Top 5 – Grupos de pagode que não deram tão certo assim
Outubro 31, 2009

Só preto sem preconceito: Primeiro grupo montado por cotas na história da música brasileira (com 100% de cotas para negros) e cujo nome é uma contradição em termos (“sério, não temos preconceito. Mas pode sair daqui, branquelo maldito!”), o Só Preto sem Preconceito era dono de sucessos com títulos tão variados como “Não tão menos semelhante” e “Patinete do Morro”, além de ter sido colocado nessa lista só porque eu achava que eram eles que cantavam “Lá vem o Negão”, mas depois eu pesquisei no Google e vi que não era. Mas me deu preguiça de tirar os caras. Grande presença.
Só no Sapatinho : Eu sinceramente nunca entendi porque o SnS não fez mais sucesso, afinal um grupo de pagode com o filho do Zico é uma idéia tão boa quanto, sei lá, chamar o sobrinho do Zeca Pagodinho pra ser cobrador de faltas oficial do seu time. Humm…ok, talvez dê pra entender porque o grupo não fez tanto sucesso. Donos de um único hit, a música homônima (não, a música não se chama “Homônima”, ela tem apenas o mesmo nome do grupo), o SnS sempre será lembrado por ter composto um dos versos mais “dorgas mano, lol raiaiaia” do pagode nacional,daqueles que você não sabe se são sobre uma mulher ou uma pedra de crack (“vagabundo tá na rua da amargura/anda cheio de fissura/mas sou eu que vou levar”)e, para alguns mais atentos, por ter feito uma das melhores metáforas para contato íntimo que a música brasileira pode oferecer (“deixa eu por a mão no seu bichinho de pelúcia, deixa, deixa?”)
Nabusanfa: Bem, o que mais a gente precisa dizer sobre o grupo Nabusanfa além de que ele se chamava Nabusanfa? Se você ainda precisar de mais eu posso oferecer o refrão do grande (e possivelmente único) sucesso do grupo, a música “Mulher de Borracha”: “mulher de borracha/você se encaixa tão bem/não me esculacha/não fica de chico/e não pega neném”. Sim, é um pagode sobre uma boneca inflável, você não está viajando nessa.
Kiloucura: Único grupo de pagode que também poderia funcionar como restaurante self-service, o Kiloucura imortalizou seu lugar no pagode nacional com o sucesso “Pela vida inteira” e sua semi-coreografia/dancinha esquisita (“e as estrelas lá do céu/eu vou buscar/beijos com sabor de mel/eu vou te dar) e…e…bem…e depois não aconteceu muita coisa. Mas soube que o cardápio de hoje inclui picadinho e o quilo está 18,90 ou então é dez reais sem balança.
Ronaldo e os Barcellos: Autores da única música capaz de dividir com “Temporal” do Art Popular o título de pagode mais derrota da década de 90, Ronaldo e seus Barcellos (existe outro Barcelo além do Caco?) conseguiram marcar uma geração (ou um pouco menos) com seu clássico “Feliz Aniversário”, que contava a história de um cara que telefonava para ex-namorada no dia do aniversário dela para ficar se lamentando ao telefone e fazer algumas ameaças meio esquizofrênicas (“talvez à meia-noite eu ligue pra você/talvez não diga nada pra quem atender/talvez mande um presente pra você saber/que eu nunca te esqueci”) . Provavelmente Ronaldo está atualmente em tratamento e os Barcellos seguiram carreira solo ou estão junto com a Rapaziada que cantava com a Adriana.
Top 5 – Músicas do Molejo que você tem que ouvir antes de morrer
Outubro 27, 2009

Não sei se vocês se lembram, mas existiu uma época muito, muito tempo atrás, num lugar muito, muito distante em que todo mundo ouvia pagode. Sim, todo mundo. Eu ouvia pagode, você ouvia pagode, seu pai ouvia pagode, sua tia ouvia pagode. Isso porque, é claro, em todo lugar tocava pagode. A rádio tocava pagode, na televisão passava pagode, nas festas se ouvia pagode, nas lojas de cd tocavam os cds de pagode. Não, não samba raiz de universitário intelectual, não samba com hip-hop do Marcelo D2, não sambinha MPB nessa coisa Maria Rita/Los Hermanos ou samba rock do Farofa Carioca. Nada disso, meu amigo, era pagode mesmo.
Nomes como Exaltasamba, Soweto, Os Morenos, Só Pra Contrariar e Karametade causavam nas garotinhas incautas o que hoje causam NxZero, Fresno e derivados, só que com mais gente no palco, mais ginga, mais malícia e mais suingue (e claro, menos franja). E nesse panteão onde Alexandre Pires dominava as paradas de sucesso com suas reflexões filosóficas (“o que que eu vou fazer com essa tal liberdade?”, “a verdade é que eu minto”, “ele vai dar uma pistolada na barata dela”), e Belo tocava as almas e os corações com sua poesia cuja criatividade beirava o construtivismo(“derê, derere, dumdum, dê rererere”), surgiu um grupo que representava tudo que de mais descompromissado, mais fanfarrão, mais bizarro, mais sem noção significava o pagode da década de 90: o Grupo Molejo.
Formado em 1993 por Anderson Leonardo, Andrezão e mais um monte de caras que ficavam rodando na parte de trás do palco da Xuxa fingindo que tocavam alguma coisa,o Molejo era conhecido por suas letras irreverentes, brincalhonas, bem-humoradas e na maior parte das vezes totalmente sem sentido, que tanto acrescentaram ao pagode-pop nacional e tanto sucesso fizeram nas rádios. E é em homenagem a esse grupo que tantas alegrias (ou não) deu a todos nós durante tantas viagens de ônibus nos tempos do colégio e que agora retorna ao estrelato com seu novo CD “Todo mundo gosta” que eu me propus a fazer essa pequena lista (afinal, cinco músicas diante de uma obra extensa como a do Molejo é como escolher apenas cinco filmes diante da filmografia completa de Uwe Boll)
Cilada: Sucesso em todas as excursões escolares junto com “Barata da Vizinha” e “Fogo e Paixão”, essa canção foi uma das incursões do grupo na arte de representar as dramáticas histórias de amor e sofrimento das classes menos favorecidas, com o conto de um rapaz que, interessado por uma moça, deixa que ela o obrigue a prestar serviços domésticos na expectativa de recompensas de cunho afetivo. Tente não se emocionar com o genial refrão que diz “não era amor ô ô/não era/não era amor era/cilada cilada”.
Brincadeira de criança: Uma canção feita não apenas para tocar nas rádios mas também para cumprir uma função social: acelerar o processo de sexualização das crianças do Brasil. Mais uma vez o Grupo Molejo dá aquele passo adiante em termos de composição e nos brinda com uma das frases mais memoráveis da música brasileira: “Até que enfim, chora pra beijar, hein!?”.
Samba Diferente: Também conhecida como a “melô do Frei Damião” (“pode quebrar o pescocinho pro lado, vai, vai, vai, vai”), essa bela canção consiste basicamente em uma série de comandos sem sentido que quando combinados formam uma coreografia que estava no estreito limite entre o inusitado, o curioso e o absolutamente babaca. Méritos do grupo que conseguiu fazer com que várias pessoas pelo país inteiro passassem a vergonha de seguir o que eles diziam sem nem pensar duas vezes.
Paparico: Reafirmando sua verve de bardos do proletariado do século XX, Anderson Leonardo e Andrezão retornam com essa história sobre um rapaz que deseja impressionar uma jovem e para tanto usa de artifícios visando mascarar sua desconfortável situação financeira, o tipo de história que deixaria John Ford boladaço. Destaque para o verso sobre o cheque sem fundo no motel. Massa, véi.
Sweet Banana: Clássico do pagode dadaísta, Sweet Banana é uma dessas músicas que à primeira vista não dizem muita coisa, mas que numa análise mais apurada não significam absolutamente porra nenhuma.

Os anúncios pessoais do Orkut: Acho que nada, nem mesmo a possibilidade de bloquear as fotos, censurar scraps ou mesmo os intrigantes buddy pokes fez mais pela bizarrilização do Orkut do que a oportunidade recentemente oferecida aos usuários de colocar anúncios pessoais no canto direito da tela. Pensando com um técnico inglês da Google é claro que a idéia parece boa: vamos viabilizar para os usuários a possibilidade de divulgação e inserção de anúncios e eventos, tudo isso de forma ágil, prática e sem custos. Pensando como um usuário brasileiro do Orkut fica óbvio que qualquer coisa que for oferecida de forma fácil e sem custos vai resultar em pessoas sem muita coisa para fazer utilizando esse recurso para o mal. Daí para aquela imagem de um pé sujo com a legenda “saca soh q verrugaum!” no alto da sua tela é apenas um pulo.
O serviço de aviso de ligações perdidas via SMS: Poucas coisas são mais úteis para um usuário de telefone celular do que um serviço que o avise, via mensagem, das tentativas de chamada que ele não pôde atender enquanto estava com o telefone desligado ou fora de área. Sensacional, não? Boooa sacada! Mas a TIM achou que era pouco. Afinal, porque se limitar a informar apenas as chamadas perdidas quando o telefone não está disponível? Por que não (e nisso mora o brilhantismo da idéia) fazer isso com todas, hein? E desse conceito brilhante nasceu o fato de que meu telefone passa o dia inteiro ligado e dentro de área, mas sem tocar, até as 02:00 da manhã, quando sou inundado por uma série de mensagens registrando todas as chamadas que eu deveria ter recebido durante o dia se a TIM tivesse deixado. “TIM: telefonia celular para você que quer se desligar do mundo.”
O Gazzag: O Gazzag (atualmente reformulado e rebatizado como Octopop) foi o pioneiro de uma nova experiência na Web 2.0, as redes anti-sociais. Você se lembra de quantos convites para o Gazzag você recebeu? E se lembra de como você ignorou todos ou então fez um perfil e depois nunca mais entrou? Então, essa é a síntese do Gazzag, o fato de que eu não estou lá, você não está lá, seus amigos não estão lá, seus pais não estão lá, seus vizinhos não estão lá, a galera da facu/academia/futiba não está lá. Ou seja, sem quem for que estiver lá tem total e completa privacidade para fazer o que quiser. Pode colocar foto pelado, pode revelar segredos escusos na descrição do perfil, em suma, lá a pessoa pode realmente aproveitar a sensação de, mesmo dentro de uma rede social, se sentir tão solitário quanto o Will Smith em “Eu sou a lenda”, podendo inclusive falar sozinho ou coisas do tipo. “Gazzag: porque eu não gosto de vocês.”
Os status “ocupado”, “invisível” e “ausente” do MSN: Talvez ainda seja muito cedo para esse tipo de análise, mas pra mim é óbvia a relação entre o crescimento econômico do país nos últimos anos e o surgimento do MSN e de sua opção “ocupado”. Afinal, não sei se você concorda comigo, mas nunca nossos amigos e contatos fizeram tantas coisas. Quantas pessoas que você conhece não passam o dia inteiro, senão semanas ou meses ocupados? Sim, eles estão no messenger mas também estão construindo pontes, curando doenças, alimentando crianças na África e tentando achar uma fórmula que defina os números primos. E não tem hora nem lugar, as pessoas estão realmente ocupadas de manhã, de noite, de madrugada, aos sábados, domingos, segundas, o tempo todo. E ainda dizem que o jovem de hoje não tem nada pra fazer…(Já o status “invisível” serve basicamente para evitar pessoas; e o “ausente” serve para pessoas que, assim como eu, tem vergonha de mentir sobre estarem fazendo alguma coisa mas também não querem falar com todo mundo)
(E esse final de semana além do post tradicional aqui no Just Wrapped também temos uma participação minha no “Segunda a Sexta” como autor convidado, com um conto chamado “Horóscopo”. Para ler clique aqui. Ah, e obrigado Tiana pelo convite, pela boa vontade e pela carona aquele dia no vôlei. Valeu)
Mais pequenas grandes lições de convivência corporativa
Outubro 21, 2009

Quanto mais vezes você encontra com uma pessoa durante o dia mais complicado vai ser saber como cumprimentar essa pessoa. Por exemplo, se da primeira vez você conseguir um jovial “bom dia”, da segunda um “oi”, da terceira um “opa” e da quarta apenas uma troca constrangida de olhares, na quinta você já vai desviar o olhar e na sexta vai começar a procurar outra rota para a copa apenas por que não sabe o que dizer.
Se por algum acaso você estiver no banheiro no exato instante em que seu chefe está saindo de uma das cabines sanitárias tente evitar qualquer tipo de comentário espirituoso. O futuro e o fracasso profissional podem estar a apenas um “baita barrão esse, hein, chefia?” ou “e aí, castigando a porcelana?” de distância.
Não aproveite os aniversários das colegas de trabalho atraentes para dar longos, apertados e demorados abraços nelas, as pessoas notam. Ou aproveite, caso você não se importe com as pessoas notando e conheça a galera do RH.
Não tire uma foto sua com a máquina de café e coloque no seu Orkut. Não vai passar a imagem de seriedade e ambição profissional que você gostaria que as pessoas tivessem.
Quando começar qualquer tipo de processo de seleção para estagiários é importante acima de tudo tentar interagir com o processo de forma lisa e ponderada. Ou seja, tente não babar e esfregar as mãos enquanto está dizendo que vai exigir currículo com foto e que meninas ruivas entre 18 e 21 anos tem preferência.
Não, não vão incluir seu diploma de cultivo de bonsai no sistema do RH. E ainda vão rir de você, os sacanas.
Você só vai notar como as notícias correm rápido no seu setor quando você chegar as 08:00 e alguém te der os pêsames mas só as 09:30 sua mãe te ligar pra contar que aquele seu tio do interior do Mato Grosso morreu.
Quando você aparecer no trabalho numa segunda-feira de manhã gripado, com a cara amassada e os olhos vermelhos todo mundo vai pensar que você está de ressaca. E quando você aparecer numa sexta-feira de ressaca, com a cara amassada e os olhos vermelhos todo mundo vai ter certeza.
Ninguém vai apoiar a sua idéia de um grupo de trabalho para discutir a proporção correta de chocolate e café no capuccino da máquina do corredor.
Pelo menos uma vez por mês você vai ganhar um esporro por algo que não tem nada a ver contigo e ser parabenizado por alguma coisa com a qual você evidentemente não tem nenhuma ligação (exemplos clássicos: “João, como assim as tomadas dos computadores não são mais azuis? Quem te mandou trocar ?!” e “João, ótima a sua decisão quanto à compra dos labradores na fazenda do gerente da filial nordeste”)
Adendos ao pequeno dicionário pessoal de sensações esquisitas
Outubro 19, 2009

Cena 1
Você vê no orkut o perfil de uma garota que você conheceu e ela parece sensacional. As comunidades certas, o senso de humor, a cultura geral, quadrinhos, filmes, bandas, tudo onde você gostaria que estivesse. Ela também é bastante atraente ou então tem uma enorme capacidade para manipular fotos no photoshop, o que, ok, não é a mesma coisa, mas é uma qualidade a se respeitar. E você fica durante uns dez minutos pensando que ela é o tipo de garota com quem realmente seria interessante ficar, exceto pelo fato de que ela mora, não sei, em Tegucigalpa e provavelmente tem um namorado chamado Bruce Leroy que é versado em alguma arte marcial legal e é pastor de lhamas part-time. Ou nessa parte você está apenas viajando, é possível, você faz essas coisas. Aí você interrompe esse pensamento e sai com seus amigos para uma festa onde você conversa durante meia hora com uma garota que comenta contigo que odeia filme legendado porque não gosta de ler e as letrinhas dão preguiça. E você pensa se não existe algum tipo de descompasso entre certos aspectos chave da sua vida. Mas aí começam os shots de tequila e bem, você sabe como essas coisas são.
Cena 2
Você está em casa e um amigo diz que tem uma idéia “show de bola” pra uma “balada”. Você, mesmo não gostando da palavra “balada”, porque te faz pensar numa noite inteira ouvindo canções lentas da Joni Mitchell, topa e vai, junto com outros amigos, depois de ouvir meia hora de conversa sobre como é perto, divertido, bem freqüentado e interessante. Dentro do táxi, lá pela hora em que o taxímetro marcava uns dezoito reais, as palavras utilizadas para descrever o lugar passam a ser “alternativo”, “hypado” e “aconchegante”. Quando o taxímetro está em vinte e poucos reais você começa a desconfiar que ou o lugar é longe ou o taxista não sabe como chegar, ou mesmo as duas coisas, como você passou a imaginar depois que ele tentou soltar você e seus amigos na frente de uma boate gay alegando que lá era o lugar que vocês tinham pedido. E por fim vocês chegam, em uma rua esquisita, vazia, distante de tudo, diante de um prédio antigo com aparência de abandonado. Ao lado dele um botequim onde um velho usando um tapa-olho e uma camisa da campanha do Collor toma cachaça no gargalo enquanto faz carinho em um cão aparentemente morto. Do outro lado da pista um carro destruído, provavelmente incendiado. O único som na rua é o dos passos de um grupo de rapazes de boné com camisas de cantores de hip-hop, que parecem estar rodeando os seus colegas, já que vão e voltam toda hora. Você começa a reparar nas pessoas que estão entrando na “balada” e em cinco minutos conta três anões, um cara com uma espada, dois homens levando um grande saco plástico preto de conteúdo duvidoso e uma mulher sendo empurrada numa cadeira de rodas, desacordada. Você olha para a rua e nota que o último táxi que passou por lá foi o seu e por sinal o motorista parecia bem preocupado, tanto que arrancou muito rápido com o carro e tinha até proposto que vocês não abrissem a porta e sim saíssem pulando pela janela pra que ele não precisasse parar. Você se vira para a funcionária da entrada e pergunta quanto é pra entrar, ao que ela responde, coçando a barba com o ganho que tem no lugar da mão, que é dez reais, mas só vão abrir em meia hora e você vai ter que esperar na rua até lá.
Em algum lugar da sua cabeça um dos seus neurônios respira fundo e diz para si mesmo “éééééééé…”
Como o método Chilli Beans de persuasão mudou a minha vida
Outubro 16, 2009

“Olha João…sobre esse projeto…”
“Fala brodinho, tudo na boa? Coé a do projeto? Belezinha?”
“Não, olha…é que…”
“Super-projeto, né? Show de bola! Super-transado. Eu sabia que tu ia curtir. Tu é de onde?”
“Eu? João, sou eu, o Gustavo, da sua gerência, você não lembra que…”
“Gustavão, meu velho, grande brodinho. Projeto massa, não, véi? Mas você é daqui do Rio então, certinho?”
“Eu? Bem, eu sou de Goiás, mas…”
“Goiás? Pô, véi, curto muito Goiás. Estado super-transado. Fissuradão mesmo. Nunca fui, mas acho da hora. Gatinhas de Goiás? Muita fissura. Doideira. Massa, véi!”
“Olha, legal, mas sobre o projeto…”
“Muito show o projeto, né brodinho? Sabia que tu ia gostar. Muito massa. Show de bola. Fera. Maior fissura. Massa véi!”
“Então…é que eu li o projeto e eu acho que…não sei…”
“Pô, coe? Combina total com teu rosto, já olhou direito? É um projeto novo, linha nova, visual novo, totalmente verão. Show de bola. Doideira. Fera. Massa véi!”
“Mas João..assim, sério, eu gostei…mas é que eu pedi um plano de comunicação pra nova unidade e você me mandou uma redação sobre as suas férias e uma folha com um hang loose desenhado…isso é…”
“Muito massa, não é véi? Show de bola. Férias, hang loose. Muito verão, linha nova, modelo novo. Doideira. Super-transado. Tu disse que era de onde mesmo?”
“Olha João, ta complicado te explicar isso…E eu sou de Goiás, já disse…”
“Goiás? Pô, véi, curto muito Goiás. Muita fissura. Doideira. Massa, véi! Nunca fui, mas acho da hora. Gatinhas de Goiás? Fissuradão mesmo. Coé?”
“Mas então, sobre o projeto…”
“Maaaaasssaaa, véééééééiiii!”
“Olha…tudo bem, eu mesmo vou refazer…depois eu te passo e você só revisa, ok?”
“Revisar? Doideira, curto muito revisar. Muito verão. Modelo novo, linha nova. Topo total, brodinho. Massa tua roupa, tu malha? Show de bola. Quer comprar um relógio?”
“Não, João, eu não quero relógio…olha…eu vou embora, ta? Depois eu te mando um email explicando como ficou…”
“Nada de relógio então? Temos uma linha nova, super-transada, show de bola, modelo novo. Abração pra ti, brodinho de Goiás. Depois chega aí pra gente ver uns óculos pra ti. Maaaasssaaa vééééééééiiiii!”
Os cinco hábitos dos bêbados muito irritantes
Outubro 14, 2009

Brincadeiras físicas sem sentido: O bêbado inconveniente sempre sente uma profunda necessidade de se expressar de forma física. Mas ao contrário da Débora Colker, da Ana Maria Botafogo e do Jacaré do Tchan, por exemplo, não consegue pensar em nenhuma maneira realmente lúdica de saciar essa necessidade e acaba partindo para as brincadeiras físicas bizarras. Petelecos na orelha, tentativas de abaixar sua calça, ombradas, imitações de tiranossauro, cabeçadas no seu ombro, rasteiras, propostas para pular carniça, tentativas de equilibrismo em locais extremos, empilhamento de copos e garrafas, todo tipo de bizarrice se torna válida desde que ele não fique parado. E sim, alguns realmente resolvem se expressar como o Jacaré do Tchan, mas esses te fazem sentir saudade dos petelecos.
Sinceridade fora de controle: Nenhuma criatura do universo é mais sincera do que o bêbado. Ele vai te contar qualquer coisa que você pedir, indo desde segredos minuciosos de trabalho até segredos de estado e segredos de cofre, com especial destaque parar coisas que você nunca teve a mínima curiosidade e experiências sobre as quais você não gostaria de ter conhecimento Porque apenas quando você está numa calçada as três horas da manhã ouvindo um cara te perguntar se o fato dele ter uma foto do Kaká de sunga como fundo de tela torna ele gay que você compreende os problemas que a bebida pode trazer.
Demonstrações excessivas de afeto: Ao contrário do gago, dos portadores do Mal de Hansen e das pessoas com Alzheimer, que querem apenas o nosso respeito, o bêbado quer muito mais. Ele quer nosso afeto, nosso carinho, nossa amizade, nos dar um abraço, dizer que nos ama e nos levar pra passar a noite na casa dele porque considera a gente pra caralho. Daí vem toda uma gama de demonstrações de carinho que são bem acima do que a sociedade considera tolerável, muitas vezes saindo até da clássica trindade do “não estou bêbado-te amo-você é um cara gente boa” e entrando em campos mais absurdos como dizer que vai te colocar no testamento, dizer que gosta tanto da sua camisa que quer que você tire pra que ele vista e coisas do tipo. Mas se ele tentar enfiar a língua na sua orelha não é culpa da bebida, seu amigo está querendo ficar contigo mesmo.
Necessidade desnecessária de transmitir dados sobre sua vida pessoal: Sabe aquilo que os políticos falam sobre vidas que são “um livro aberto”? É só quando você está perto de um bêbado que você entende isso da forma mais clara possível. O bêbado te conta sobre o final do último namoro, sobre a garota do trabalho de quem ele é afim, sobre o divórcio dos pais, sobre os problemas com a ex, sobre a paixão de infância, sobre a vez em que apanhou dos primos, sobre o dia em que ficou bêbado e acordou com um travesti e no final te conta da vez que pegou a sua irmã, você não sabia e a noite acaba com aquele clima pesado.
Vomitar: Bêbados algumas vezes vomitam em si mesmos e nas outras pessoas. E isso é chato.
A culpa é da maresia
Outubro 12, 2009

O Rio é um lugar que muda os conceitos das pessoas. Você acha que nunca vai falar chiado e acaba falando, acha que nunca vai ter um amigo que te cumprimente gritando “fala leleske” e acaba tendo, acha que nunca vai ver um cara se dando bem usando como cantada a frase “já é ou já era?” e acaba vendo. Uma dessas mudanças de visão, por exemplo, é a minha posição sobre o determinismo geográfico. Sabe essa coisa de que o calor dos trópicos influencia o subdesenvolvimento das nações, de que os índios eram menos civilizados por causa da natureza exuberante que não os motivava a produzir ou criar nada e todas esses outros discursos que culpam a geografia por tudo? Sempre achei isso uma tremenda besteira. Até vir morar aqui no Rio, claro.
Digo isso porque, como todos vocês devem ter notado, o nível do blog caiu depois da minha mudança para o Rio. Atualizações mais esparsas, menos comentários, textos menos engraçados, menos ofensas feitas pela população de Cataguases, menos links envolvendo Darth Vader, sim, boa parte daquilo que tornava esse um blog legal e divertido acabou ficando pra trás e eu posso dizer, sem medo de errar: a questão é totalmente geográfica, é tudo culpa do calor carioca.
Isso porque no Rio é complicado ficar em casa pra escrever, e não apenas porque dentro de casa vai estar sempre muito quente, mesmo com o ar-condicionado ligado no máximo (você pode ter ar no quarto, mas na sala vai estar quente. Aí você coloca na sala. Mas a cozinha então deixa de ter um forno e passa a ser um forno. Quando você menos percebe já climatizou a casa toda e passou a bater com um bastão nas pessoas que abrem a janela) e é quase impossível concatenar uma linha de raciocínio coerente com uma temperatura ambiente de 45ºC (semana passada eu comecei a escrever um post e fui interrompido por uma ruiva vestida de odalisca que mais tarde eu descobri ser uma miragem). Existe também o peso do “fator praia” (quando você mora perto da praia você se sente moralmente culpado quando surge um dia de sol e você fica em casa. É mais ou menos como ser filho do Bill Gates e usar Linux), do “fator água gelada do mar” e do fator “cariocas de biquíni na praia aproveitando a água gelada do mar”, que acabam minando totalmente a minha capacidade criativa, gerando o resultado que todos vocês vem vendo. (“vocês vem vendo”? Santa aliteração involuntária, Batman!”)
Mas não, não abandonarei o blog apenas porque não estou conseguindo escrever direito e tenho tido poucos comentários. Não, jamais. Mesmo porque eu nunca escrevi lá isso tudo e o pessoal também nunca comentou muito por aqui, pra ser sincero. Apenas acho que, como eu faço de tempos em tempos, eu deveria dar algum tipo de satisfação para os meus 5 leitores e dizer que bem, como dizia o Mario, isso é apenas uma fase e vai passar, pessoal.
(Outra observação que eu gostaria de fazer é a de que eu realmente respeito muito os escritores e blogueiros cariocas pela capacidade de realmente escrever ao invés de apenas ficar sentados na praia. Ou então eles apenas escrevem na praia…humm…mas continuo respeitando muito vocês por terem pensado nisso…Espero que minha fase de adaptação termine logo e eu volte a achar praias um saco)
Pequenos diálogos cariocas: “Coxinha”
Outubro 8, 2009

Parei pra fazer um lanche no centro, pedi uma coxinha e um suco de laranja e me sentei num banquinho rente ao balcão. A coxinha foi servida e quando eu fui dar a primeira mordida notei que ao contrário do planeta Terra, cuja temperatura está subindo constantemente, ela estava fria e a tendência era congelar. Chamei pela garçonete para fazer uma reclamação.
“Moça, aqui, a coxinha…”
“Rapaz, espera que eu estou falando ao telefone…”
“Mas é que a coxinha…”
“Calma, eu vou só falar aqui e já atendo você…Mas então, Kelly, desculpa, o rapaz me incomodou aqui. Como eu estava te falando, acredita que ontem eu achei uma mensagem daquela vadia no celular dele? Acredita? É, dela mesmo! E o que você acha que eu fiz? Peguei aquela merda e joguei no vaso! Ele que se foda! E que fique feliz por não ter acordado com aquela bosta enfiada no rabo! Como? Se eu bati nele? Não, não bati não…Mas avisei meu irmão e o pessoal dele pra darem um pega no safado! Podem até matar se quiserem! Eu não me importo mais! E o seu Alberto também vai levar a dele se continuar com esse papo de me deixar trabalhando sozinha aqui? Quem ele pensa que é? Verdade, verdade, de que adianta ser irmã de traficante se eu não usar isso? Vou passar a mandar matar mesmo, que se dane, sabe? Ah, você é que ta certa, tem gente que tem mais é que morrer mesmo, não vou mais agüentar provocação de vagabundo por aí, gente metida a espertinha. Vou mandar meu irmão despachar mesmo! Não vou ser capacho de ninguém mais não! Bando de filhos da puta! Ah, já vai desligar? Compra logo um Nextel, sua vaca, aí a gente pode conversar o dia todo…Mas te vejo no salão a noite então. Beijo. Ah, rapazinho, o que você queria dizer da coxinha mesmo?”
“Oi? Eu?”
“É, você.”
“Nada não, nem lembro o que eu ia falar…Nada importante…”
“Não, você ia falar alguma coisa, o que era?”
“Humm…Ah…Tipo…Melhor coxinha que eu já comi, você que fez? Muito boa…”