The knights who say anticlimactic nonsense
Dezembro 13, 2009

E foi certa vez na corte do Rei Baldahar, na Normandia, que diante de seus mais notórios e corajosos cavaleiros, como sabidamente eram Niholdan da Galícia e Numordin, da Pirinéia, além de Norun, da Boríngia e Magrebov, da Norúngia, que o sábio rei pediu que todos se aproximassem da mesa para um pronunciamento importantíssimo que ele teria que fazer, possivelmente o último antes de sua morte, que viria a acontecer futuramente em alguma batalha, já que naquela época todo mundo morria e quase sempre era numa batalha mesmo. Baldahar uniu seus homens, levantou seu copo de hidromel e, enchendo o peito e olhando para sua rainha, Norene, disse, em plenos pulmões – “Existem apenas dez tipos de homens, os que entendem binário e os que não entendem”. Como o conceito de números binários só viria a ser inventado alguns milênios depois, ninguém na corte riu da piada e esse episódio foi apagado dos registros históricos do reino, assim como o nome de Baldahar, considerado por muitos um rei meio sem graça.
Conta-se também da lendária contenda envolvendo Nulinco, também conhecido como o “cavaleiro que brilhava pra dentro” e o dragão verde de Hidrasil. Segundo as lendas, Nulinco, famoso por seu saber, sua cultura, sua capacidade de resolver problemas e seu fraco por livros de colorir, havia sido chamado até Hidrasil para resolver a complexa questão de uma garota que havia sido seqüestrada por um dragão. Não que a questão fosse exatamente complexa de entender (garota, seqüestro,dragão, digamos que não é exatamente um episódio de CSI) mas o povo considerou que apenas um nobre e gentil homem como Nulinco seria apto para resgatar a jovem donzela das garras do maligno réptil cuspidor de fogo. Vendo o desespero da família da donzela, o bravo cavaleiro pediu que lhe fosse pintado um retrato da moça para que durante o resgate a reconhecesse (vai lá saber quantas donzelas o dragão tinha). Vendo na tela o rosto da jovem garota Nulinco então perguntou – “ah, mas é ela? tem certeza?”. “Sim, temos” – responderam os aldeões. Ao que Nulinco respondeu – “ah, mas é feia, deixa pro dragão comer, não vou me meter nessa não”. A aldeia então linchou Nulinco até a morte.
E não podemos é claro nos esquecer da épica e tão cantada história de Nizil e o leprechaun, que conta a história do bravo cavaleiro norúngio que…bem…encontrou um leprechaun. Bem, havia sido Nizil feito como refém durante as guerras Nefróticas e lançado ao mais profundo calabouço da mais suja prisão do longínquo território do Rei Noreba quando dentro de sua cela surge um leprechaun que lhe faz a seguinte proposta – “caro cavaleiro, posso libertar-te destas grades, precisando apenas que me garanta em casamento a mão de sua segunda filha, que deverá desposar-me e receber meu nome. Antes que me responda peço que te lembres de que essa é sua única e última chance de sair deste cárcere, nobre guerreiro.” Nizil muito pensou até que respondeu ao duende – “ah, mas nem rola…”. Nizil ficou então na cela até sua morte, cinqüenta anos depois.
Não poderíamos terminar sem a história do cerco de Namegarten, um dos mais recontados episódios bélicos da idade média dada a complexidade da estratégia militar aplicada pelo general Munsul, líder das hostes da Guicínia. Vendo seu exército despedaçado, suas fontes de suprimentos cortada e o castelo de Namegarten totalmente coalhado por tropas inimigas, Munsul fez o que todo e qualquer general dos tempos arturianos faria: lançou uma bomba atômica contra o castelo. Até hoje na região nascem besouro de seis cabeças e os cavalos andam para trás.
D’yer wanna be a spaceman? (ou talvez só queira registrar um livro…)
Dezembro 12, 2009
E depois de um tempaço procrastinando eu consegui finalmente registrar o livro. E claro,como eu não costumo registrar livros todos os dias, eu tive que aprender os procedimentos necessários e sabendo que essa (ao contrário do lance da nudez coberta com pele de capivara e das histórias envolvendo correr sem calça nos tempos da faculdade) é uma das minhas experiências pessoais que podem ser de interesse para as outras pessoas, aqui vai um breve resumo de como foi pra mim.
Primeiro: é na Biblioteca Nacional que se registram romances, poesias, contos, obras de não ficção, músicas e boa parte dessas outras coisas sobre as quais você pode querer registrar os seus direitos autorais, fora os softwares, que eu acho que são encampados por outro órgão de registro. Claro, se a sua obra for publicada por uma editora ela mesma se encarrega disso, mas fora esse tipo de caso é necessário o registro na BN. Ou seja, não dá mesmo pra fazer pelo despachante, não dá pra fazer pela internet e aquele seu primo que disse que iria registrar pra você no Paraguai pela metade do preço estava mentindo. Foda essas coisas.
Todas as informações básicas que você vai precisar pro registro se encontram surpreendentemente bem explicadas no site da BN, na parte de serviços a profissionais (eles estão supondo que você escreve porque é pago, um gesto legal da parte deles), na área do Escritório de Direitos Autorais, assim como todos os formulários e as classificações das obras por gênero. No meu caso, como era um livro de contos, eu tive que preencher o formulário de registro (bem fácil, simples e até uma criança consegue preencher. Tanto que eu pedi que uma preenchesse pra mim quando fiquei confuso com alguns itens) com dados básicos como nome da obra, número de páginas do original, gênero, etc. Na mesma página você também preenche a GRU (Guia de Recolhimento da União), que no meu caso foi no valor de R$ 20,00 (uma taxa única de 20 reais para todos os contos reunidos sob o título da obra) o que fez com que a taxa realmente parecesse administrativa e não apenas dinheiro dado pra que as pessoas enchessem a cara de cachaça e comessem torresmo às minhas custas.
Com a GRU paga (exclusivamente no Banco do Brasil, mas pode ser no caixa eletrônico), uma cópia da obra (caso ela seja inédita) numerada e com todas as páginas rubricadas (o que vai te fazer pensar em escrever coisas menores) cópias da identidade, CPF e comprovante de residência, você está preparado para o registro. Esse registro pode ser feito na BN, no Rio, ou em algum dos postos regionais, em vários estados. Não, não todos os estados, vários. E não, não parece existir um critério lógico pra escolha dos estados, foi mais uma coisa estilo “dando cartas pra colocar seus exércitos no War”, mas tudo bem. Eu, como moro no Rio e estava meio sem tempo pra ir no Amapá,resolvi registrar por aqui mesmo.
O principal problema no Rio foi achar o local. Ok, o endereço é bem claro, Rua da Imprensa, 16. Mas como achar a Rua da Imprensa? Bem, foi complicado. Primeiro porque, para as pessoas que não conhecem o centro do Rio é sempre bom registrar que a organização das ruas não segue nenhum tipo de lógica baseada na engenharia e sim o princípio da incerteza da mecânica quântica. As ruas podem existir ou não, em dado momento do dia, ou não, seguindo uma numeração que pode ser crescente ou decrescente. Ou não. Para os que não entenderam eu quero explicar que basicamente é isso mesmo. Certas ruas tem numeração que alterna, do mesmo lado da calçada, orientação crescente e decrescente, par e ímpar (e isso é sério) enquanto outras ruas dão saltos numéricos e algumas simplesmente acabam e recomeçam dois quarteirões depois como se nada tivesse acontecido. É basicamente o caos aplicado à orientação urbana e tudo que qualquer carioca vai comentar contigo sobre isso é um “why so serious?”.
Depois de finalmente chegar à Rua da Imprensa eu fui até o 12º andar e lá, já na saída do elevador, fica o balcão de registro. As funcionárias foram extremamente simpáticas (uma até elogiou o título do livro, mas sei que ela diz isso pra todos, então…) e fizemos o registro, o que resultou num comprovante com um código de processo que ela disse que eu posso acompanhar pelo telefone ou pela internet. O processo completo de verificação e registro demora teoricamente um máximo de 90 dias, depois dos quais eu devo receber um certificado de registro confirmando que a obra consta nos arquivos em meu nome. E bem, foi isso.
Com o registro iniciado e o protocolo em mãos o meu projeto é, até o final de domingo, enviar pras pessoas que se prontificaram a versão em pdf do livro pra que todos possam dar aquela opinião crítica, honesta e descontar em mim qualquer tipo de problema pessoal que venham tendo nos últimos meses. Se alguém ainda estiver interessado em se unir ao projeto é só avisar aqui nos comentários e entra na lista de teste.
Primeiras conclusões sobre atitudes nerds no ambiente de trabalho
Dezembro 9, 2009

Interromper uma discussão de trabalho dizendo que argumentar sobre aquilo é tão sem sentido quanto discutir se Han Solo realmente atirou primeiro pode confundir os participantes e não causar uma boa impressão sobre você.
Evite colocar aquela imagem da Tropa dos Lanternas Verdes como proteção de tela no seu computador.
Não use a caneta sinalizadora como um sabre de luz durante as apresentações. Sério, é complicado, mas você consegue.
Não comece reuniões com a frase “Houston, temos um problema”.
Quando perguntarem o que a sua equipe vai fazer no projeto tal não diga que “vamos fazer o que fazemos todas as noites…tentar dominar o mundo!”
Quando seu computador travar e você perder tudo que estava nele por não ter feito um back up, jamais grite “Khaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaannnnnnnnnnnnnnnnnnnn!”.
Quando entrar no elevador não diga “dois pra subir, Scotty”. Ascensoristas fãs de Star Trek são cada dia mais raros.
Imitar a voz do Darth Vader ao telefone costuma confundir as telefonistas, então evite isso também. E nunca, nunca termine uma reunião de feedback contando ao seu coordenador que você é o pai dele.
As pessoas do escritório não conhecem Star Wars o bastante pra reconhecer a sua comparação do seu colega de trabalho com o R2-D2, mas seu chefe conhece o bastante de cultura pop pra perceber que a Marcha Imperial tocou quando ele entrou na sala de reuniões.
Não, ninguém viu o episódio de ontem de “The Big Bang Theory”, aceite isso.
Não ache que por existir outro cara na sua gerência que goste de quadrinhos vocês vão ser amigos. Ele provavelmente é um fã hardcore de mangá, vai discutir contigo porque você disse que não gostava de Naruto e vocês vão rapidamente se tornar inimigos mortais. E ele não vai pegar mais leve contigo por ter 25 anos de empresa a mais do que você.
Ninguém vai sacar a piada quando você começar a responder “ 42” diante de todas as perguntas complicadas que te fizerem.
Se você disser que precisa de um acelerador de partículas a secretária realmente vai tentar pedir isso pro setor técnico e em dois meses vai aparecer um gerente na sua mesa perguntando se você tem uma marca predileta. Mas uma hora isso vai chegar em alguém com acesso ao google e você vai ter problemas.
A matemática do interesse
Dezembro 5, 2009

Uma coisa que eu sempre considerei um bocado complicado é demonstrar interesse nas pessoas da forma certa. Não, não que eu não saiba demonstrar interesse, eu acho que eu sei (não posso garantir, só acho) mas as graduações e as formas sempre foram um pouco confusas pra mim, as sutilezas sempre me passaram um pouco desapercebidas e certas nuances acabam me escapando totalmente.
Vamos por partes: ok, eu estou interessado numa garota. Não, não sei precisar ao certo quais são as minhas intenções (Casamento? Namoro? Sexo? Duas horas de Marvel Ultimate Aliance para Play2 e um aperto de mão? Dividir um pacote de Ana Maria?), mas sei que estou interessado nela devido ao meu óbvio interesse e ao fato de que…bem…estou achando ela cada vez mais interessante. E quando você está interessado e acha a pessoa interessante o normal é que você demonstre interesse. Mas quanto interesse?
Por exemplo, suponha que você demonstre interesse demais. Interesse demais é a sua forma de deixar obviamente claro que você está interessado, sem dar margem pra que a outra pessoa não entenda exatamente aonde você quer chegar. Mas aí o que acontece? Bem, em primeiro lugar você fica vulnerável, fácil. Afinal, se você está mais interessado do que a outra pessoa ela evidentemente passa a ter um certo controle sobre a situação, já que ela está menos empolgada ali do que você. Outro risco é assustar a outra pessoa, afinal, você pode estar mostrando um nível de empolgação acima do que ela considera natural ou normal e isso gerar não só o fim do interesse dela (se ela estiver interessada, o que você não tem como garantir) como também uma preocupação com a sua sanidade mental e uma ordem de restrição judicial (mas acho que isso acontece só em casos extremos e onde existe uma forte tensão “Glenn Close style”, o que realmente não tá rolando comigo, visto que eu não curto picadores de gelo). Fora que gente super-interessada é chata pra caramba e eu já consigo ser relativamente chato naturalmente. Ou seja, interesse demais realmente atrapalha.
Mas por outro lado existe o interesse de menos. Você está interessado, mas resolve pegar leve pra não parecer desesperado, não assustar a pessoa e nem precisar que seus pais levem cigarros pra você na cadeia. Uma coisa mais cool, blasé, uma abordagem mais Humprey Bogart em Casablanca. Mas se você não demonstrar uma quantidade mínima de interesse como a pessoa vai saber que o interesse existe? Afinal, você tá ali, paradão, chapéu de feltro, batendo um papo com o Sam sem nem olhar pra ela, como ela poderia adivinhar? E pronto, você perdeu por interesse de menos. Agora jogue volte duas casas e jogue o dado de novo.
E claro, vocês podem, me dizer algo como “ah, relaxe, e aja naturalmente” ou “seja você mesmo”, mas pra mim esse tipo de frase é basicamente como “ontem demorei pra dormir, tava assim, sei lá, meio passional por dentro” ou “and i know i was wrong when i said it was true, that it couldn’t be me and be her inbetween without you”, frases que eu acho legais mas cujo sentido eu admito abertamente que eu não consigo muito bem alcançar. Como assim natural? Porque pra mim é total e completamente natural achar esse tipo de questão confusa. Vamos admitir, não existe um padrão, a lógica da questão é total e puramente variável, minhas experiências prévias não me garantem nenhum tipo de amostragem razoável, eu não tenho nenhum tipo de dado realmente válido sobre a posição da outra parte e tudo que eu posso fazer é seguir meus instintos que, como bem disse o Rob Gordon, eu venho seguindo desde os 14 anos e sei que realmente não tem cérebro.
Não poderia existir, não sei, uma sistematização? Um método amplamente certificado e generalizadamente aceito de demonstração de interesse que não levasse a mal-entendidos, confusões, pessoas ficando assustadas e picadores de gelo? Real e definitivamente eu não sei. Mas enquanto eu não descubro exatamente de que forma lidar com esse meu interesse e não baixo uma versão interessante do FM para parar de pensar nisso, sinto que vou ter que lidar com isso da forma mais natural e mais “eu mesmo” que eu consigo. Ou seja, vou escrever sobre esse tipo de coisa num blog.
Top 5 – Momentos broxantes do MSN
Novembro 27, 2009
Então você conheceu uma garota e vocês ficaram. Boa, campeão, show de bola. Ou então não ficaram, mas por alguma dessas razões misteriosas ela disse que queria te conhecer melhor e, surpresa máxima, ela realmente queria e não estava dizendo aquilo apenas como um recurso pra não ter que chamar o segurança pra te bater. Trocaram telefones, ela te adicionou no orkut e, claro, rolou aquela troca básica de msns (já que ela não sabe usar o Gtalk) visando aquele papo maroto, malandro e cheio de “vcs”, “fds” e “vtnc”, em clima de total e completa azaração e peguitude (eu inventei essa palavra agora). Mas, como diriam os sábios Macacos do Ártico, “merda, choque, horror”, aquela garotinha linda, engraçada e charmosa do mundo real quando colocada diante de um teclado se transforma em uma criatura estranha, sinistra e assustadora, capaz de traumatizar usuários mais sensíveis da web e com quem você realmente só vai continuar conversando porque, tipo, deixar de falar com a menina porque ela é estranha no msn é meio gay…
O diálogo incompreensível: Você foi educado e alfabetizado em português, por ter nascido no Brasil, um dos países desse planeta que fazem uso da última flor do Lácio como língua pátria. Mas ela, ao que parece, não. Afinal, não dá pra entender nada do que ela está falando! O que você vê na tela é uma mistura de miguxês, abreviações, inglês arcaico, Klingon, ideogramas chineses e aquelas coisas que o bandido da luz vermelha dizia, tudo isso lançado sem nenhum critério perceptível e encadeado de uma forma que simplesmente escapa à sua compreensão, como bem exemplifica a clássica frase “qunnd vc tah pinsnado en vih busk cthulku hualalala dorgas ca mha irman?”.
O papo que não flui: Ela era toda animada, toda comunicativa, até aparecer no msn. Desde então ela passou a considerar que palavras são ouro e é tempo de uma forte política de retenção de custos que vai começar por você. Você puxa papo ela fica só no “oi”, você pergunta como as coisas estão e ela responde “bem”, você conversa sobre o que ela fez no dia e ela diz “nda”, você brinca que ela só usa monossílabos e ela retruca um “ok”. Aí você simplesmente desiste de puxar papo e uma semana depois ela aparece no msn e puxa papo com um “oi”, que você responde com um “oi, e aí? como estão as coisas?” e recebe em troca um “blz”. Pra algumas pessoas o msn simplesmente não funciona.
A pessoa sem senso de humor: Ok, de começo ela era meio séria. Ria pouco, tinha uma postura meio crítica com as coisas, resmungava de uma forma que você havia visto apenas quando seu avô quebrou a bacia, mas tudo bem, aquilo devia ser apenas um dia ruim, todo mundo tem alguns desses. Aí vocês foram conversar no msn e você notou que ela não ri. É, ela não ri. Não que risadas de msn sejam o ponto forte do seu dia, mas ela simplesmente é incapaz de esboçar qualquer reação ou comentário engraçado ou espirituoso, tudo com ela é sério feito a morte, os impostos e a vida pessoal da Adriane Gaslisteu. Nada de “hahaha”, “hihihihi”, “hashahsahshas”, “HuAHuaHua” ou mesmo um mísero “rs”. Ela é impermeável as suas piadas, intangível para o seu humor, inatingível para a sua espirituosidade. Em suma, ela é uma chata e você é um sem graça.
Os emoticons from hell: O emoticon, assim como o aborto, a existência de Deus, e a culpa pela morte da Gwen Stacy, é um desses assuntos que despertam paixões e opiniões fortes. Ou você ama ou você odeia os emoticons e após 10 segundos de conversa você notou que ela é uma Montecchio e você é um Capuletto. Se você prima por um diálogo limpo e os únicos emoticons do seu msn são aqueles smileys que já vieram configurados, ela parece estar escrevendo na fonte “Symbol”, já que pra toda e qualquer palavra existe uma representação gráfica colorida, saltitante e barulhenta, que transforma a sua tela em uma cartilha infantil virtual. Nunca uma mulher conseguiu te dar dor de cabeça de uma forma tão literal na sua vida. Literalmente falando.
A caixa alta: Como qualquer pessoa de bem (incluindo a Xuxa) sabe, a única pessoa que consegue parecer legal falando em caixa alta é o Sílvio Luiz e isso porque ele também é a única pessoa que consegue parecer legal narrando um jogo bêbado e comentando o preço do quilo de coxa de frango ao invés de falar do gol que acabou de acontecer. Em suma, existem coisas que apenas o Sílvio Luiz pode fazer e devemos entender e nos conformar com isso. Mas ela simplesmente é incapaz de aceitar o fato e faz com que pareça que você está no msn com sua mãe recebendo uma bronca por ter batido com o carro na cadeira de rodas da sua vó, que estava estacionada na sala.
Menção honrosa – O chat : Poucos momentos são mais enriquecedores e emocionantes na vida de um Don Juan virtual, um pegador 2.0, um Zé Mayer das interwebs, do que, assim que consegue o msn de seu alvo, ser logo no primeiro contato, lançado em um chat daqueles gigantes. Sabe aquela intimidade? Nada. Sabe aquela chance de colocar aquele papo maroto e caliente? Foi pra vala. Sabe aquela oportunidade pra elogiar engraçadinhamente (inventei essa também) a foto dela? Não vai existir. Sabe aquela deixa pra pedir pra ela fazer um strip na web-cam? Sério, cara, apenas tarados pedem isso, se acalma, campeão. Você foi lançado na vala comum dos outros 768 caras que tem o msn dela e ao invés de um papo legal visando um encontro legal e uma troca de saliva legal você conseguiu trocar impressões sobre a campanha do Vascão com pessoas que se identificam no msn como “Maitê_Patão”, “Biluzóio” e “Narega – Se Deus é por nóis quem cera contra nóis?”. Boooa, champs!
Problemas práticos do romantismo teórico – IV
Novembro 23, 2009

Em inglês se apaixonar é “fall in love”. E em francês, se eu me lembro bem das aulas, é “tombe amoureux”. As duas expressões, se traduzidas literalmente, iriam dizem quase a mesma coisa, “cair em amor” ou “cair de amor”. O que, se você pensar bem, tem uma diferença clara em relação ao nosso “se apaixonar”: em português parece que o ato é voluntário e isso me faz por alguns segundos achar que os franceses e os americanos entendem melhor o que está acontecendo nesse tipo de situação.
Estar apaixonado nunca me pareceu uma coisa muito voluntária. Não que todos nós não façamos coisas de propósito pra ficarmos meio bobos, entendendo tudo errado, nos preocupando com bobagens, rindo sem razão ou chateados sem um bom motivo, claro que fazemos isso. Mas quase sempre a razão vem em garrafas e já no rótulo sabemos a graduação alcoólica, além dos efeitos passarem na manhã seguinte deixando apenas a dor de cabeça residual, as roupas amassadas e as dúvidas sobre como chegamos em casa, porque tem batom no meu joelho e o que aquele animal empalhado está fazendo na beliche de cima. Mas estar apaixonado? Estar apaixonado é muito mais complicado e muito menos voluntário.
Primeiro porque estar apaixonado, assim como usar LSD, ou torcer pra algum time de futebol é algo que causa uma alteração grave na sua percepção da realidade, como eu já disse. Você perde noção das prioridades, começa a se preocupar com coisas meio sem sentido, acha graça em coisas que antes mereceriam de sua parte apenas um “ah, não fode” e começa a tomar diversas atitudes totalmente atípicas e bizarras sem nem ao mesmo notar. Mulheres decididas e independentes se tornam garotas que fazem beicinho, caras grossos e insensíveis se tornam moleques que brincam de “ah, desliga você, vai…”,homens sovinas acham normal pagar 150 reais por uma noite de cinema a dois e sua tia que odiava os homens solta frases como “não consigo parar de pensar naquele bigode”.
Segundo porque você não escolhe. Ok, você pode reduzir a margem, minimizar o grupo de trabalho, se focar nas opções viáveis e racionais, isso ajuda. Mas nada garante que vai funcionar. Você tenta se manter neutro, tenta ficar na sua, tenta não se comprometer, ficar solteiro e em duas semanas está namorando, em dois meses noivo, e antes que se possa dizer “vamosmarcarsuadespedidadesolteiroeroubarotigredomiketyson” você já se casou e tem um amigo cantando “You are so beautiful” durante a festa. Você se compromete com relacionamentos fáceis, lógicos, simples e sem conflitos e em breve se apaixona por uma panamenha que conheceu no “pen pal club”, cuja mão já está prometida para um chefão do narcotráfico curdo conhecido como “Harum Corta-Bagos”. Não que quando você for se apaixonar por alguém vá sempre “escolher” a pessoa mais complicada, claro que não, mas são quase nulas as chances de “escolher” a pessoa mais fácil.
E claro, existem os outros detalhes bobos como a impossibilidade matemática de ser correspondido (eu sou o único que sempre que fica interessado numa garota começa a pensar que estatisticamente existem grandes chances de que ela prefira um chinês?), a mudança na forma de aproveitar o tempo (“uau, ela me chamou pra escolher batatas com ela! ueba!”) e os efeitos devastadores que uma paixão pode ter no seu gosto musical (“cara, Bon Jovi nunca fez tanto sentido pra mim! coloca “Always” no modo repeat, faz favor?”). Em suma, vários destes pequenos fatos que realmente te fazem duvidar que alguém vá entrar numa onda dessas de propósito e ainda por cima de graça.
E eu poderia continuar este texto durante parágrafos e mais parágrafos (calma, é só uma ameaça, eu não vou realmente fazer isso) apenas citando várias razões pelas quais é totalmente irracional e logicamente absurdo que alguém se envolva, de propósito, em qualquer tipo de relacionamento amoroso e em como eu estou escrevendo esse post em homenagem a um amigo que está total e irracionalmente apaixonado e passando por um momento de total falta de lógica na vida. Mas aí eu lembro do meu histórico pessoal, da atual situação em que me encontro e do fato de que estou realmente torcendo pelo MC Leozinho na “Fazenda 2” e tudo que eu posso dizer pra um amigo que está total e irracionalmente apaixonado é…go get her, tiger. Casais são legais, eu torço por você e tomara que tudo dê certo. (E se não der certo…bem, eu vou comprar um X-Box no final desse ano, eu acho, então todo mundo estar solteiro nem é tão ruim assim.)
Santa capacidade de concentração, Batman!
Novembro 11, 2009

E eu tinha sentado na frente do computador pra terminar de escrever a segunda parte do post sobre o meu aniversário, mas depois de quinze minutos tudo que eu tinha conseguido produzir era…isso. Portanto achei melhor deixar a segunda parte pra daqui a dois dias. Até lá.

Eu não me dou bem com festas surpresa. Eu sei que é chato falar uma coisa dessas porque muita gente costuma acreditar que a festa surpresa é o supra-sumo da demonstração de afeto humano no universo conhecido(“passamos o dia todo te ignorando e minando sua já fraquejante auto-estima fingindo que não nos lembramos do único dia no ano em que você é relativamente especial, mas em compensação nos organizamos pra te dar um puta susto e fazer seu músculo cardíaco perder seis anos de vida útil. Cool, huh?”) mas eu realmente não me dou bem com o conceito da coisa. E isso acontece por várias razões.
Primeiro porque a minha personalidade e o meu temperamento não combinam com festas surpresa. Sério, eu sou um cara pessimista e para alguém pessimista poucas coisas são mais aterrorizantes do que uma surpresa. Chernobyl? Foi uma surpresa. Ascensão de Hitler ao poder? Surpresa! Desastre do Titanic? Surpresa! Eu ter sido obrigado a ver o filme Titanic? Meu Deus, quem poderia imaginar?! Ou seja, pra mim o conceito de “surpresa agradável” funciona basicamente como o conceito de “música militar”, “bom filme da Xuxa” ou “uma grande partida do Dênis Marques”: uma contradição em termos. Eu vejo pessoas saindo do escuro no meio da minha sala ou gritando comigo pelas minhas costas e vou provavelmente pensar que é uma invasão alienígena comandada por Inri Cristo visando obrigar todos a ouvir sua versão de “Just Dance” da Lady Gaga antes de achar que é uma comemoração de aniversário.
E claro,ainda tem uma coisa da qual pouca gente se toca mas que sempre passa pela minha cabeça quando me fazem uma festa assim: meus amigos e meus familiares se reuniram, pelas minhas costas, para tramar alguma coisa. Não sei vocês, mas eu acho isso perturbador! Minha mãe dando telefonemas escondida, meu irmão sumindo de casa sem explicação, meu melhor amigo fugindo de assuntos para não me dar pistas, tudo isso é meio aterrorizante, não? Fora que, ok, hoje foi uma festa, mas quem garante que amanhã não vai ser um assassinato, uma trama de extorsão, um golpe coletivo pra que eu pense que estou maluco e perca todos os meus bens?! Ok, eu exagerei, vou parar. Mas vocês entenderam como a espiral de paranóia funciona comigo.
E como se não bastasse isso ainda tem o meu histórico com esse tipo de festa. Ok, a desse ano foi legal (ainda mais porque a minha mãe me contou sobre a surpresa e eu mesmo telefonei para os meus amigos perguntando se eles não poderiam me surpreender uma hora mais tarde porque eu tinha que dar uma saída), mas as duas tentativas anteriores foram, não sei, confusas. Não que a festa que meus amigos organizaram na faculdade não tenha sido muito boa (na verdade a surpresa foi tão boa que eu achei que a festa era pra uma outra amiga minha e só fui notar que eu estava envolvido lá pelas últimas horas do evento) ou mesmo que aquela planejada pela minha ex-namorada nos tempos do colégio não tenha sido espetacular (afinal, o que pode surpreender mais um cara do que, assim que entra no próprio quarto e tira as calças, notar que as luzes se acendem e vários amigos da namorada, alguns que ele mal conhece, surgem de debaixo da cama e começam a gritar?), mas não sei, não acho que eu tenha sido capaz de pegar a graça do conceito como deveria.
Possivelmente eu sou apenas um cara resmungão e que não consegue processar bem certas manifestações de afeto um pouco mais engenhosas dos amigos (eu ainda fico perturbado quando a pessoa gasta semanas planejando uma festa pra você e te dá um par de meias, por exemplo) ou apenas uma cara resmungão e ponto, e tenho que admitir que o meu aniversário desse ano foi realmente muito bom (mas vou falar mais disso depois), mas como eu disse, não me dou bem com festas surpresas e espero que os meus aniversários continuem sendo divertidos e as pessoas continuem me avisando sobre o que querem fazer com ele. E claro, que não me surpreendam, por favor.
Top 5 – Coisas que eu não vou fazer no meu aniversário
Novembro 4, 2009

Uma tatuagem: Tatuagens são costumeiramente um sinal de rebeldia, autenticidade, capacidade de decisão, culto ao corpo ou de que você apenas bebeu demais e tem amigos sacanas. Ou seja, exceto o lance da bebida e dos amigos sacanas é algo que não tem nada, mas nada a ver comigo. Some a isso o terror patológico de agulhas (“peraí, não dá pra fazer isso com giz de cera? Hidrocor? Guache? Hein?”) e a absoluta incapacidade para tomar decisões de longo prazo (eu tenho problemas para escolher acompanhamentos no Spoletto, como posso tomar uma decisão sobre o que vai estar desenhado em mim pra vida toda?) e você vai ter uma pessoa que nunca, mas nunca vai ter uma tatuagem. E claro, ainda existem as questões de pura paranóia como “como eu vou saber se esse ideograma quer mesmo dizer felicidade e não ‘sou um podólatra comedor de polenta’?”, mas não vamos entrar nesse tipo de detalhe.
Ir numa boate de strip-tease: Não vou dizer que eu nunca tenha achado o conceito interessante, mas conforme eu fui crescendo eu acabei deixando de ver a magia inerente a uma casa de strippers. Ok, são mulheres atraentes (ou não) dançando nuas (ou não) e isso é um daqueles conceitos que, junto com batata frita e leite condensado, funciona independente de contexto, mas sempre bate aquela ponta de depressão pelo lado lamentável da situação. Afinal, no frigir dos ovos é um cara pagando para que uma mulher fique perto dele e o pior, sabendo que está pagando e que provavelmente ela só ficaria perto dele se ele realmente pagasse. Triste. E como se não bastasse isso, uma lata de coca-cola custa dez reais.
Juntar meus amigos num bar, ficar bêbado, cantar a garçonete até que ela me passe o telefone dela e no dia seguinte estar tão sem graça com a atitude da véspera que não tenho coragem de telefonar: Bah, já fiz isso ano passado e não vou repetir a programação. Eu superei essa fase. Fora que depois de ver pessoas se dando mal com argumentos bem mais fortes como “o prédio está pegando fogo e nós todos vamos morrer, quer ficar comigo?” e “tenho mais 72 horas de vida, você podia me dar um beijo?” eu comecei a achar que “oi, sabia que hoje é meu aniversário?” não é um começo de conversa que vá me levar a algum lugar interessante.
Fazer um programa de pai e filho: Por alguma razão estranha que eu nunca vou conseguir compreender, o meu pai acha que o meu aniversário é no dia 9 e não no dia 7, e isso desde que eu era garoto, o que faz com que ele sempre me dê os parabéns por volta do dia 12 ou 15 (meu pai acha que é dia 9 mas se esquece mesmo assim) e eu receba um presente por volta do dia 10 de dezembro (quando ele acha que é o aniversário do meu irmão, que na verdade acontece no dia 7 de dezembro) . Com isso eu desconfio que um almoço de pai e filho entre eu e ele para comemorar meu aniversário iria acontecer ali por volta de meados de agosto de 2010, quando eu possivelmente já teria morrido de fome ou gasto 5000 reais em couvert.
Ir a uma sessão de “Homem-Aranha – Ação e aventura”: Sim, eu realmente pensei nisso, sério. Eu sei, eu sei, é pra crianças, eu sei, é uma peça musical com pessoas presas em cordas e eu sei, eu teria que ir sozinho e provavelmente contratar o filho pequeno de alguém para que eu usasse como pretexto. Mas pô, é o Homema-Aranha, cara! E eles prometem ação e aventura! Como isso poderia ser ruim?
Top 5 – Grupos de pagode que não deram tão certo assim
Outubro 31, 2009

Só preto sem preconceito: Primeiro grupo montado por cotas na história da música brasileira (com 100% de cotas para negros) e cujo nome é uma contradição em termos (“sério, não temos preconceito. Mas pode sair daqui, branquelo maldito!”), o Só Preto sem Preconceito era dono de sucessos com títulos tão variados como “Não tão menos semelhante” e “Patinete do Morro”, além de ter sido colocado nessa lista só porque eu achava que eram eles que cantavam “Lá vem o Negão”, mas depois eu pesquisei no Google e vi que não era. Mas me deu preguiça de tirar os caras. Grande presença.
Só no Sapatinho : Eu sinceramente nunca entendi porque o SnS não fez mais sucesso, afinal um grupo de pagode com o filho do Zico é uma idéia tão boa quanto, sei lá, chamar o sobrinho do Zeca Pagodinho pra ser cobrador de faltas oficial do seu time. Humm…ok, talvez dê pra entender porque o grupo não fez tanto sucesso. Donos de um único hit, a música homônima (não, a música não se chama “Homônima”, ela tem apenas o mesmo nome do grupo), o SnS sempre será lembrado por ter composto um dos versos mais “dorgas mano, lol raiaiaia” do pagode nacional,daqueles que você não sabe se são sobre uma mulher ou uma pedra de crack (“vagabundo tá na rua da amargura/anda cheio de fissura/mas sou eu que vou levar”)e, para alguns mais atentos, por ter feito uma das melhores metáforas para contato íntimo que a música brasileira pode oferecer (“deixa eu por a mão no seu bichinho de pelúcia, deixa, deixa?”)
Nabusanfa: Bem, o que mais a gente precisa dizer sobre o grupo Nabusanfa além de que ele se chamava Nabusanfa? Se você ainda precisar de mais eu posso oferecer o refrão do grande (e possivelmente único) sucesso do grupo, a música “Mulher de Borracha”: “mulher de borracha/você se encaixa tão bem/não me esculacha/não fica de chico/e não pega neném”. Sim, é um pagode sobre uma boneca inflável, você não está viajando nessa.
Kiloucura: Único grupo de pagode que também poderia funcionar como restaurante self-service, o Kiloucura imortalizou seu lugar no pagode nacional com o sucesso “Pela vida inteira” e sua semi-coreografia/dancinha esquisita (“e as estrelas lá do céu/eu vou buscar/beijos com sabor de mel/eu vou te dar) e…e…bem…e depois não aconteceu muita coisa. Mas soube que o cardápio de hoje inclui picadinho e o quilo está 18,90 ou então é dez reais sem balança.
Ronaldo e os Barcellos: Autores da única música capaz de dividir com “Temporal” do Art Popular o título de pagode mais derrota da década de 90, Ronaldo e seus Barcellos (existe outro Barcelo além do Caco?) conseguiram marcar uma geração (ou um pouco menos) com seu clássico “Feliz Aniversário”, que contava a história de um cara que telefonava para ex-namorada no dia do aniversário dela para ficar se lamentando ao telefone e fazer algumas ameaças meio esquizofrênicas (“talvez à meia-noite eu ligue pra você/talvez não diga nada pra quem atender/talvez mande um presente pra você saber/que eu nunca te esqueci”) . Provavelmente Ronaldo está atualmente em tratamento e os Barcellos seguiram carreira solo ou estão junto com a Rapaziada que cantava com a Adriana.

