Você quer se casar comigo?
Dezembro 16, 2009

E lá fui eu pra festa de formatura de um amigo meu. Evento militar, todo mundo fardado, pompa, cerimônia e uma baiana servindo acarajé frio na entrada (eu sei, essa última parte não faz muito sentido, mas discuta isso com a organização do evento, não comigo). E eis que no meio do baile, durante aquela fase dos discursos em que basicamente ninguém presta atenção direito porque está tentando conseguir o whisky que vai manter a pessoa animada até o final da noite, um cara sobe no palco e pede uma das formandas em casamento. Mas ele não apenas sobe, puxa ela pra um canto e faz o pedido no palco. Não, nada disso (mesmo porque isso não faria absolutamente sentido nenhum, certo?). O cara sobe ao palco, pede o microfone, faz um discurso e, de joelhos, pede a menina em casamento diante de, sei lá, cerca de 400, 500 pessoas. A menina que estava ao meu lado começa a chorar copiosamente (no começo eu achei que ela fosse namorada do cara do palco, só depois entendi que era emoção mesmo) e mesmo eu, esse cara frio e insensível que trocou o coração por dois pacotes de figurinhas da Copa de 94, fico emocionado. Porque, ok, admito, pedidos públicos de casamento mexem comigo.
Primeiro pela idéia do casamento em si. Eu respeito demais o conceito de achar alguém de quem você realmente goste e que te faça feliz e tomar a decisão de assumir um compromisso com essa pessoa, respeito mesmo. Claro, admito que um casamento, assim como um pônei em casa, é algo que pode parecer um sonho infantil de menininha, deve ser bem complicado de manter e eu dificilmente vou conseguir ter um dia, mas eu sinceramente acho a idéia do casamento, o conceito em si, muito bonito.
E depois vem a parte do pedido público. Eu sei, é uma dessas coisas que caminham naquela linha tênue entre o brega, o vexatório e o sem-noção, mas eu respeito demais pessoas capazes de expressar seus sentimentos de forma pública sem medo da vergonha, do fracasso e da total e degradante rejeição que podem disso decorrer. Você está ali, ajoelhado, na frente da mulher que você ama, com centenas de pessoas ao seu redor e você pergunta se ela quer viver a vida dela junto contigo pra sempre. Sério, eu jamais seria capaz de fazer uma coisa dessas. E se ela disser não? Porque bem, existem milhares de razões pra dizer não. Eu gostaria de pensar que essas coisas devem ser combinadas antes (“eu vou perguntar e você vai dizer sim, ok? ok? ok?!”), mas parece tudo tão espontâneo! E se ela decidir repensar o relacionamento na hora? E se ela decidir que ainda não está pronta? E se ela decidir dizer não just for the lulz ? E se ela não entender e você tiver que repetir de forma constrangida? Sério, são muitas as possibilidades de erro e pra um cara feito eu que fica sem graça de pedir que o pessoal do Macdonalds retire o picles do Big Mac essa coisa de pedir alguém em casamento em público é algo de impressionantemente corajoso e romântico. Parabéns e um forte abraço a todos os envolvidos, sério.
Finalizando o assunto: a garota aceitou o pedido e, emocionada, trocou juras de amor com o cara no meio do palco, para delírio da platéia e felicidade de todos que gostam de soltar uma boa frase feita como “o amor venceu” e “sempre choro em casamentos”. E eu, claro acabei soltando um comentário desagradável pra garota que estava chorando perto de mim (acho que eu disse que esperava que ela um dia recebesse um pedido desse tipo, desde que não fosse significar a total e completa desidratação do corpo dela. Sim, eu digo essas coisas idiotas e quase sempre é totalmente sem querer)
A matemática do interesse
Dezembro 5, 2009

Uma coisa que eu sempre considerei um bocado complicado é demonstrar interesse nas pessoas da forma certa. Não, não que eu não saiba demonstrar interesse, eu acho que eu sei (não posso garantir, só acho) mas as graduações e as formas sempre foram um pouco confusas pra mim, as sutilezas sempre me passaram um pouco desapercebidas e certas nuances acabam me escapando totalmente.
Vamos por partes: ok, eu estou interessado numa garota. Não, não sei precisar ao certo quais são as minhas intenções (Casamento? Namoro? Sexo? Duas horas de Marvel Ultimate Aliance para Play2 e um aperto de mão? Dividir um pacote de Ana Maria?), mas sei que estou interessado nela devido ao meu óbvio interesse e ao fato de que…bem…estou achando ela cada vez mais interessante. E quando você está interessado e acha a pessoa interessante o normal é que você demonstre interesse. Mas quanto interesse?
Por exemplo, suponha que você demonstre interesse demais. Interesse demais é a sua forma de deixar obviamente claro que você está interessado, sem dar margem pra que a outra pessoa não entenda exatamente aonde você quer chegar. Mas aí o que acontece? Bem, em primeiro lugar você fica vulnerável, fácil. Afinal, se você está mais interessado do que a outra pessoa ela evidentemente passa a ter um certo controle sobre a situação, já que ela está menos empolgada ali do que você. Outro risco é assustar a outra pessoa, afinal, você pode estar mostrando um nível de empolgação acima do que ela considera natural ou normal e isso gerar não só o fim do interesse dela (se ela estiver interessada, o que você não tem como garantir) como também uma preocupação com a sua sanidade mental e uma ordem de restrição judicial (mas acho que isso acontece só em casos extremos e onde existe uma forte tensão “Glenn Close style”, o que realmente não tá rolando comigo, visto que eu não curto picadores de gelo). Fora que gente super-interessada é chata pra caramba e eu já consigo ser relativamente chato naturalmente. Ou seja, interesse demais realmente atrapalha.
Mas por outro lado existe o interesse de menos. Você está interessado, mas resolve pegar leve pra não parecer desesperado, não assustar a pessoa e nem precisar que seus pais levem cigarros pra você na cadeia. Uma coisa mais cool, blasé, uma abordagem mais Humprey Bogart em Casablanca. Mas se você não demonstrar uma quantidade mínima de interesse como a pessoa vai saber que o interesse existe? Afinal, você tá ali, paradão, chapéu de feltro, batendo um papo com o Sam sem nem olhar pra ela, como ela poderia adivinhar? E pronto, você perdeu por interesse de menos. Agora jogue volte duas casas e jogue o dado de novo.
E claro, vocês podem, me dizer algo como “ah, relaxe, e aja naturalmente” ou “seja você mesmo”, mas pra mim esse tipo de frase é basicamente como “ontem demorei pra dormir, tava assim, sei lá, meio passional por dentro” ou “and i know i was wrong when i said it was true, that it couldn’t be me and be her inbetween without you”, frases que eu acho legais mas cujo sentido eu admito abertamente que eu não consigo muito bem alcançar. Como assim natural? Porque pra mim é total e completamente natural achar esse tipo de questão confusa. Vamos admitir, não existe um padrão, a lógica da questão é total e puramente variável, minhas experiências prévias não me garantem nenhum tipo de amostragem razoável, eu não tenho nenhum tipo de dado realmente válido sobre a posição da outra parte e tudo que eu posso fazer é seguir meus instintos que, como bem disse o Rob Gordon, eu venho seguindo desde os 14 anos e sei que realmente não tem cérebro.
Não poderia existir, não sei, uma sistematização? Um método amplamente certificado e generalizadamente aceito de demonstração de interesse que não levasse a mal-entendidos, confusões, pessoas ficando assustadas e picadores de gelo? Real e definitivamente eu não sei. Mas enquanto eu não descubro exatamente de que forma lidar com esse meu interesse e não baixo uma versão interessante do FM para parar de pensar nisso, sinto que vou ter que lidar com isso da forma mais natural e mais “eu mesmo” que eu consigo. Ou seja, vou escrever sobre esse tipo de coisa num blog.
Top 5 – Profissões para enriquecer facilmente o seu currículo
Dezembro 2, 2009

E então você se formou. Diplominha na mão, altas expectativas, muita felicidade, papai e mamãe orgulhosos, titio e titia exultantes, vovó alegre e vovô resmungando porque acha que comunicação é curso de veado e você deveria ter feito engenharia civil. Mas aí você chega no mercado de trabalho e descobre que o mundo é dos profissionais multi-função. Gente que pinta, borda, dança, sapateia, lava, passa e ainda faz alguma outra coisa que exige nível superior antes de dar banho nas crianças. Gente multifuncional da HP diante de quem você não passa de uma impressora matricial movida à lenha. Afinal,veja como vários exemplos de pessoas ferradamente bem-sucedidas envolvem alguém que exerce múltiplas e variadas funções: a) Roberto Justus (publicitário, apresentador,cantor); b) Eri Johnson (ator, jogador de futevôlei, amigo do Romário); c) Junior Lima (cantor, ator, namorado de ex-VJ da MTV). Sim, amigo, não dá pra ter sucesso sabendo fazer apenas uma coisa ou tendo apenas uma profissão, a não ser que essa coisa que você sabe fazer seja namorar a Suzana Vieira. E é visando enriquecer esse seu currículozinho miserável que eu trago cinco sugestões de profissões viáveis e interessantes para te ajudar na conquista de poder, dinheiro, sucesso e se possível um emprego.
DJ: Como qualquer pessoa bem-informada sabe, sempre existiu um grande preconceito em relação ao trabalho do DJ. Muitas pessoas durante muitas décadas consideravam que o trabalho do DJ era apenas dar o play numas músicas, levar uma mala de fitas e arranhar alguns vinis sem necessidade enquanto ficava se mostrando pras gatinhas, o que é uma visão totalmente errada. Afinal, atualmente todos nós sabemos que dá pra levar tudo em um pen-drive e DJs gostam muito mais de garotos do que de garotas. Então é óbvio que mesmo você que não sabe nada de música pode fazer uma playlist qualquer e começar a tocar em algum inferninho. Se você ainda tem alguma dúvida sobre sua capacidade de ganhar um troco como DJ faça como os americanos e se pergunte: “O que Jesus faria?”
Ator: Atuar é algo complicado, que exige estudo, dedicação, preparação e talento natural, além de concentração e sensibilidade. Mas atuar na Record ou fazer Malhação não. Faça um cursinho qualquer na faculdade, entre naquele grupo de teatro da sua rua que vem tentando há seis meses sem sucesso encenar a piada do “não, nem eu”, peça para aquele seu amigo que desde 2002 escreve poesias pra namorada que fugiu pra te escrever um monólogo e se jogue de cabeça na carreira de ator. Afinal, se “Caminhos da Vida” já está na sexta continuação quem garante que o próximo mutante com poder estranho ou o amigo com “La tourette” do mocinho da próxima temporada de Malhação não pode ser você?
Comediante stand up: Uma tendência que você deve ter notado depois da ascensão do Barack Obama e do CQC é que todo mundo passou a querer ser negro e fazer comédia stand-up, com maior ou menor sucesso. Mas como fazer stand-up é mais fácil e não faz com que os seguranças te sigam em lojas de eletrônicos, a arte do humor de pé foi se vulgarizando ao ponto de que qualquer pessoa que se ache engraçada e consiga ficar em pé se considere um humorista de stand-up e vá fazer um show em algum bar onde você pacificamente tentava beber uma cerveja. E bem, se você não pode vencê-los junte-se a eles! Reúna todas aquelas piadas de pontinho, todos aqueles chistes do tipo “sua mãe é tão gorda que…”, invente um personagem estereotipado legal e mãos à obra, meu amigo! Vai que é tua e quando chegar no Zorra Total me convida pra escrever um quadro estrelando o Agildo Ribeiro.
Modelo: Num mundo distante, muito tempo atrás, modelos eram pessoas com uma beleza acima da nossa, caras com um físico hercúleo, traços que lembravam uma estátua grega e que namoravam com outros caras de físico hercúleo e traços que lembravam uma estátua grega. Mas claro, sinal, dos tempos, isso mudou e hoje qualquer moleque magrelo com um cabelo que fizer com que você ache que ele é gay pode ser considerado modelo! Sim, é fácil, é simples, é prático como cozinhar com George Foreman Master Grill! Perca peso, deixe sua tia cortar seu cabelo e pronto, o mundo é seu, bonitão!
Jornalista: Bem, não precisa de diploma… Ok, paga mal, mas por que não?

O que você faz: sabe cozinhar
Porque ela acha que você faz: porque você é um cara sensível, você gosta de atividades manuais, e você, por conta de alguma idéia machista que ela tem na cabeça de que apenas mulheres cozinham, é um cara ligado aos aspectos femininos da sua personalidade. Cozinhando você mostra que sabe cuidar de si mesmo, que se interessa por outros assuntos e hobbys que não apenas o seu trabalho e que tem sensibilidade para tentar atrair mulheres.
Porque você realmente faz: porque durante a sua adolescência a sua mãe trabalhava até muito tarde e você tinha que fazer seu jantar e na faculdade você era tão quebrado que copiava receitas daquele “alimente-se bem com 1 real” da TV Futura.
O que você faz: sempre deixa que ela escolha pra onde vocês vão quando saem
Porque ela acha que você faz: porque você respeita e confia na opinião dela, além de realmente se divertir com todas as idéias que ela dá. Vocês são duas pessoas com gostos e hábitos parecidos, praticamente duas almas gêmeas e são afinidades como essas que vão manter os dois juntos e ajudar a construir um longo relacionamento.
Porque você realmente faz: porque você acabou de chegar na cidade e não conhece absolutamente nada, além de ter um baita pânico de se perder. Fora que você não tem saco pra discussões sobre a escolha do lugar
O que você faz: sempre a chama para dormir na sua casa
Porque ela acha que você faz: porque você quer oferecer a ela intimidade. Chamando-a pra passar mais tempo na sua casa você faz com que ela se sinta parte da sua vida, conheça mais detalhes sobre você e saiba como você se porta no seu próprio ambiente. Ela pode assim conhecer seus livros, seus discos, seus gostos, seus hábitos. Você quer que ela realmente se torne parte do que você vive e não apenas quando vocês saem.
Porque você realmente faz: porque na casa dela não tem ar-condicionado
O que você faz: leva a irmã menor dela no cinema
Porque ela acha que você faz: porque você é um cara adorável. Você brinca com crianças, você adora animais e você encontrou na intimidade com a pequena irmã dela uma forma de se tornar mais próximo não só da sua amada como de toda a família, além de ir se preparando para, quem sabe, um dia ser o pai dos filhos dela.
Porque você realmente faz: porque você adora desenhos animados e fica sem graça de ir sozinho. Fora que a garota te dá um bom pretexto pra comer algodão doce, um outro troço que você acha foda mas sente vergonha de comprar sozinho.
O que você faz: continua amigo da família dela mesmo após o final do namoro.
Porque ela acha que você faz: porque você é um cara realmente legal e mesmo depois do final traumático do namoro de vocês dois (você flagrou ela com o professor de pilates fazendo algo que você teve que pesquisar durante dois dias no google pra confirmar que era mesmo sexo) decidiu manter o contato com ela e a família, visto que é uma pessoa legal e evoluída, um ex-namorado e bom amigo com quem ela com certeza pode contar para toda a vida.
Porque você realmente faz: porque o irmão dela copia jogos de Play 2 pra você, o pai dela tem aquela cerveja belga cara pra caramba que você adora e a mãe dela faz o melhor bife de panela do universo. Fora que você quer estar por perto pra poder dizer na cara dela quando ela for traída algo como “bem feito, sua vaca”.

Eu não me dou bem com festas surpresa. Eu sei que é chato falar uma coisa dessas porque muita gente costuma acreditar que a festa surpresa é o supra-sumo da demonstração de afeto humano no universo conhecido(“passamos o dia todo te ignorando e minando sua já fraquejante auto-estima fingindo que não nos lembramos do único dia no ano em que você é relativamente especial, mas em compensação nos organizamos pra te dar um puta susto e fazer seu músculo cardíaco perder seis anos de vida útil. Cool, huh?”) mas eu realmente não me dou bem com o conceito da coisa. E isso acontece por várias razões.
Primeiro porque a minha personalidade e o meu temperamento não combinam com festas surpresa. Sério, eu sou um cara pessimista e para alguém pessimista poucas coisas são mais aterrorizantes do que uma surpresa. Chernobyl? Foi uma surpresa. Ascensão de Hitler ao poder? Surpresa! Desastre do Titanic? Surpresa! Eu ter sido obrigado a ver o filme Titanic? Meu Deus, quem poderia imaginar?! Ou seja, pra mim o conceito de “surpresa agradável” funciona basicamente como o conceito de “música militar”, “bom filme da Xuxa” ou “uma grande partida do Dênis Marques”: uma contradição em termos. Eu vejo pessoas saindo do escuro no meio da minha sala ou gritando comigo pelas minhas costas e vou provavelmente pensar que é uma invasão alienígena comandada por Inri Cristo visando obrigar todos a ouvir sua versão de “Just Dance” da Lady Gaga antes de achar que é uma comemoração de aniversário.
E claro,ainda tem uma coisa da qual pouca gente se toca mas que sempre passa pela minha cabeça quando me fazem uma festa assim: meus amigos e meus familiares se reuniram, pelas minhas costas, para tramar alguma coisa. Não sei vocês, mas eu acho isso perturbador! Minha mãe dando telefonemas escondida, meu irmão sumindo de casa sem explicação, meu melhor amigo fugindo de assuntos para não me dar pistas, tudo isso é meio aterrorizante, não? Fora que, ok, hoje foi uma festa, mas quem garante que amanhã não vai ser um assassinato, uma trama de extorsão, um golpe coletivo pra que eu pense que estou maluco e perca todos os meus bens?! Ok, eu exagerei, vou parar. Mas vocês entenderam como a espiral de paranóia funciona comigo.
E como se não bastasse isso ainda tem o meu histórico com esse tipo de festa. Ok, a desse ano foi legal (ainda mais porque a minha mãe me contou sobre a surpresa e eu mesmo telefonei para os meus amigos perguntando se eles não poderiam me surpreender uma hora mais tarde porque eu tinha que dar uma saída), mas as duas tentativas anteriores foram, não sei, confusas. Não que a festa que meus amigos organizaram na faculdade não tenha sido muito boa (na verdade a surpresa foi tão boa que eu achei que a festa era pra uma outra amiga minha e só fui notar que eu estava envolvido lá pelas últimas horas do evento) ou mesmo que aquela planejada pela minha ex-namorada nos tempos do colégio não tenha sido espetacular (afinal, o que pode surpreender mais um cara do que, assim que entra no próprio quarto e tira as calças, notar que as luzes se acendem e vários amigos da namorada, alguns que ele mal conhece, surgem de debaixo da cama e começam a gritar?), mas não sei, não acho que eu tenha sido capaz de pegar a graça do conceito como deveria.
Possivelmente eu sou apenas um cara resmungão e que não consegue processar bem certas manifestações de afeto um pouco mais engenhosas dos amigos (eu ainda fico perturbado quando a pessoa gasta semanas planejando uma festa pra você e te dá um par de meias, por exemplo) ou apenas uma cara resmungão e ponto, e tenho que admitir que o meu aniversário desse ano foi realmente muito bom (mas vou falar mais disso depois), mas como eu disse, não me dou bem com festas surpresas e espero que os meus aniversários continuem sendo divertidos e as pessoas continuem me avisando sobre o que querem fazer com ele. E claro, que não me surpreendam, por favor.
Top 5 – Grupos de pagode que não deram tão certo assim
Outubro 31, 2009

Só preto sem preconceito: Primeiro grupo montado por cotas na história da música brasileira (com 100% de cotas para negros) e cujo nome é uma contradição em termos (“sério, não temos preconceito. Mas pode sair daqui, branquelo maldito!”), o Só Preto sem Preconceito era dono de sucessos com títulos tão variados como “Não tão menos semelhante” e “Patinete do Morro”, além de ter sido colocado nessa lista só porque eu achava que eram eles que cantavam “Lá vem o Negão”, mas depois eu pesquisei no Google e vi que não era. Mas me deu preguiça de tirar os caras. Grande presença.
Só no Sapatinho : Eu sinceramente nunca entendi porque o SnS não fez mais sucesso, afinal um grupo de pagode com o filho do Zico é uma idéia tão boa quanto, sei lá, chamar o sobrinho do Zeca Pagodinho pra ser cobrador de faltas oficial do seu time. Humm…ok, talvez dê pra entender porque o grupo não fez tanto sucesso. Donos de um único hit, a música homônima (não, a música não se chama “Homônima”, ela tem apenas o mesmo nome do grupo), o SnS sempre será lembrado por ter composto um dos versos mais “dorgas mano, lol raiaiaia” do pagode nacional,daqueles que você não sabe se são sobre uma mulher ou uma pedra de crack (“vagabundo tá na rua da amargura/anda cheio de fissura/mas sou eu que vou levar”)e, para alguns mais atentos, por ter feito uma das melhores metáforas para contato íntimo que a música brasileira pode oferecer (“deixa eu por a mão no seu bichinho de pelúcia, deixa, deixa?”)
Nabusanfa: Bem, o que mais a gente precisa dizer sobre o grupo Nabusanfa além de que ele se chamava Nabusanfa? Se você ainda precisar de mais eu posso oferecer o refrão do grande (e possivelmente único) sucesso do grupo, a música “Mulher de Borracha”: “mulher de borracha/você se encaixa tão bem/não me esculacha/não fica de chico/e não pega neném”. Sim, é um pagode sobre uma boneca inflável, você não está viajando nessa.
Kiloucura: Único grupo de pagode que também poderia funcionar como restaurante self-service, o Kiloucura imortalizou seu lugar no pagode nacional com o sucesso “Pela vida inteira” e sua semi-coreografia/dancinha esquisita (“e as estrelas lá do céu/eu vou buscar/beijos com sabor de mel/eu vou te dar) e…e…bem…e depois não aconteceu muita coisa. Mas soube que o cardápio de hoje inclui picadinho e o quilo está 18,90 ou então é dez reais sem balança.
Ronaldo e os Barcellos: Autores da única música capaz de dividir com “Temporal” do Art Popular o título de pagode mais derrota da década de 90, Ronaldo e seus Barcellos (existe outro Barcelo além do Caco?) conseguiram marcar uma geração (ou um pouco menos) com seu clássico “Feliz Aniversário”, que contava a história de um cara que telefonava para ex-namorada no dia do aniversário dela para ficar se lamentando ao telefone e fazer algumas ameaças meio esquizofrênicas (“talvez à meia-noite eu ligue pra você/talvez não diga nada pra quem atender/talvez mande um presente pra você saber/que eu nunca te esqueci”) . Provavelmente Ronaldo está atualmente em tratamento e os Barcellos seguiram carreira solo ou estão junto com a Rapaziada que cantava com a Adriana.

Os anúncios pessoais do Orkut: Acho que nada, nem mesmo a possibilidade de bloquear as fotos, censurar scraps ou mesmo os intrigantes buddy pokes fez mais pela bizarrilização do Orkut do que a oportunidade recentemente oferecida aos usuários de colocar anúncios pessoais no canto direito da tela. Pensando com um técnico inglês da Google é claro que a idéia parece boa: vamos viabilizar para os usuários a possibilidade de divulgação e inserção de anúncios e eventos, tudo isso de forma ágil, prática e sem custos. Pensando como um usuário brasileiro do Orkut fica óbvio que qualquer coisa que for oferecida de forma fácil e sem custos vai resultar em pessoas sem muita coisa para fazer utilizando esse recurso para o mal. Daí para aquela imagem de um pé sujo com a legenda “saca soh q verrugaum!” no alto da sua tela é apenas um pulo.
O serviço de aviso de ligações perdidas via SMS: Poucas coisas são mais úteis para um usuário de telefone celular do que um serviço que o avise, via mensagem, das tentativas de chamada que ele não pôde atender enquanto estava com o telefone desligado ou fora de área. Sensacional, não? Boooa sacada! Mas a TIM achou que era pouco. Afinal, porque se limitar a informar apenas as chamadas perdidas quando o telefone não está disponível? Por que não (e nisso mora o brilhantismo da idéia) fazer isso com todas, hein? E desse conceito brilhante nasceu o fato de que meu telefone passa o dia inteiro ligado e dentro de área, mas sem tocar, até as 02:00 da manhã, quando sou inundado por uma série de mensagens registrando todas as chamadas que eu deveria ter recebido durante o dia se a TIM tivesse deixado. “TIM: telefonia celular para você que quer se desligar do mundo.”
O Gazzag: O Gazzag (atualmente reformulado e rebatizado como Octopop) foi o pioneiro de uma nova experiência na Web 2.0, as redes anti-sociais. Você se lembra de quantos convites para o Gazzag você recebeu? E se lembra de como você ignorou todos ou então fez um perfil e depois nunca mais entrou? Então, essa é a síntese do Gazzag, o fato de que eu não estou lá, você não está lá, seus amigos não estão lá, seus pais não estão lá, seus vizinhos não estão lá, a galera da facu/academia/futiba não está lá. Ou seja, sem quem for que estiver lá tem total e completa privacidade para fazer o que quiser. Pode colocar foto pelado, pode revelar segredos escusos na descrição do perfil, em suma, lá a pessoa pode realmente aproveitar a sensação de, mesmo dentro de uma rede social, se sentir tão solitário quanto o Will Smith em “Eu sou a lenda”, podendo inclusive falar sozinho ou coisas do tipo. “Gazzag: porque eu não gosto de vocês.”
Os status “ocupado”, “invisível” e “ausente” do MSN: Talvez ainda seja muito cedo para esse tipo de análise, mas pra mim é óbvia a relação entre o crescimento econômico do país nos últimos anos e o surgimento do MSN e de sua opção “ocupado”. Afinal, não sei se você concorda comigo, mas nunca nossos amigos e contatos fizeram tantas coisas. Quantas pessoas que você conhece não passam o dia inteiro, senão semanas ou meses ocupados? Sim, eles estão no messenger mas também estão construindo pontes, curando doenças, alimentando crianças na África e tentando achar uma fórmula que defina os números primos. E não tem hora nem lugar, as pessoas estão realmente ocupadas de manhã, de noite, de madrugada, aos sábados, domingos, segundas, o tempo todo. E ainda dizem que o jovem de hoje não tem nada pra fazer…(Já o status “invisível” serve basicamente para evitar pessoas; e o “ausente” serve para pessoas que, assim como eu, tem vergonha de mentir sobre estarem fazendo alguma coisa mas também não querem falar com todo mundo)
(E esse final de semana além do post tradicional aqui no Just Wrapped também temos uma participação minha no “Segunda a Sexta” como autor convidado, com um conto chamado “Horóscopo”. Para ler clique aqui. Ah, e obrigado Tiana pelo convite, pela boa vontade e pela carona aquele dia no vôlei. Valeu)
Mais pequenas grandes lições de convivência corporativa
Outubro 21, 2009

Quanto mais vezes você encontra com uma pessoa durante o dia mais complicado vai ser saber como cumprimentar essa pessoa. Por exemplo, se da primeira vez você conseguir um jovial “bom dia”, da segunda um “oi”, da terceira um “opa” e da quarta apenas uma troca constrangida de olhares, na quinta você já vai desviar o olhar e na sexta vai começar a procurar outra rota para a copa apenas por que não sabe o que dizer.
Se por algum acaso você estiver no banheiro no exato instante em que seu chefe está saindo de uma das cabines sanitárias tente evitar qualquer tipo de comentário espirituoso. O futuro e o fracasso profissional podem estar a apenas um “baita barrão esse, hein, chefia?” ou “e aí, castigando a porcelana?” de distância.
Não aproveite os aniversários das colegas de trabalho atraentes para dar longos, apertados e demorados abraços nelas, as pessoas notam. Ou aproveite, caso você não se importe com as pessoas notando e conheça a galera do RH.
Não tire uma foto sua com a máquina de café e coloque no seu Orkut. Não vai passar a imagem de seriedade e ambição profissional que você gostaria que as pessoas tivessem.
Quando começar qualquer tipo de processo de seleção para estagiários é importante acima de tudo tentar interagir com o processo de forma lisa e ponderada. Ou seja, tente não babar e esfregar as mãos enquanto está dizendo que vai exigir currículo com foto e que meninas ruivas entre 18 e 21 anos tem preferência.
Não, não vão incluir seu diploma de cultivo de bonsai no sistema do RH. E ainda vão rir de você, os sacanas.
Você só vai notar como as notícias correm rápido no seu setor quando você chegar as 08:00 e alguém te der os pêsames mas só as 09:30 sua mãe te ligar pra contar que aquele seu tio do interior do Mato Grosso morreu.
Quando você aparecer no trabalho numa segunda-feira de manhã gripado, com a cara amassada e os olhos vermelhos todo mundo vai pensar que você está de ressaca. E quando você aparecer numa sexta-feira de ressaca, com a cara amassada e os olhos vermelhos todo mundo vai ter certeza.
Ninguém vai apoiar a sua idéia de um grupo de trabalho para discutir a proporção correta de chocolate e café no capuccino da máquina do corredor.
Pelo menos uma vez por mês você vai ganhar um esporro por algo que não tem nada a ver contigo e ser parabenizado por alguma coisa com a qual você evidentemente não tem nenhuma ligação (exemplos clássicos: “João, como assim as tomadas dos computadores não são mais azuis? Quem te mandou trocar ?!” e “João, ótima a sua decisão quanto à compra dos labradores na fazenda do gerente da filial nordeste”)
Adendos ao pequeno dicionário pessoal de sensações esquisitas
Outubro 19, 2009

Cena 1
Você vê no orkut o perfil de uma garota que você conheceu e ela parece sensacional. As comunidades certas, o senso de humor, a cultura geral, quadrinhos, filmes, bandas, tudo onde você gostaria que estivesse. Ela também é bastante atraente ou então tem uma enorme capacidade para manipular fotos no photoshop, o que, ok, não é a mesma coisa, mas é uma qualidade a se respeitar. E você fica durante uns dez minutos pensando que ela é o tipo de garota com quem realmente seria interessante ficar, exceto pelo fato de que ela mora, não sei, em Tegucigalpa e provavelmente tem um namorado chamado Bruce Leroy que é versado em alguma arte marcial legal e é pastor de lhamas part-time. Ou nessa parte você está apenas viajando, é possível, você faz essas coisas. Aí você interrompe esse pensamento e sai com seus amigos para uma festa onde você conversa durante meia hora com uma garota que comenta contigo que odeia filme legendado porque não gosta de ler e as letrinhas dão preguiça. E você pensa se não existe algum tipo de descompasso entre certos aspectos chave da sua vida. Mas aí começam os shots de tequila e bem, você sabe como essas coisas são.
Cena 2
Você está em casa e um amigo diz que tem uma idéia “show de bola” pra uma “balada”. Você, mesmo não gostando da palavra “balada”, porque te faz pensar numa noite inteira ouvindo canções lentas da Joni Mitchell, topa e vai, junto com outros amigos, depois de ouvir meia hora de conversa sobre como é perto, divertido, bem freqüentado e interessante. Dentro do táxi, lá pela hora em que o taxímetro marcava uns dezoito reais, as palavras utilizadas para descrever o lugar passam a ser “alternativo”, “hypado” e “aconchegante”. Quando o taxímetro está em vinte e poucos reais você começa a desconfiar que ou o lugar é longe ou o taxista não sabe como chegar, ou mesmo as duas coisas, como você passou a imaginar depois que ele tentou soltar você e seus amigos na frente de uma boate gay alegando que lá era o lugar que vocês tinham pedido. E por fim vocês chegam, em uma rua esquisita, vazia, distante de tudo, diante de um prédio antigo com aparência de abandonado. Ao lado dele um botequim onde um velho usando um tapa-olho e uma camisa da campanha do Collor toma cachaça no gargalo enquanto faz carinho em um cão aparentemente morto. Do outro lado da pista um carro destruído, provavelmente incendiado. O único som na rua é o dos passos de um grupo de rapazes de boné com camisas de cantores de hip-hop, que parecem estar rodeando os seus colegas, já que vão e voltam toda hora. Você começa a reparar nas pessoas que estão entrando na “balada” e em cinco minutos conta três anões, um cara com uma espada, dois homens levando um grande saco plástico preto de conteúdo duvidoso e uma mulher sendo empurrada numa cadeira de rodas, desacordada. Você olha para a rua e nota que o último táxi que passou por lá foi o seu e por sinal o motorista parecia bem preocupado, tanto que arrancou muito rápido com o carro e tinha até proposto que vocês não abrissem a porta e sim saíssem pulando pela janela pra que ele não precisasse parar. Você se vira para a funcionária da entrada e pergunta quanto é pra entrar, ao que ela responde, coçando a barba com o ganho que tem no lugar da mão, que é dez reais, mas só vão abrir em meia hora e você vai ter que esperar na rua até lá.
Em algum lugar da sua cabeça um dos seus neurônios respira fundo e diz para si mesmo “éééééééé…”