Music Review #2
Novembro 18, 2009

Weezer – Raditude
Cotação: Inaplicável
Bem, como eu sempre disse pra quem quisesse ouvir e nunca fiz questão de esconder, existem algumas definições bem claras na minha vida de quais são as minhas verdades imutáveis, eternas e que nunca irão nem passar perto de mudar. São coisas que me acompanham desde sempre e formam os cinco vértices da minha definição de quem eu sou. E uma dessas pontas é a certeza de que a melhor banda do universo se chama Weezer.
Por isso eu gostaria de deixar claro, assim como fiz na resenha de “Zack and Miri make a porno” que a avaliação feita aqui foge totalmente de qualquer critério racional ou analítico no sentido estrito da palavra e que a imparcialidade passou longe sem deixar recado ou mesmo uma mensagem offline no MSN. Ou seja, perguntar se esse cd é ruim é basicamente como perguntar se minha mãe é feia ou meu pai usa calcinha: não vai levar à nada além de brigas ou a algum tipo de diálogo constrangedor entre eu e meu pai. Dito isso vamos em frente analisando o disco faixa à faixa.
“Raditude” abre com “(If You’re Wondering If I Want You To) I Want You To”, primeiro single do disco e que até já tem clipe nas interwebs. É um pop rock “weezer style”, daqueles pra tocar em rádio e fazer a galerinha cantar junto em ritmo de azaração e descontração total. Na sequência vem “I’m your daddy”, outra canção que já nasce clássica, falando sobre aquele climinha de “vou conhecer a garota da minha vida nessa pista de dança”, o que seria realmente possível se alguém aqui soubesse dançar. Aí entra a faixa 3, “The girl got hot”, mais uma daquelas músicas que te fazem pensar que Rivers Cuomo anda saindo muito, provavelmente mais do que você e isso é preocupante. Então vem “Can’t Stop Partying” e você tem certeza que realmente alguém anda se divertindo e saindo com companhias erradas, fora que existe o choque de saber que Lil’ Wayne não é o filho do Batman, como você tinha pensado, e sim um rapper. E assim termina o que eu chamo de lado “solteirão nerd pegador” do CD, perfeito pra ouvir enquanto você se arruma pra sair numa sexta à noite ou enquanto você se arruma pra ficar em casa numa sexta à noite.
Na faixa 5 o Weezer traz à tona seu repertório de canções um pouco mais sentimentais, com “Put Me Back Together”, já citada aqui no blog como representante das súplicas de retorno de ex-namorada (além de uma das melhores do CD), algo parecido com a intenção de “Trippin’ Down the Freeway”, bem mais animadinha e um pouco mais preventiva: ao invés de pedir pra você voltar eu não vou deixar você terminar. “Love Is the Answer” é a prova de que até mesmo o Weezer pode errar e de que nada é tão complicado que uma cítara mal colocada não possa complicar mais, por isso pode ser legal pular para “Let It All Hang Out”, uma música de sábado à noite bem melhor do que qualquer coisa que o Black Eyed Peas jamais possa conseguir fazer, cheia de energia, vida, coragem, alegria e outras coisas que você teria que beber para conseguir. Na versão normal o disco iria então continuar com “In the mall”, um rock simples e sem grandes pretensões fechando com “”I Don’t Want to Let You Go”, a balada final do disco, outra bela canção sobre o porque de não ser legal você me chutar ainda mais agora…
Mas claro, existe a versão Deluxe, e nela existem mais 4 músicas: “Get me some”, uma das mais pesadas do disco, com os “instrumentos moendo” e uma letra que, vá lá, é rebelde sem deixar sua mãe preocupada; “Run Over by a Truck”, que te faz assobiar no metrô e ficar estalando os dedos; “The Prettiest Girl in the Whole Wide World”, uma música lentinha que já tinha saído no segundo disco solo do Rivers e “The Underdogs” , provavelmente o mais próximo de um “We’re the world” que o Weezer algum dia vai chegar.
Numa análise geral a banda basicamente oferece mais do mesmo com algumas boas variações, o que vai ser muito interessante se você for fã e não vai te impressionar taaaanto assim se você não for. Muito da vibração adolescente dos discos antigos e que estava ausente no “Red Album” retorna, assim como uma certa vocação para o pop rock com mais cara de “música pra tocar na rádio” (se as rádios fossem legais, coisa que não são). E não se deixe assustar por participações de rappers ou pelo cachorro na capa (mas tipo, se você se assustar com o cachorro você é meio hiper-sensível, eu acho): é apenas o bom e velho Weezer de sempre. E cara, é bom saber que algumas coisas não mudam tanto assim nesse mundo estranho, frio e cruel que existe aí fora.
Music Review #1
Setembro 9, 2008
The Cardigans Acoustic
Cotação 6/8
Existem discos que acabam ganhando uma função importante na vida de quem ouve. Discos que simbolizam momentos, que curam depressões, que te animam nos piores momentos. Mas esse definitivamente não é o caso do acústico do Cardigans, uma gravação que, pelo menos na minha opinião, foi feita apenas para tornar mais torturantes os momentos de fossa e levar pessoas mais mentalmente frágeis ao alcoolismo.
São apenas seis faixas, gravadas durante uma participação em um programa de rádio, mas que parecem ter sido pensadas e selecionadas com o claro intuito de me deixar profundamente deprimido, principalmente quando utilizadas no combo “comédia romântica boba/audição de CD do Cardigans/noite de sono pensando em como o dia de trabalho vai ser uma droga”, o que tornam o disco um sério candidato ao título de “o mais triste do mundo”.
Começamos com a faixa 1, uma introdução triste feita por um locutor que parece ter perdido a mulher para o melhor amigo exatamente naquela manhã. Ele apresenta a banda, num tom compungido, e então o grupo começa a segunda faixa, “And then you kissed”, sobre amores complicados, cruéis e cheios de sofrimento.
“and it hit me that love is a game
like in war no one can be blamed
yes, it struck me that love is a sport
so i pushed you a little bit more”
Então vem “Erase and Rewind”, uma espécie de pedido de “volta pra mim”, cheio de arrpendimento. Você começa a achar que X&Y do Coldplay era uma trilha sonora de festa junina. Infantil.
A primeira metade termina com “You’re the storm”, a clássica canção de desistência, com aquela mensagem de “finge que eu sou Vladivostok e me invade com 6 exércitos.” Ou algo assim, eu sou péssimo com analogias.
“I’m an angel bored like hell
And you’re a devil meaning well
You steal my lines and you strike me down
Come raise your flag upon me
And if you want me, I’m your country
If you win me I’m forever, oh yeah”
A faixa 5 é uma faixa de entrevista, em que todos eles contam histórias tristes sobre a morte de pessoas próximas e discutem imagens de foquinhas e pingüins molhados de óleo. Ok, não é sobre isso que eles falam e sim sobre a carreira da banda, mas não é pelo tom de voz que você nota a diferença entre os assuntos…
Surge então um dos hits da banda, “For what is worth”, uma das músicas do meu top 100 das canções fofinhas/depressivas, com o clássico refrão “For what it’s worth, I love you/And what is worst, I really do”. Nesse momento você deve pedir pra que alguém de confiança esconda as facas e garfos. E também as colheres, se você for do tipo que come demais quando fica triste.
A faixa 7, “Communication”, que já é triste até pra quem não entende a letra ou não compreende o contexto (acho que pessoas surdas ficariam tristes apenas com as vibrações da música), ganhou um grau de tristeza toda especial pra mim após algumas experiências pessoais recentes. Parabéns pra mim, né? Uhu…
“And I saw you
But that’s not an invitation
That’s all I get
If this is communication
I disconnect
I’ve seen you, I know you
But I don’t know
How to connect, so I disconnect”
Então, como que numa tentativa de se redimir e reduzir as estatísticas de suicídio na área de cobertura da rádio, a banda fecha o mini-show com “My favourite game”, uma das mais animadinhas deles. Que ainda é bastante triste, se você for pensar…
Em suma, um CD perfeito pra momentos de fossa, tristeza, ou pra quando você precisa chorar no funeral de uma pessoa da qual você não gosta e está difícil encontrar motivação.
