, cara! E eles prometem ação e aventura! Como isso poderia ser ruim?
Top 5 – Músicas do Molejo que você tem que ouvir antes de morrer
Outubro 27, 2009

Não sei se vocês se lembram, mas existiu uma época muito, muito tempo atrás, num lugar muito, muito distante em que todo mundo ouvia pagode. Sim, todo mundo. Eu ouvia pagode, você ouvia pagode, seu pai ouvia pagode, sua tia ouvia pagode. Isso porque, é claro, em todo lugar tocava pagode. A rádio tocava pagode, na televisão passava pagode, nas festas se ouvia pagode, nas lojas de cd tocavam os cds de pagode. Não, não samba raiz de universitário intelectual, não samba com hip-hop do Marcelo D2, não sambinha MPB nessa coisa Maria Rita/Los Hermanos ou samba rock do Farofa Carioca. Nada disso, meu amigo, era pagode mesmo.
Nomes como Exaltasamba, Soweto, Os Morenos, Só Pra Contrariar e Karametade causavam nas garotinhas incautas o que hoje causam NxZero, Fresno e derivados, só que com mais gente no palco, mais ginga, mais malícia e mais suingue (e claro, menos franja). E nesse panteão onde Alexandre Pires dominava as paradas de sucesso com suas reflexões filosóficas (“o que que eu vou fazer com essa tal liberdade?”, “a verdade é que eu minto”, “ele vai dar uma pistolada na barata dela”), e Belo tocava as almas e os corações com sua poesia cuja criatividade beirava o construtivismo(“derê, derere, dumdum, dê rererere”), surgiu um grupo que representava tudo que de mais descompromissado, mais fanfarrão, mais bizarro, mais sem noção significava o pagode da década de 90: o Grupo Molejo.
Formado em 1993 por Anderson Leonardo, Andrezão e mais um monte de caras que ficavam rodando na parte de trás do palco da Xuxa fingindo que tocavam alguma coisa,o Molejo era conhecido por suas letras irreverentes, brincalhonas, bem-humoradas e na maior parte das vezes totalmente sem sentido, que tanto acrescentaram ao pagode-pop nacional e tanto sucesso fizeram nas rádios. E é em homenagem a esse grupo que tantas alegrias (ou não) deu a todos nós durante tantas viagens de ônibus nos tempos do colégio e que agora retorna ao estrelato com seu novo CD “Todo mundo gosta” que eu me propus a fazer essa pequena lista (afinal, cinco músicas diante de uma obra extensa como a do Molejo é como escolher apenas cinco filmes diante da filmografia completa de Uwe Boll)
Cilada: Sucesso em todas as excursões escolares junto com “Barata da Vizinha” e “Fogo e Paixão”, essa canção foi uma das incursões do grupo na arte de representar as dramáticas histórias de amor e sofrimento das classes menos favorecidas, com o conto de um rapaz que, interessado por uma moça, deixa que ela o obrigue a prestar serviços domésticos na expectativa de recompensas de cunho afetivo. Tente não se emocionar com o genial refrão que diz “não era amor ô ô/não era/não era amor era/cilada cilada”.
Brincadeira de criança: Uma canção feita não apenas para tocar nas rádios mas também para cumprir uma função social: acelerar o processo de sexualização das crianças do Brasil. Mais uma vez o Grupo Molejo dá aquele passo adiante em termos de composição e nos brinda com uma das frases mais memoráveis da música brasileira: “Até que enfim, chora pra beijar, hein!?”.
Samba Diferente: Também conhecida como a “melô do Frei Damião” (“pode quebrar o pescocinho pro lado, vai, vai, vai, vai”), essa bela canção consiste basicamente em uma série de comandos sem sentido que quando combinados formam uma coreografia que estava no estreito limite entre o inusitado, o curioso e o absolutamente babaca. Méritos do grupo que conseguiu fazer com que várias pessoas pelo país inteiro passassem a vergonha de seguir o que eles diziam sem nem pensar duas vezes.
Paparico: Reafirmando sua verve de bardos do proletariado do século XX, Anderson Leonardo e Andrezão retornam com essa história sobre um rapaz que deseja impressionar uma jovem e para tanto usa de artifícios visando mascarar sua desconfortável situação financeira, o tipo de história que deixaria John Ford boladaço. Destaque para o verso sobre o cheque sem fundo no motel. Massa, véi.
Sweet Banana: Clássico do pagode dadaísta, Sweet Banana é uma dessas músicas que à primeira vista não dizem muita coisa, mas que numa análise mais apurada não significam absolutamente porra nenhuma.
Os cinco hábitos dos bêbados muito irritantes
Outubro 14, 2009

Brincadeiras físicas sem sentido: O bêbado inconveniente sempre sente uma profunda necessidade de se expressar de forma física. Mas ao contrário da Débora Colker, da Ana Maria Botafogo e do Jacaré do Tchan, por exemplo, não consegue pensar em nenhuma maneira realmente lúdica de saciar essa necessidade e acaba partindo para as brincadeiras físicas bizarras. Petelecos na orelha, tentativas de abaixar sua calça, ombradas, imitações de tiranossauro, cabeçadas no seu ombro, rasteiras, propostas para pular carniça, tentativas de equilibrismo em locais extremos, empilhamento de copos e garrafas, todo tipo de bizarrice se torna válida desde que ele não fique parado. E sim, alguns realmente resolvem se expressar como o Jacaré do Tchan, mas esses te fazem sentir saudade dos petelecos.
Sinceridade fora de controle: Nenhuma criatura do universo é mais sincera do que o bêbado. Ele vai te contar qualquer coisa que você pedir, indo desde segredos minuciosos de trabalho até segredos de estado e segredos de cofre, com especial destaque parar coisas que você nunca teve a mínima curiosidade e experiências sobre as quais você não gostaria de ter conhecimento Porque apenas quando você está numa calçada as três horas da manhã ouvindo um cara te perguntar se o fato dele ter uma foto do Kaká de sunga como fundo de tela torna ele gay que você compreende os problemas que a bebida pode trazer.
Demonstrações excessivas de afeto: Ao contrário do gago, dos portadores do Mal de Hansen e das pessoas com Alzheimer, que querem apenas o nosso respeito, o bêbado quer muito mais. Ele quer nosso afeto, nosso carinho, nossa amizade, nos dar um abraço, dizer que nos ama e nos levar pra passar a noite na casa dele porque considera a gente pra caralho. Daí vem toda uma gama de demonstrações de carinho que são bem acima do que a sociedade considera tolerável, muitas vezes saindo até da clássica trindade do “não estou bêbado-te amo-você é um cara gente boa” e entrando em campos mais absurdos como dizer que vai te colocar no testamento, dizer que gosta tanto da sua camisa que quer que você tire pra que ele vista e coisas do tipo. Mas se ele tentar enfiar a língua na sua orelha não é culpa da bebida, seu amigo está querendo ficar contigo mesmo.
Necessidade desnecessária de transmitir dados sobre sua vida pessoal: Sabe aquilo que os políticos falam sobre vidas que são “um livro aberto”? É só quando você está perto de um bêbado que você entende isso da forma mais clara possível. O bêbado te conta sobre o final do último namoro, sobre a garota do trabalho de quem ele é afim, sobre o divórcio dos pais, sobre os problemas com a ex, sobre a paixão de infância, sobre a vez em que apanhou dos primos, sobre o dia em que ficou bêbado e acordou com um travesti e no final te conta da vez que pegou a sua irmã, você não sabia e a noite acaba com aquele clima pesado.
Vomitar: Bêbados algumas vezes vomitam em si mesmos e nas outras pessoas. E isso é chato.
Top 5 – Problemas de ser considerado um cara bonzinho
Outubro 5, 2009

- Ao contrário dos outros homens que podem ser rejeitados com toda uma miríade de frases, desculpas e razões, você vai ouvir apenas três frases de rejeição na sua vida, que são “eu gosto de você, mas como amigo”, “não quero me envolver com ninguém” e “estou saindo de um relacionamento complicado”. E não, elas não vão ser ditas de acordo com o contexto e nem escolhidas de forma racional: você vai estar numa micareta e a garota vai dizer que não quer um envolvimento sério; vai chegar numa desconhecida e ela vai dizer que gosta de você, mas como amigo; e vai se apaixonar por uma freira recém-saída do convento e ela vai dizer que não quer se envolver com outro relacionamento complicado. Sei lá, acho que as mulheres escolhem essas coisas no modo shuffle e só deixam rolar.
- Pessoas irão tentar te explorar em diversas situações apenas pelo fato de saberem que você tem uma grande dificuldade para dizer não e em vários momentos você vai notar que está na linha tênue que separa um cara gentil e prestativo de um cara trouxa e idiota. Por exemplo, um dia você vai sair com uma garota de quem você está afim e vai pagar o táxi. Normal. No outro dia você vai sair com essa mesma garota, sendo que está óbvio que não vai ficar com ela, e vai pagar o lanche. Você não percebeu, mas na mente dela isso pavimentou uma estrada que, se você não souber contornar, irá levar a que no futuro você esteja pagando a conta de luz da namorada de um desconhecido.
- Você vai notar que na mentalidade feminina o cara bonzinho* é sempre o cara “pra depois” ou o cara “pra apresentar pra uma amiga”. Por exemplo, você é tão legal que ela realmente não pode ficar contigo mas você com certeza é o cara certo para aquela prima ex-viciada que acabou de sair da prisão de Guantánamo por ter auxiliado algumas ações terroristas na África e ok, ela tem aquele problema de esfaquear as pessoas em situações de pressão, mas você é um cara bonzinho, não vai se importar com isso! E vão formar um casal tão fofo!
- Quando você descreve a sua noite para os amigos você acaba sendo o único que usa a linguagem denotativa com muita freqüência. Por exemplo, se um amigo seu disser que foi “deixar uma amiga em casa”, ele evidentemente foi pra casa de alguém transar. Você, quando diz que levou uma amiga em casa é porque realmente levou uma amiga em casa. E depois parou no Pão de Açúcar porque o desinfetante tinha acabado e você lembrou que precisava comprar mais.
- Você vai notar que passar de “cara bonzinho” para “cara mau” é basicamente como passar de país de terceiro para país de primeiro mundo: não rola. Se você começar a tentar agir de forma mais firme e egoísta as pessoas vão automaticamente comparar esse comportamento com a sua conduta antiga e considerar que você se tornou um babaca (o que é bem diferente de “cara mau”), enquanto a persistência no comportamento considerado “bonzinho” vai te levar a carregar coisas pesadas para as pessoas, pagar mais caro nas festas e ficar com a consciência pesada por ter discutido com o barbeiro que deixou seu cabelo parecendo as costas de uma ovelha que fugiu no meio de uma sessão de quimioterapia.
*Eu sempre tive uma certa desconfiança de que isso da mulher te dar um fora te achando “bonzinho” ou “legal” tem um nível muito grande de falsidade. Por exemplo, se eu conheço uma garota e acho ela realmente legal ou realmente uma boa pessoa eu fico com ela, não dou um fora e digo que ela ainda vai fazer um outro cara muito feliz. Ou seja, quando ela diz que você é legal ou bom mas não vai ficar contigo ela está claramente dizendo que você é legal, mas não o bastante e bom, mas não o bastante. Sério, eu seria um péssimo terapeuta motivacional, mas essa é a óbvia verdade. O problema não é com ela, é com você.
Top 5 – Coisas que eu odeio em vendedores
Agosto 18, 2009

Vendedor micareteiro: Uma das coisas que mais me irritam em certos vendedores é o abuso do contato físico. Assim como um recém-nascido ou um cara fortão numa micareta existem certos vendedores que sentem uma necessidade patológica de ficar agarrados com alguém, te puxar pelo braço, te empurrar, te jogar para algum lado, dar tapinhas no seu ombro e outras coisas do tipo, como se isso fosse algum tipo de técnica de venda através do abracinho carinhoso ou da patolada amiga. Mas com toda a sinceridade, quando eu quero alguém pra abraçar eu penso em alguns outros lugares pra procurar antes de chegar nas Casas Bahia. E nem estou falando das garotas do drive thru do Habib’s.
Vendedor grudento: Esse é o vendedor que não aceita um não como resposta. Você fala que está caro e ele diz que te faz um desconto. Você fala que está sem cartão e ele fala que faz no cheque. Você diz que está sem tempo e ele diz que é rapidinho. Você diz que realmente não está interessado e ele diz que aquela é uma oportunidade única e que você vai se arrepender pelo resto da vida. Você fala que realmente é uma boa proposta mas não vai poder aceitar e ele diz que você está sendo impulsivo e deveria pensar antes de tomar a decisão de não comprar algo assim. Você diz que está dentro da loja há sete horas e ele diz que sua família só vai poder pedir pra polícia te procurar se você sumir por dois dias. Você diz que precisa ir embora porque sua mãe morreu e ele diz que é pra você esperar porque o gerente vai deixar que ele faça um desconto de mais 5 reais no LCD. Aí você manda ele à merda e ele diz que não precisa ser grosso, se não quer comprar é só dizer.
Vendedor estiloso: Poucas coisas irritam mais do que um vendedor que quer julgar as suas decisões e te olha com desdém porque o seu gosto não é tão apurado quanto o dele. Isso é muito comum nessas lojas moderninhas de roupas e acessórios, em que você entra e se depara com um metrossexual quase-modelo com óculos escuros enormes e mais gel no cabelo do que seria necessário para fazer um topete na Maria Bethânia e ele começa a cornetar as suas escolhas de cor, estilo e modelo, primeiro com sutis olhares de reprovação, depois com movimentos discretos de cabeça até que por fim ele se irrita e solta algo como “meu deus, rapaz, pra que comprar quatro camisas verdes iguais? Tá pensando que é o Cebolinha? Que ódio!”. True story.
Vendedora bonita demais: Um dos grandes problemas da vendedora bonita demais é que ela acaba tirando o seu foco do produto e, no meu caso, me intimidando no processo da compra. Afinal, se eu sei que não consigo dizer não pra uma mulher que eu considero atraente, independente do quão absurdo seja o que ela me pedir, as coisas podem se complicar muito pra mim quando entro em certas lojas.E não apenas porque as pessoas estranham o cara que evita as vendedoras bonitas e vai negociar com senhoras idosas mas também porque é muito complicado explicar pra minha mãe porque eu saí pra comprar lentes de contato e voltei com dois tamagotchis. True story. (Brincadeira, eu não comprei os tamagotchis. Eu comprei dois filmes de 36 poses sendo que nem tenho máquina fotográfica)
O ouvido de mercador: Um exemplo clássico do funcionamento dos ouvidos de mercador e de como os vendedores sabem apenas recitar um texto ensaiado, ignorando totalmente o que você está dizendo, foi o processo de pesquisa de preço para o meu atual celular numa loja de Juiz de Fora.
“Ei, eu queria um celular básico, prefiro um modelo discreto e leve, desbloqueado e com MP3. Como não tiro fotos com celular, não me importo com a qualidade da câmera e tal.”
“Ah, eu tenho esse aqui, ele tem uma câmera de 3.3, pega rádio, vem em vermelho. Ah, e bloqueado.”
“Bem, eu quero algo mais discreto…Com MP3…Desbloqueado…E não ligo pra câmera…”
“Ah…Bem, eu tenho esse aqui também. Não toca MP3, mas tem uma câmera ótima. E sai muito nesse tom de rosa”.
“Olha…eu não ligo pra câmera, mesmo. Você tem algo com MP3 que seja menor e venha desbloqueado?”
“Nós temos esse aqui, ele tem câmera de 4.0, toca MP3 e vem bloqueado.”
“Você…teria…algum…com MP3 desbloqueado? E não precisa falar da câmera…”
“Eu tenho esse Nokia aqui com câmera de 3.6 e sem MP3”
“Olha, eu sou um rato de laboratório escondido num robô com forma humana e quero dominar o mundo, qual celular você me recomenda?”
“Hummm…Então eu tenho esse Sony com câmera de 4.2 , quer dar uma olhada?”
Top 4 – Culinária de solteiro
Maio 30, 2009

Bruschettinhas à bolonhesa: Primeiro coloque a carne moída em uma panela com uma pequena quantidade de água e sal e espere cozinhar. Assim que a carne estiver cozida e toda a água tiver evaporado, acrescente óleo e porções picadas de cebola e alho. Espere que a cebola e o alho estejam refogados e acrescente o molho de tomate pronto, porque se você fizer o próprio molho de tomate você é um italiano ou um exibicionista (ou um italiano exibicionista). Espere ferver. Coloque água em uma panela e acrescente um fio de óleo assim que ela ferver. Procure o macarrão no armário da cozinha. Assim que você chegar com o macarrão perto do fogão, vai notar que o gás acabou. Procure dinheiro na carteira para pedir gás pelo telefone. Note que só tem 5 reais. Coma o molho com pão francês mesmo.
Mixto de alface: Saia do trabalho estressado. Chegue em casa morto de fome e decida-se a fazer um mixto quente. Abra a geladeira e note que só tem queijo prato e alface. Considere indigno comer queijo quente e coloque uma maldita alface entre os pães e o queijo. Note que a alface assume uma aparência murcha e desanimadora assim que o sanduíche esquenta. Retire a alface, jogue no lixo e coma o queijo quente.
Atum ralado ao natural: Retire a lata de atum do armário. Tente abrir puxando aquele anelzinho metálico que vem embutido. Não consiga. Tente de novo. Não consiga. Fique nervoso e tente com o abridor. Corte a mão. Enrole a mão numa fronha que a sua mãe te mandou mas você nunca usou. Praticamente estoure e a lata. Coma o atum puro com uma colher e evite que o sangue respingue pela casa.
Créme du chocolat: Prepare uma mistura para bolo de chocolate seguindo fielmente as instruções do pacote. Bata a massa uniformemente para não empelotar. Lembre-se de que não está na sua antiga casa e portanto não tem um forno, apenas um fogãozinho de duas bocas. Coma a massa para não ter que jogar fora.
Atualização: Como bem notou o Thiago (“a testemunha ocular da história”), no lugar deste texto havia sido postado outro, muito depressivo, falando sobre como eu aparentemente consegui ficar de fora do concurso da Petro já que chamaram até o sétimo colocado e eu fui o oitavo. Maaaas, como eles tem até o final de junho para convocar as pessoas, irei esperar até o prazo final para começar a resmungar feito uma velha. Ou seja, se quiserem ver gente se lamentando, estejam aqui no próximo dia 29!