
O que você faz: sabe cozinhar
Porque ela acha que você faz: porque você é um cara sensível, você gosta de atividades manuais, e você, por conta de alguma idéia machista que ela tem na cabeça de que apenas mulheres cozinham, é um cara ligado aos aspectos femininos da sua personalidade. Cozinhando você mostra que sabe cuidar de si mesmo, que se interessa por outros assuntos e hobbys que não apenas o seu trabalho e que tem sensibilidade para tentar atrair mulheres.
Porque você realmente faz: porque durante a sua adolescência a sua mãe trabalhava até muito tarde e você tinha que fazer seu jantar e na faculdade você era tão quebrado que copiava receitas daquele “alimente-se bem com 1 real” da TV Futura.
O que você faz: sempre deixa que ela escolha pra onde vocês vão quando saem
Porque ela acha que você faz: porque você respeita e confia na opinião dela, além de realmente se divertir com todas as idéias que ela dá. Vocês são duas pessoas com gostos e hábitos parecidos, praticamente duas almas gêmeas e são afinidades como essas que vão manter os dois juntos e ajudar a construir um longo relacionamento.
Porque você realmente faz: porque você acabou de chegar na cidade e não conhece absolutamente nada, além de ter um baita pânico de se perder. Fora que você não tem saco pra discussões sobre a escolha do lugar
O que você faz: sempre a chama para dormir na sua casa
Porque ela acha que você faz: porque você quer oferecer a ela intimidade. Chamando-a pra passar mais tempo na sua casa você faz com que ela se sinta parte da sua vida, conheça mais detalhes sobre você e saiba como você se porta no seu próprio ambiente. Ela pode assim conhecer seus livros, seus discos, seus gostos, seus hábitos. Você quer que ela realmente se torne parte do que você vive e não apenas quando vocês saem.
Porque você realmente faz: porque na casa dela não tem ar-condicionado
O que você faz: leva a irmã menor dela no cinema
Porque ela acha que você faz: porque você é um cara adorável. Você brinca com crianças, você adora animais e você encontrou na intimidade com a pequena irmã dela uma forma de se tornar mais próximo não só da sua amada como de toda a família, além de ir se preparando para, quem sabe, um dia ser o pai dos filhos dela.
Porque você realmente faz: porque você adora desenhos animados e fica sem graça de ir sozinho. Fora que a garota te dá um bom pretexto pra comer algodão doce, um outro troço que você acha foda mas sente vergonha de comprar sozinho.
O que você faz: continua amigo da família dela mesmo após o final do namoro.
Porque ela acha que você faz: porque você é um cara realmente legal e mesmo depois do final traumático do namoro de vocês dois (você flagrou ela com o professor de pilates fazendo algo que você teve que pesquisar durante dois dias no google pra confirmar que era mesmo sexo) decidiu manter o contato com ela e a família, visto que é uma pessoa legal e evoluída, um ex-namorado e bom amigo com quem ela com certeza pode contar para toda a vida.
Porque você realmente faz: porque o irmão dela copia jogos de Play 2 pra você, o pai dela tem aquela cerveja belga cara pra caramba que você adora e a mãe dela faz o melhor bife de panela do universo. Fora que você quer estar por perto pra poder dizer na cara dela quando ela for traída algo como “bem feito, sua vaca”.
Top 5 – Momentos broxantes do MSN
Novembro 27, 2009
Então você conheceu uma garota e vocês ficaram. Boa, campeão, show de bola. Ou então não ficaram, mas por alguma dessas razões misteriosas ela disse que queria te conhecer melhor e, surpresa máxima, ela realmente queria e não estava dizendo aquilo apenas como um recurso pra não ter que chamar o segurança pra te bater. Trocaram telefones, ela te adicionou no orkut e, claro, rolou aquela troca básica de msns (já que ela não sabe usar o Gtalk) visando aquele papo maroto, malandro e cheio de “vcs”, “fds” e “vtnc”, em clima de total e completa azaração e peguitude (eu inventei essa palavra agora). Mas, como diriam os sábios Macacos do Ártico, “merda, choque, horror”, aquela garotinha linda, engraçada e charmosa do mundo real quando colocada diante de um teclado se transforma em uma criatura estranha, sinistra e assustadora, capaz de traumatizar usuários mais sensíveis da web e com quem você realmente só vai continuar conversando porque, tipo, deixar de falar com a menina porque ela é estranha no msn é meio gay…
O diálogo incompreensível: Você foi educado e alfabetizado em português, por ter nascido no Brasil, um dos países desse planeta que fazem uso da última flor do Lácio como língua pátria. Mas ela, ao que parece, não. Afinal, não dá pra entender nada do que ela está falando! O que você vê na tela é uma mistura de miguxês, abreviações, inglês arcaico, Klingon, ideogramas chineses e aquelas coisas que o bandido da luz vermelha dizia, tudo isso lançado sem nenhum critério perceptível e encadeado de uma forma que simplesmente escapa à sua compreensão, como bem exemplifica a clássica frase “qunnd vc tah pinsnado en vih busk cthulku hualalala dorgas ca mha irman?”.
O papo que não flui: Ela era toda animada, toda comunicativa, até aparecer no msn. Desde então ela passou a considerar que palavras são ouro e é tempo de uma forte política de retenção de custos que vai começar por você. Você puxa papo ela fica só no “oi”, você pergunta como as coisas estão e ela responde “bem”, você conversa sobre o que ela fez no dia e ela diz “nda”, você brinca que ela só usa monossílabos e ela retruca um “ok”. Aí você simplesmente desiste de puxar papo e uma semana depois ela aparece no msn e puxa papo com um “oi”, que você responde com um “oi, e aí? como estão as coisas?” e recebe em troca um “blz”. Pra algumas pessoas o msn simplesmente não funciona.
A pessoa sem senso de humor: Ok, de começo ela era meio séria. Ria pouco, tinha uma postura meio crítica com as coisas, resmungava de uma forma que você havia visto apenas quando seu avô quebrou a bacia, mas tudo bem, aquilo devia ser apenas um dia ruim, todo mundo tem alguns desses. Aí vocês foram conversar no msn e você notou que ela não ri. É, ela não ri. Não que risadas de msn sejam o ponto forte do seu dia, mas ela simplesmente é incapaz de esboçar qualquer reação ou comentário engraçado ou espirituoso, tudo com ela é sério feito a morte, os impostos e a vida pessoal da Adriane Gaslisteu. Nada de “hahaha”, “hihihihi”, “hashahsahshas”, “HuAHuaHua” ou mesmo um mísero “rs”. Ela é impermeável as suas piadas, intangível para o seu humor, inatingível para a sua espirituosidade. Em suma, ela é uma chata e você é um sem graça.
Os emoticons from hell: O emoticon, assim como o aborto, a existência de Deus, e a culpa pela morte da Gwen Stacy, é um desses assuntos que despertam paixões e opiniões fortes. Ou você ama ou você odeia os emoticons e após 10 segundos de conversa você notou que ela é uma Montecchio e você é um Capuletto. Se você prima por um diálogo limpo e os únicos emoticons do seu msn são aqueles smileys que já vieram configurados, ela parece estar escrevendo na fonte “Symbol”, já que pra toda e qualquer palavra existe uma representação gráfica colorida, saltitante e barulhenta, que transforma a sua tela em uma cartilha infantil virtual. Nunca uma mulher conseguiu te dar dor de cabeça de uma forma tão literal na sua vida. Literalmente falando.
A caixa alta: Como qualquer pessoa de bem (incluindo a Xuxa) sabe, a única pessoa que consegue parecer legal falando em caixa alta é o Sílvio Luiz e isso porque ele também é a única pessoa que consegue parecer legal narrando um jogo bêbado e comentando o preço do quilo de coxa de frango ao invés de falar do gol que acabou de acontecer. Em suma, existem coisas que apenas o Sílvio Luiz pode fazer e devemos entender e nos conformar com isso. Mas ela simplesmente é incapaz de aceitar o fato e faz com que pareça que você está no msn com sua mãe recebendo uma bronca por ter batido com o carro na cadeira de rodas da sua vó, que estava estacionada na sala.
Menção honrosa – O chat : Poucos momentos são mais enriquecedores e emocionantes na vida de um Don Juan virtual, um pegador 2.0, um Zé Mayer das interwebs, do que, assim que consegue o msn de seu alvo, ser logo no primeiro contato, lançado em um chat daqueles gigantes. Sabe aquela intimidade? Nada. Sabe aquela chance de colocar aquele papo maroto e caliente? Foi pra vala. Sabe aquela oportunidade pra elogiar engraçadinhamente (inventei essa também) a foto dela? Não vai existir. Sabe aquela deixa pra pedir pra ela fazer um strip na web-cam? Sério, cara, apenas tarados pedem isso, se acalma, campeão. Você foi lançado na vala comum dos outros 768 caras que tem o msn dela e ao invés de um papo legal visando um encontro legal e uma troca de saliva legal você conseguiu trocar impressões sobre a campanha do Vascão com pessoas que se identificam no msn como “Maitê_Patão”, “Biluzóio” e “Narega – Se Deus é por nóis quem cera contra nóis?”. Boooa, champs!
Farrazine, Daniela, o circo e um livro que ficou pronto
Novembro 25, 2009

- Saiu o Farrazine #14 comemorando os dois anos dessa publicação que mudou os rumos do jornalismo cultural, do entrenimento virtual, dos quadrinhos brasileiros e da culinária canibal como nós a conhecemos. Nesta edição teremos “O mundo de Beakman”, entrevistas, tiras, Star Wars e Milo Manara. E eu, claro ,contribuí com um texto bem pessoal sobre o Weezer e o outro (nem tão pessoal assim, eu acho) sobre o Capitão Marvel. Baixem e se divirtam. Ou apenas baixem. Ou apenas se divirtam. O que eu quero é ver vocês felizes e tal. Para baixar clique aqui.
- Comecei a escrever para o blog um belo conto chamado “Daniela e o Circo”, mas ele fugiu ao controle e ficou grande demais para postar por aqui, então resolvi testar um novo formato e fazer um pequeno e-book pra que quem tivesse interesse pudesse baixar e ler com mais tranquilidade. Quem quiser conhecer essa pequena peça de lirismo circense pode clicar aqui e fazer o download.
- Demorou mas eu terminei meu livro de contos. Claro, ainda vou fazer um longo e emocionado post sobre o assunto, mas já posso informar que são cerca de 90 páginas em formato ofício e que vou registrar o livro na Biblioteca Nacional na próxima semana, o que deve permitir que ele chegue até vocês, meus fiéis leitores, nos próximos quinze dias. Com isso vocês terão o prazer de passar o natal lendo o meu primeiro livro de contos entre uma rabanada e uma coxa de peru. Mas eu recomendo que você evitem isso porque provavelmente vai emporcalhar tudo de gordura e ficar aquela zona.
Problemas práticos do romantismo teórico – IV
Novembro 23, 2009

Em inglês se apaixonar é “fall in love”. E em francês, se eu me lembro bem das aulas, é “tombe amoureux”. As duas expressões, se traduzidas literalmente, iriam dizem quase a mesma coisa, “cair em amor” ou “cair de amor”. O que, se você pensar bem, tem uma diferença clara em relação ao nosso “se apaixonar”: em português parece que o ato é voluntário e isso me faz por alguns segundos achar que os franceses e os americanos entendem melhor o que está acontecendo nesse tipo de situação.
Estar apaixonado nunca me pareceu uma coisa muito voluntária. Não que todos nós não façamos coisas de propósito pra ficarmos meio bobos, entendendo tudo errado, nos preocupando com bobagens, rindo sem razão ou chateados sem um bom motivo, claro que fazemos isso. Mas quase sempre a razão vem em garrafas e já no rótulo sabemos a graduação alcoólica, além dos efeitos passarem na manhã seguinte deixando apenas a dor de cabeça residual, as roupas amassadas e as dúvidas sobre como chegamos em casa, porque tem batom no meu joelho e o que aquele animal empalhado está fazendo na beliche de cima. Mas estar apaixonado? Estar apaixonado é muito mais complicado e muito menos voluntário.
Primeiro porque estar apaixonado, assim como usar LSD, ou torcer pra algum time de futebol é algo que causa uma alteração grave na sua percepção da realidade, como eu já disse. Você perde noção das prioridades, começa a se preocupar com coisas meio sem sentido, acha graça em coisas que antes mereceriam de sua parte apenas um “ah, não fode” e começa a tomar diversas atitudes totalmente atípicas e bizarras sem nem ao mesmo notar. Mulheres decididas e independentes se tornam garotas que fazem beicinho, caras grossos e insensíveis se tornam moleques que brincam de “ah, desliga você, vai…”,homens sovinas acham normal pagar 150 reais por uma noite de cinema a dois e sua tia que odiava os homens solta frases como “não consigo parar de pensar naquele bigode”.
Segundo porque você não escolhe. Ok, você pode reduzir a margem, minimizar o grupo de trabalho, se focar nas opções viáveis e racionais, isso ajuda. Mas nada garante que vai funcionar. Você tenta se manter neutro, tenta ficar na sua, tenta não se comprometer, ficar solteiro e em duas semanas está namorando, em dois meses noivo, e antes que se possa dizer “vamosmarcarsuadespedidadesolteiroeroubarotigredomiketyson” você já se casou e tem um amigo cantando “You are so beautiful” durante a festa. Você se compromete com relacionamentos fáceis, lógicos, simples e sem conflitos e em breve se apaixona por uma panamenha que conheceu no “pen pal club”, cuja mão já está prometida para um chefão do narcotráfico curdo conhecido como “Harum Corta-Bagos”. Não que quando você for se apaixonar por alguém vá sempre “escolher” a pessoa mais complicada, claro que não, mas são quase nulas as chances de “escolher” a pessoa mais fácil.
E claro, existem os outros detalhes bobos como a impossibilidade matemática de ser correspondido (eu sou o único que sempre que fica interessado numa garota começa a pensar que estatisticamente existem grandes chances de que ela prefira um chinês?), a mudança na forma de aproveitar o tempo (“uau, ela me chamou pra escolher batatas com ela! ueba!”) e os efeitos devastadores que uma paixão pode ter no seu gosto musical (“cara, Bon Jovi nunca fez tanto sentido pra mim! coloca “Always” no modo repeat, faz favor?”). Em suma, vários destes pequenos fatos que realmente te fazem duvidar que alguém vá entrar numa onda dessas de propósito e ainda por cima de graça.
E eu poderia continuar este texto durante parágrafos e mais parágrafos (calma, é só uma ameaça, eu não vou realmente fazer isso) apenas citando várias razões pelas quais é totalmente irracional e logicamente absurdo que alguém se envolva, de propósito, em qualquer tipo de relacionamento amoroso e em como eu estou escrevendo esse post em homenagem a um amigo que está total e irracionalmente apaixonado e passando por um momento de total falta de lógica na vida. Mas aí eu lembro do meu histórico pessoal, da atual situação em que me encontro e do fato de que estou realmente torcendo pelo MC Leozinho na “Fazenda 2” e tudo que eu posso dizer pra um amigo que está total e irracionalmente apaixonado é…go get her, tiger. Casais são legais, eu torço por você e tomara que tudo dê certo. (E se não der certo…bem, eu vou comprar um X-Box no final desse ano, eu acho, então todo mundo estar solteiro nem é tão ruim assim.)

Geisygate: Achei no mínimo impressionante a ascensão meteórica da garota que quase foi estuprada na Uniban. Tudo começa com uma situação bizarra sendo promovida ao nível de ato de barbárie (eu moro no Rio, se eu for tentar estuprar toda menina de roupa curta que passar perto de mim que horário eu vou ter pra trabalhar, ver um filme, dormir, acessar a internet? Sério, isso não viável, galera…). Depois começa o debate inflamado em que todo mundo quer aparecer porque é raro uma situação em que esteja tão claro quem está errado e seja tão fácil descer a lenha. Aí o pessoal da Veja começa a criticar a barbárie e você já começa a desconfiar que a barbárie não pode ser tão ruim assim, mas afasta esses pensamentos estranhos da sua cabeça. E então ao invés de um debate nacional ou de um chamado à consciência sobre o porque de termos chegado nesse nível de insanidade coletiva ou porque os nossos universitários pararam de dar dicas no Show do Milhão e começaram a tentar fazer sexo não-consensual com as nossas universitárias nós ganhamos mais uma celebridade instantânea. Porque Geisy já apareceu no Superpop, vai aparecer no Casseta e Planeta e está assinando contrato pra posar nua. E assim…sou só eu ou ela é…tipo…totalmente não-atraente?
Visita da Madonna: Pra mim ela é apenas a ex-mulher mala do Guy Ritchie, que é um cineasta legalzão. Então ainda que eu goste da versão do Richard Cheese pra “Material Girl” e “Like a Virgin” e possa passar um mês apenas fazendo trocadilhos sobre Jesus, eu acho que não dei a mínima pro assunto.
Reta final do campeonato brasileiro: Acho que exceto pelo Flamengo ter chegado até as rodadas finais com chances de título não aconteceu nada que os bons analistas esportivos não tivessem previsto. O São Paulo é o time de melhor estrutura do país e pode colocar até cães dançarinos em campo que briga pelo título, o Palmeiras é um time horrendo com dois ou três bons jogadores e um técnico engraçado, o Inter tinha o Tite e o Atlético tinha o Celso Roth e o Goiás era o Goiás, fazer o que? Os destaques do campeonato ficam sendo então Petkovic, por ter a idade do meu pai e correr mais do que eu, e Cuca, por me fazer torcer pra que o Fluminense fique na série A apenas pra não ver aquela carinha triste.
A Fazenda 2: Como já disse, acho que deveríamos simplesmente encerrar o programa e transformar em dois meses de entrevistas do Britto Jr. com o MC Leozinho, o cara que misturou funk e violão. Não tem como superar isso. Se qualquer outra pessoa ganhar a competição é injustiça pura e simples.
Filme da Bruna Surfistinha: Não vou ver o filme (o pessoal da Band sabe que eu já curti muito um pornô softcore, mas a fase passou faz uns 10 anos), mas valeu meu domingo a Deborah Secco entrevistando a Bruna Surfistinha e perguntando se ela já sofreu preconceito por ter feito programa. Não, claro que não, quem sofre preconceito por ter feito programa é o Otaviano Costa que apresentava o O+ e o Ferrugem, que trabalhou com o João Gordo na MTV.
Music Review #2
Novembro 18, 2009

Weezer – Raditude
Cotação: Inaplicável
Bem, como eu sempre disse pra quem quisesse ouvir e nunca fiz questão de esconder, existem algumas definições bem claras na minha vida de quais são as minhas verdades imutáveis, eternas e que nunca irão nem passar perto de mudar. São coisas que me acompanham desde sempre e formam os cinco vértices da minha definição de quem eu sou. E uma dessas pontas é a certeza de que a melhor banda do universo se chama Weezer.
Por isso eu gostaria de deixar claro, assim como fiz na resenha de “Zack and Miri make a porno” que a avaliação feita aqui foge totalmente de qualquer critério racional ou analítico no sentido estrito da palavra e que a imparcialidade passou longe sem deixar recado ou mesmo uma mensagem offline no MSN. Ou seja, perguntar se esse cd é ruim é basicamente como perguntar se minha mãe é feia ou meu pai usa calcinha: não vai levar à nada além de brigas ou a algum tipo de diálogo constrangedor entre eu e meu pai. Dito isso vamos em frente analisando o disco faixa à faixa.
“Raditude” abre com “(If You’re Wondering If I Want You To) I Want You To”, primeiro single do disco e que até já tem clipe nas interwebs. É um pop rock “weezer style”, daqueles pra tocar em rádio e fazer a galerinha cantar junto em ritmo de azaração e descontração total. Na sequência vem “I’m your daddy”, outra canção que já nasce clássica, falando sobre aquele climinha de “vou conhecer a garota da minha vida nessa pista de dança”, o que seria realmente possível se alguém aqui soubesse dançar. Aí entra a faixa 3, “The girl got hot”, mais uma daquelas músicas que te fazem pensar que Rivers Cuomo anda saindo muito, provavelmente mais do que você e isso é preocupante. Então vem “Can’t Stop Partying” e você tem certeza que realmente alguém anda se divertindo e saindo com companhias erradas, fora que existe o choque de saber que Lil’ Wayne não é o filho do Batman, como você tinha pensado, e sim um rapper. E assim termina o que eu chamo de lado “solteirão nerd pegador” do CD, perfeito pra ouvir enquanto você se arruma pra sair numa sexta à noite ou enquanto você se arruma pra ficar em casa numa sexta à noite.
Na faixa 5 o Weezer traz à tona seu repertório de canções um pouco mais sentimentais, com “Put Me Back Together”, já citada aqui no blog como representante das súplicas de retorno de ex-namorada (além de uma das melhores do CD), algo parecido com a intenção de “Trippin’ Down the Freeway”, bem mais animadinha e um pouco mais preventiva: ao invés de pedir pra você voltar eu não vou deixar você terminar. “Love Is the Answer” é a prova de que até mesmo o Weezer pode errar e de que nada é tão complicado que uma cítara mal colocada não possa complicar mais, por isso pode ser legal pular para “Let It All Hang Out”, uma música de sábado à noite bem melhor do que qualquer coisa que o Black Eyed Peas jamais possa conseguir fazer, cheia de energia, vida, coragem, alegria e outras coisas que você teria que beber para conseguir. Na versão normal o disco iria então continuar com “In the mall”, um rock simples e sem grandes pretensões fechando com “”I Don’t Want to Let You Go”, a balada final do disco, outra bela canção sobre o porque de não ser legal você me chutar ainda mais agora…
Mas claro, existe a versão Deluxe, e nela existem mais 4 músicas: “Get me some”, uma das mais pesadas do disco, com os “instrumentos moendo” e uma letra que, vá lá, é rebelde sem deixar sua mãe preocupada; “Run Over by a Truck”, que te faz assobiar no metrô e ficar estalando os dedos; “The Prettiest Girl in the Whole Wide World”, uma música lentinha que já tinha saído no segundo disco solo do Rivers e “The Underdogs” , provavelmente o mais próximo de um “We’re the world” que o Weezer algum dia vai chegar.
Numa análise geral a banda basicamente oferece mais do mesmo com algumas boas variações, o que vai ser muito interessante se você for fã e não vai te impressionar taaaanto assim se você não for. Muito da vibração adolescente dos discos antigos e que estava ausente no “Red Album” retorna, assim como uma certa vocação para o pop rock com mais cara de “música pra tocar na rádio” (se as rádios fossem legais, coisa que não são). E não se deixe assustar por participações de rappers ou pelo cachorro na capa (mas tipo, se você se assustar com o cachorro você é meio hiper-sensível, eu acho): é apenas o bom e velho Weezer de sempre. E cara, é bom saber que algumas coisas não mudam tanto assim nesse mundo estranho, frio e cruel que existe aí fora.
Top 5 – Músicas pra pedir pra ex voltar
Novembro 16, 2009

Weezer – Put me back together: Da mesma escola de músicas como “Valerie” do The Zutons e “Volta pra casa” do Yahoo, “Not getting better” joga em um esquema clássico do pedido de retorno no namoro: o argumento de que você precisa dela e com ela sua vida é bem melhor. Sem ela você se veste mal, não acorda na hora certa, não chega no trabalho, perde o ônibus, é criticado em casa, não consegue sintonizar a TV, seu time perde todos os jogos, seu cabelo pára de crescer, seu pai engorda, seu cachorro faz greve de fome, sua mãe não acerta o tempero, a vida perde o sentido, o sol para de brilhar e a Heloísa Perisse ganhou programa próprio. Ou seja, o universo se tornou uma merda e ela precisa voltar logo antes que a entropia e as humoristas sem graça dominem o mundo. Bem, se funcionar é ótimo, porque você conseguiu convencer a garota, mas se não funcionar e isso tudo for mesmo verdade…bem…aí você está fodido.
The Police – I can’t stand losing you: Bem, você tentou argumentar, disse que ela faz falta, disse que ela é especial, disse que ela é a mulher da sua vida, e ela não ouviu. Agora você decidiu dizer que vai se matar se ela não voltar e ela que se prepare pra viver com essa culpa na consciência. Admito, é a típica atitude covarde e desesperada do cara que fura a bola quando está perdendo o jogo e rouba nas trocas quando brinca de War, mas pelo menos você tem um projeto. E ninguém disse nada sobre o seu projeto não poder envolver covardia e chantagem emocional, disse?
Jackson Five – I want you back: Ela pode resistir a você pedindo pra voltar. Ela pode resistir a você dizendo que vai melhorar. Ela pode não dar a mínima pro seu sofrimento, pra sua dor, pra sua tristeza. Ela pode rir do seu choro, das suas ameaças de suicídio, da sua cabeça enfiada dentro do forno elétrico (porque, tipo, é engraçado, sabe? não tem gás ali, cara!). Mas ela nada, sim, eu digo, nada, poderá fazer diante do Michael Jackson criança, ainda negro, de black power e usando uma roupa colorida, pedindo que ela dê mais uma chance porque você vai mostrar pra ela o amor que ela quer se ela te deixar voltar pro coração dela. Seria desumano se ela fizesse isso, cara.
Elvis – Are you lonesome tonight: Uma coisa que todos nós tempos que aprender é que neste mundo existem três jeitos de fazer as coisas: o jeito certo, o jeito errado e o jeito do Elvis. Elvis não chora, Elvis não suplica, Elvis não pede perdão, Elvis não dá pinta de quem passou a noite toda chorando sozinho enquanto olhava álbuns de fotos e assistia “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” pela sexta vez. Elvis sabe que se o relacionamento terminou quem perdeu foi ela, que se você está sozinho o mundo das mulheres solteiras sorri, que toda e qualquer garota se rasgaria por um cara feito você. Mas mesmo assim Elvis, cara boa praça que é, aceita dar mais uma (e apenas uma) chance pra que ela reconsidere, sabendo que ela está sozinha, carente, largada e que ele foi o ponto alto da vida dela, depois do qual virá apenas o vazio, a depressão e caras com cabelo menos bonito. É assim que Elvis resolve essas coisas.
Take That – Back for good: Você não entendeu direito porque terminou. Ela estava chorando, falando enrolado, parecia meio bêbada e as coisas que você conseguiu pescar serviam tanto pra justificar um final de namoro, um discurso de despedida do futebol ou uma declaração de guerra no oriente médio. Mas você imagina que a culpa deva ser sua e portanto você deva pedir desculpas já que não quer terminar (além de não querer começar uma guerra no oriente médio). E existe algum pedido de desculpas mais genérico do que “o que quer que eu tenha dito, o que quer que eu tenha feito, não foi de propósito”? É aquela coisa, seja qual for o problema foi sem querer e eu vou resolver, mas se você puder falar de uma forma menos confusa vai facilitar um bocado pra mim.
Menções honrosas
Waguinho – A mina de fé: É impossível falar de músicas sobre retorno de namoro sem citar essa pérola do “você não sabe o que tem até perder” cometida pelo sempre sensacional Waguinho, homem por trás do mega-sucesso “Tô dentro, tô fora” dos Morenos. Não só toda a letra é permeada por um genuíno terror em relação a perda (“eu era feliz sem saber e isso me revolta”) como é impossível não notar que Waguinho realmente mudou sua postura de vida e agora não leva mais aquela vida de dissipação e degradação moral de antigamente (“eu aprendi, não vale nada, noite, farra, madrugada”). Ou seja, mais do que uma canção é o retrato de uma mudança de vida em letra e música. Tocante.
Molejo – Voltei: Pra que se fazer de vítima depois do fim? Afinal, se você tinha problemas, que forma melhor de atrair a mulher amada de volta do que corrigindo suas atitudes, mudando sua postura, buscando se adequar aos elevados padrões que ela estipulou para um parceiro ideal? E é isso que Anderson Leonardo nos ensina. Abandone o cigarro, comece a malhar, pare de freqüentar a zona da sua cidade, acorde cedo, se comporte bem, seja um ser humano melhor! E se ela não voltar? Bem, aí você volta a fazer aquelas merdas todas de novo, é claro.
Sobre o meu aniversário (2 de 2) : E sempre teremos Paris…
Novembro 13, 2009

Seria meio idiota dizer aqui que 2009 tem sido um ano bom. Afinal, se vocês lêem o blog acabam sabendo de praticamente tudo que acontece na minha vida, de uma forma ou de outra (por sinal, eu vou sim lavar meu tênis azul, não me apressem) e provavelmente já sabem muito bem que esse ano vem superando todas as expectativas que eu tinha pra ele (que eram basicamente o não retorno de “Sob nova direção” e “A diarista” e não morrer). A temporada 2009 (sim, eu penso na minha vida em termos de temporadas como se ela fosse um seriado ou uma liga americana de hóquei. sério. eu tenho até programação mid-season) tem sido divertida, interessante, estimulante e diferente. Mudei de cidade, de emprego, de ritmo de vida, de nome (vocês não sabem, mas agora me chamo §). Conheci muita gente nova e legal e tentei não perder contato com as pessoas legais de antigamente. Tivemos aventura, romance (ok, pouco, mas tivemos), comédia, drama, tiros, explosões (eu moro no Rio, então…), invasões alienígenas, animais que jogam basquete e gorilas albinos que falam sem mexer os lábios, ou seja, tudo que um bom ano precisa ter. Ainda que o lance dos gorilas seja meio perturbador, não sei se vocês concordam.
E claro, tenho que ressaltar que tive o melhor aniversário dos últimos vários anos. Não vou entrar em muitos detalhes (mesmo porque eu não lembro exatamente de todos os detalhes) e nem vou citar todos os nomes das pessoas responsáveis (porque se eu fizesse isso iria parecer que eu estou saindo de um Big Brother – “Yuri, Ju, Natália, Kassie,Rafa, Bruno, Juliana, mãe, pai, tá todo mundo aqui! Bial! Bial!”), mas quero dizer que foi ótimo. A festa na sexta com muita cerveja e a presença de quase todo o pessoal aqui do Rio (nunca pensei que fosse ter tanta gente comigo numa mesa sem estar sofrendo uma cirurgia) foi algo entre o épico e o lendário, com destaque para a tequileira que tentou me agredir quando me serviu (mas acho que isso é parte do trabalho dela, ainda que ela parecesse estar se divertindo demais) e com a única menção negativa de que o ar-condicionado só começou a funcionar por volta das duas da manhã, quando eu já havia perdido metade dos líquidos do meu corpo.
Já no sábado teve a já citada festa-surpresa-sem-exatamente-nenhuma-surpresa-mas-que-me-surpreendeu-mesmo-assim em casa, seguida de barzinho e logo depois fomos para um show de uma banda cover do Los Hermanos. Sim, eu sei, banda cover de Los Hermanos no dia do seu aniversário é como ver “O Iluminado” antes de sair de férias, ver “A Profecia” antes de adotar uma criança ou ver aqueles vídeos sobre DST antes da sua primeira vez. Mas foi legal e a banda que tocou depois deles mandou Hash Pipe no bis final o que fez com que pela primeira vez em 15 anos os meus gritos bizarros de “toca Weezer” tivessem sido respondidos. Ou seja, foi um dia de aniversário sensacional, espetacular e mágico. Tipo, já disse que tocaram Hash Pipe? Sim, porque, tipo, tocaram Hash Pipe, cara! Sim, Hash Pipe! Hash “fucking” Pipe!
E ainda que demonstrar emoção (assim como andar de bicicleta, comer comidas com molho sem sujar a mesa e escolher roupas) não seja meu forte, eu queria agradecer a todo mundo por esse final de semana e por esse ano como um todo. Aos velhos amigos, aos amigos novos, aos velhos novos amigos, aos novos amigos que já estão ficando velhos, aos velhos amigos que não estão ficando mais novos e que eu acho que deveriam começar a se preocupar seriamente com problemas como a queda de cabelo e a osteoporose, aos novos amigos que eu chamo de “velho” e aos velhos amigos que estão namorando com meninas 8 anos mais novas. Vocês (tanto os presenciais quanto os não-presenciais) são os melhores amigos que um cara pode ter caso ele não possa fazer parte do Rat Pack e nem possa andar com os caras do Weezer pra cima e pra baixo.
E mesmo que o ano que vem não seja tão legal quanto esse (admitamos, é uma competição difícil), saibam que eu sempre vou ter as lembranças disso. É, pessoal, sempre teremos Paris, sempre teremos a tequileira, as risadas, o barzinho, o show e essas duas noites, ainda que eu espero que consertem o ar-condicionado logo. E claro, sempre teremos Hash Pipe. Porque, eu não sei se eu já disse, tocaram Hash Pipe no sábado, sabiam? Sério, cara, Hash Pipe!
Santa capacidade de concentração, Batman!
Novembro 11, 2009

E eu tinha sentado na frente do computador pra terminar de escrever a segunda parte do post sobre o meu aniversário, mas depois de quinze minutos tudo que eu tinha conseguido produzir era…isso. Portanto achei melhor deixar a segunda parte pra daqui a dois dias. Até lá.

Eu não me dou bem com festas surpresa. Eu sei que é chato falar uma coisa dessas porque muita gente costuma acreditar que a festa surpresa é o supra-sumo da demonstração de afeto humano no universo conhecido(“passamos o dia todo te ignorando e minando sua já fraquejante auto-estima fingindo que não nos lembramos do único dia no ano em que você é relativamente especial, mas em compensação nos organizamos pra te dar um puta susto e fazer seu músculo cardíaco perder seis anos de vida útil. Cool, huh?”) mas eu realmente não me dou bem com o conceito da coisa. E isso acontece por várias razões.
Primeiro porque a minha personalidade e o meu temperamento não combinam com festas surpresa. Sério, eu sou um cara pessimista e para alguém pessimista poucas coisas são mais aterrorizantes do que uma surpresa. Chernobyl? Foi uma surpresa. Ascensão de Hitler ao poder? Surpresa! Desastre do Titanic? Surpresa! Eu ter sido obrigado a ver o filme Titanic? Meu Deus, quem poderia imaginar?! Ou seja, pra mim o conceito de “surpresa agradável” funciona basicamente como o conceito de “música militar”, “bom filme da Xuxa” ou “uma grande partida do Dênis Marques”: uma contradição em termos. Eu vejo pessoas saindo do escuro no meio da minha sala ou gritando comigo pelas minhas costas e vou provavelmente pensar que é uma invasão alienígena comandada por Inri Cristo visando obrigar todos a ouvir sua versão de “Just Dance” da Lady Gaga antes de achar que é uma comemoração de aniversário.
E claro,ainda tem uma coisa da qual pouca gente se toca mas que sempre passa pela minha cabeça quando me fazem uma festa assim: meus amigos e meus familiares se reuniram, pelas minhas costas, para tramar alguma coisa. Não sei vocês, mas eu acho isso perturbador! Minha mãe dando telefonemas escondida, meu irmão sumindo de casa sem explicação, meu melhor amigo fugindo de assuntos para não me dar pistas, tudo isso é meio aterrorizante, não? Fora que, ok, hoje foi uma festa, mas quem garante que amanhã não vai ser um assassinato, uma trama de extorsão, um golpe coletivo pra que eu pense que estou maluco e perca todos os meus bens?! Ok, eu exagerei, vou parar. Mas vocês entenderam como a espiral de paranóia funciona comigo.
E como se não bastasse isso ainda tem o meu histórico com esse tipo de festa. Ok, a desse ano foi legal (ainda mais porque a minha mãe me contou sobre a surpresa e eu mesmo telefonei para os meus amigos perguntando se eles não poderiam me surpreender uma hora mais tarde porque eu tinha que dar uma saída), mas as duas tentativas anteriores foram, não sei, confusas. Não que a festa que meus amigos organizaram na faculdade não tenha sido muito boa (na verdade a surpresa foi tão boa que eu achei que a festa era pra uma outra amiga minha e só fui notar que eu estava envolvido lá pelas últimas horas do evento) ou mesmo que aquela planejada pela minha ex-namorada nos tempos do colégio não tenha sido espetacular (afinal, o que pode surpreender mais um cara do que, assim que entra no próprio quarto e tira as calças, notar que as luzes se acendem e vários amigos da namorada, alguns que ele mal conhece, surgem de debaixo da cama e começam a gritar?), mas não sei, não acho que eu tenha sido capaz de pegar a graça do conceito como deveria.
Possivelmente eu sou apenas um cara resmungão e que não consegue processar bem certas manifestações de afeto um pouco mais engenhosas dos amigos (eu ainda fico perturbado quando a pessoa gasta semanas planejando uma festa pra você e te dá um par de meias, por exemplo) ou apenas uma cara resmungão e ponto, e tenho que admitir que o meu aniversário desse ano foi realmente muito bom (mas vou falar mais disso depois), mas como eu disse, não me dou bem com festas surpresas e espero que os meus aniversários continuem sendo divertidos e as pessoas continuem me avisando sobre o que querem fazer com ele. E claro, que não me surpreendam, por favor.
