And now for something completely different
Junho 30, 2009

Todo mundo sabe que tudo que eu escrevo começa com um longo e tortuoso preâmbulo, que vai seguindo de forma crescente até que eu realmente aborde o assunto que eu tenho em mente. É um traço meu que eu não consigo controlar e que aparece em toda e qualquer coisa que eu escrevo ou digo. Mas dessa vez eu resolvi ser direto, diante do meu choque perante o assunto em questão. Sim, eu poderia começar dizendo que muitas atitudes humanas me deixam perplexo, isso indo desde sadomasoquismo até gastar dois mil reais num casaco, passando pela caça de rinocerontes e pessoas que gostam de transpirar, mas não vou fazer isso . Sim, também poderia dizer que sempre me senti como o Sr. Spock diante de um mundo levemente caótico e cheio de atitudes sem sentido onde as pessoas agem de formas que eu simplesmente não entendo nem mesmo com muito esforço. Mas não, eu vou me livrar de toda essa introdução e vou direto ao assunto: por que as pessoas deixam que seus namorado(a)s tirem fotos delas nuas?
Eu faço essa pergunta porque cada dia mais eu vejo vários e vários casos de pessoas tendo problemas porque fotos “sensuais” tiradas por seus parceiros acabaram vazando na internet, seja por descuido, má-fé ou trabalho de hackers e todo mundo fica chocado com o vazamento das fotos, a ousadia dos hackers, a maldade dos namorados, coisas do tipo, mas ninguém se pergunta porque as pessoas tiraram aquelas fotos, pra começo de conversa. Todo mundo faz isso? Eu vejo pessoas famosas fazendo, pessoas semi-famosas fazendo, até alguns amigos meus me contaram que fizeram. Será que tirar fotos pelado é uma dessas coisas que, como beber café, todo mundo faz menos eu? Sério, não é piada, eu realmente quero saber, me expliquem.
Eu digo isso porque em todos os meus namoros, relacionamentos, ficadas, eu nunca pensei, nem por um instante, em tirar uma foto da pessoa que estava comigo enquanto ela estivesse nua (e eu admito abertamente que já imaginei nuas cerca de 95% das mulheres que eu conheci). E cara, nada que qualquer pessoa me dissesse que não envolvesse quantidades obscenas de dinheiro me faria aceitar que alguém me fotografasse sem roupa. (Enquanto eu estou sóbrio pelo menos, já que existe aquela lamentável foto em que eu estou coberto apenas por uma capivara empalhada, mas não vamos falar nisso agora).
Mas vamos lá, o que poderia motivar isso? O cara tira fotos da garota sem roupa como forma de se prevenir contra um final de namoro? Pra fazer chantagem? Pra vender? E a garota, aceita por que? Porque é enganada? Porque se sente altamente gostosa? Porque pensa em fazer um book e vender? Porque quer que todo mundo veja? Sério, eu não consigo pegar o raciocínio. Pessoas que tiram fotos de si mesmas e dos outros pelados, espero que comentem e me dêem alguma luz sobre essa questão. Obrigado. E não, não mandem link para fotos, vai criar um clima ruim e esse é um blog de família, vamos lá.
Plan to be spontaneous tomorrow
Junho 28, 2009

Eu sempre achei que espontaneidade, assim como tatuagens, piercings, cabelo grande e sexo casual, era uma dessas coisas que funcionava pros outros caras mas que não dava muito certo pra mim. Não que eu seja um desses caras que gastam muito tempo pensando em tudo que fazem e não tem um mísero momento de espontaneidade e decisões instintivas durante seu dia, mas eu…bem, eu sou um desses caras que gastam muito tempo pensando em tudo que fazem e não tem um mísero momento de espontaneidade e decisões instintivas durante o seu dia. That’s how i roll, baby.
(E sim, eu sei no que vocês devem estar pensando. Se eu sou uma pessoa que pensa tanto antes de agir e falar, como eu consigo dizer tanta besteira? E pior, se eu penso muito antes de falar, quer dizer que todas as vezes que eu conto a piada da lésbica necrófila* isso é fruto de um profundo processo reflexivo? Bem, a resposta é sim e espero que isso sirva pra que vocês pensem no tipo de coisa que eu diria se não pensasse tanto.)
Mas depois de assistir a “Sim senhor” (incrível como os filmes do Jim Carrey conseguem despertar em mim momentos de profunda reflexão!) eu comecei a pensar (eu não disse?) um bocado sobre isso e vi que pensar demais tem sido um problema . Afinal, quase todos os grandes momentos de diversão da minha vida vieram de atitudes impensadas ou de momentos em que, quando eu estava começando a pensar demais alguém me deu uma cerveja ou uma porrada (ou as duas coisas. Ou até mesmo uma porrada com uma latinha de cerveja) e eu tenho um grande e antigo histórico de perder chances e oportunidades por pensar demais e ficar medindo as conseqüências ao invés de simplesmente fazer o que eu tenho vontade. E isso é, pra dizer o mínimo, chato.
Daí a minha decisão de, junto com meu projeto geral de melhoria da minha personalidade (assim como Stalin eu faço planos de longa duração que envolvem grandes mudanças e o exílio das pessoas que discordam de mim para a Sibéria. E lá, como vocês sabem, não tem net), adicionar um pouco mais de espontaneidade na minha vida. Sim, vou tentar fazer mais as coisas que sinto vontade e menos as coisas que a minha cabeça mandar, tentar seguir mais os meus instintos ao invés de ser tão espontâneo quanto um ator secundário de Floribella ou o pessoal da Fazenda da Record (“é por isso que o Brasil te odeia, Dado!”). Vou tentar fazer aquilo que as pessoas chamam de “seguir o coração” (argh…) e ouvir menos a minha mente preocupada. E já dei provas de que posso fazer isso, afinal, tenho aceitado propostas nada racionais, como ir a festas de pessoas que eu não conheço (tendo sido, é claro, convidado por pessoas que também não conhecem a dona da festa), tomar rodadas de tequila sem limão (sério, tequila sem limão é algo calamitoso) e até mesmo cheguei ao extremo de aceitar um convite para ir a um jogo do Flamengo no Maracanã hoje.
Agora vocês devem estar se perguntando (como é provável que vocês se perguntem em quase todos os posts…) “e eu com isso”? E eu digo que bem, se eu começar a ser espontâneo existe a séria possibilidade de que eu seja…não sei…preso, extraditado ou me envolva em várias brigas de bar, então se alguém telefonar de madrugada, não hesitem em atender, ok? Posso ser eu pedindo ajuda. Espontaneamente, claro.
E é isso. Se preparem para um João mais espontâneo, instintivo, sincero e com mais problemas em relação ao nosso sistema judicial. Afinal, como disse certa vez meu tio Jorge, logo após trocar o carro do meu avô por um vídeo-cassete, o que um homem tem a perder seguindo seu coração além da sua dignidade, seus bens, seu emprego, sua família, seus amigos e sua liberdade condicional? Nada, meus amigos, nada.
(Antes que alguém pergunte: sim, esse blog virou uma espécie de diário virtual até segunda ordem e vamos passar um tempinho sem resenhas ou ficção. O próximo post, se tudo der certo, vai ser sobre como eu nunca acerto na escolha do condicionador e porque eu me sinto gordo com camisas de cor clara. Sei lá, eu fico gordo, não fico? Eu acho que fico, pelo menos.)
*Ok, não posso perder essa oportunidade. Vocês sabem por que a lésbica necrófila não gosta de presunto? Por que ela prefere a mortadela. “Morta dela”, sacou? Tá, tudo bem, vou parar…
P.S: Mais uma atitude inesperada: aceitei ir jogar paintball com vários amigos meus, incluindo o Flavinho. Pra quem não conhece o Flavinho, saibam que jogar paintball com ele é como brincar de luta de dedão com o Freddy Krueger ou pêra, uva, maçã, salada mista com o Saddam Hussein, só que mais violento.
O primeiro dia do resto da sua vida…
Junho 26, 2009

Estava eu sentado na rodoviária de Juiz de Fora no domingo passado com minha mala absurdamente grande esperando o ônibus para poder ir resolver a minha demissão do banco em Viçosa quando, ao som de “A última canção”, do tio Wander Wildner, eu notei que estou diante de um dos maiores momentos de mudança da minha vida, senão o maior. Não, não pelo tamanho da mala (ainda que dentro dela caibam facilmente as posses de uma ou duas famílias de ciganos), mas sim pelo significado e a profundidade das conseqüências que essa mudança vai trazer pra mim e pro meu futuro.
Eu nunca fui um cara de grandes eventos e grandes alterações de rota, então as mudanças na minha vida foram poucas e fáceis de listar. A primeira foi a minha ida do Rio pra Juiz de Fora, que coincidiu com o divórcio dos meus pais e deu como bônus a gagueira, a timidez e o fato de me fazer ser o único neto da minha avó materna que não sabe soltar pipa (incluindo as meninas e os bebês). Depois foi a ida para o Colégio Militar, quando eu abandonei a tranqüilidade de uma escola de freiras (controlada por freiras, não com a intenção de formar freiras) e me juntei ao bando de garotinhos fardados que marchavam sem razão aparente (ou secreta) e ficavam no colégio o dia todo incendiando coisas, jogando bola e dedurando pessoas que transavam nos auditórios. No CM eu forjei meu senso de humor (antes da quinta série eu era sério como a morte, os impostos e o problema da zaga do Flamengo), descobri que gostava de escrever e fiz um bom número de amigos, incluindo alguns que duram até hoje (gente paciente é o que há).
Aí veio a faculdade. Mudei de cidade, passei a lidar com dinheiro (ainda que dos meus pais), notei que o leite não nascia direto na caixinha, namorei, li desde Habermas e Saussure e até Calvino e Ary Toledo, fundei um time de futsal, fundei uma república, transei, fiz provas bêbado, conheci uma quantidade enorme de gente de todos os tipos, ganhei mais quatro irmãos* fiz mais provas bêbado e finalmente me formei. E agora veio a maior e mais significativa mudança de todas.
Claro, não que os dois últimos anos não tenham acontecido (ainda que eu ache que toparia essa opção se ela existisse), mas eles foram basicamente um epílogo dos eventos anteriores. Fim de namoro,trabalho em telemarketing, auto-suficiência financeira, rolos a granel e problemas de família soam como, não sei, uma forma do “destino” de “limpar o terreno” e me preparar pra enfrentar as mudanças ainda mais intensas e espero, bem mais divertidas que ainda estão por vir. Afinal, é uma cidade nova, um trabalho novo, amigos novos, e bem, tudo novo. Eu vou ter que achar um novo bar favorito, uma nova locadora favorita com uma nova balconista favorita para irritar, vou ter que descobrir onde fica o Habib’s mais próximo, qual padaria vende fermento pra quando eu quiser fazer pizza, qual shopping tem o cinema com menos adolescentes, qual banca de jornal deixa a gente folhear as revistas, em suma, é quase uma vida nova que eu vou ter que construir, from the scratch. E sem papai ou mamãe, sem irmãozinho, sem namorada, sem melhor amigo, sem a galera da pelada, sem o pessoal da república: apenas eu, meu chaveiro do R2D2, minha coragem e meu jeitinho charmoso de perguntar qual ônibus eu pego pra chegar no Largo do Machado. E sério, isso parece divertido.
Essa sexta-feira eu vou até o Rio assinar meu contrato com a Petrobras. E esse é basicamente o primeiro passo dessa vida nova, desse restart de Super Mario com várias vidas, um joystick novo e o Luigi pulando na tela feito um alucinado**. Eu vou, basicamente, deixar pra trás boa parte do que eu conheço, do que eu vivi e achei que sempre iria viver, pra desbravar um lugar novo onde as pessoas falam engraçado, o feijão dos restaurantes é preto, não marrom, e se eu tiver algum problema a pessoa mais próxima pra me socorrer está a três horas de distância (sim, eu realmente ligarei para polícia de Juiz de Fora se acontecer alguma coisa. Sei lá, os policiais do Rio me dão medo…). Estou, pela primeira vez em muito tempo, otimista e satisfeito de ser o cara que eu sou, no lugar em que eu estou, fazendo as coisas que eu faço e cercado pelas pessoas de quem eu me cerco. Que venham as mudanças e que venha essa coisa chamada futuro.
E bem, agora é hora de terminar o post e ir pegar meu ônibus pro Rio. Afinal, hoje é com o perdão do clichê, o primeiro dia do resto da minha vida. Torçam por mim.
*Apenas fico chocado com como mesmo sendo dois irmãos biológicos (Julio e João Pedro) e cinco irmãos não-biológicos (Yuri, Frank, Ronaldo, Geraldinho e Eric) todos somos feios. Impressionante mesmo. A genética é um troço muito doido…
**E prosseguindo com a analogia de video-game também espero que existam poucos daqueles cascos de tartaruga, muitas fases de bônus, estrelinhas que me permitam ficar maior e soltar fogo (ainda que isso vá ser foda de explicar no trabalho ou em casa) e que, se possível, exista uma princesa no final do jogo. Mas se não der mesmo pra rolar princesa eu acho que posso me contentar com medir 2,10 m, soltar bolas de fogo, ter um amigo cogumelo e montar num dinossauro. Dinossauros…Cooooool…
Teoria do hiper-pensamento auto-inibitório – Exemplo #23
Junho 24, 2009

“Vou chegar nela. Mas se eu chegar nela, com ela interessada assim, a gente provavelmente vai ficar. E eu estou numa fase carente. Então se eu ficar com ela vou provavelmente me apegar. E como eu sou acomodado, se eu me apegar vou querer namorar. E eu já tenho quase 25 anos. Se eu começar um namoro sério agora e me acomodar esse namoro vai acabar sendo “o namoro” e vai me levar a um possível casamento. E bem, eu quero ter filhos, certo? E se eu me casar com ela isso provavelmente a tornará a mãe dos meus filhos… Então melhor não chegar, eu não vou escolher a mãe dos meus filhos logo depois de ter misturado cuba libre com cerveja Cerpa morna…
P.S: E chegamos ao 100º post. Sei lá se essa é uma grande marca, só sei que tem sido muito divertido e não teria sido possível sem vocês. Afinal, se ninguém comentasse eu teria continuado no máximo até o post 80, talvez o 85 e aí teria me cansado.
Romantismo desperdiçado – Cartas
Junho 22, 2009

*Este texto foi escrito há muito, muito tempo atrás em uma galáxia muito, muito distante. Se quiser ler com trilha sonora clique aqui.
Eu saí do meu emprego há algumas semanas e como acontece com todo mundo que muda subitamente pra uma rotina mais light eu passei a ter muito mais tempo livre do que antes, o que me estimulou a fazer coisas que eu não fazia normalmente, pra gastar o tempo. Daí a decisão impensável, sob qualquer aspecto, de decidir organizar meu armário e, pior ainda, juntar todas as cartas que a minha ex escreveu pra mim em quatro anos e meio de namoro.
É, eu sei, eu sei…Um cara solteiro da minha idade precisa ter uma forma melhor de gastar o tempo do que organizar cartas da ex-namorada e, caso ele não tenha, aí mesmo é que ele não deve nem tocar nesse tipo de coisa. Mas como eu digo, quem não tem Playstation se diverte com masoquismo emocional.
São muitas cartas. Muitas. Por sermos duas pessoas muito “literárias”, ela uma jornalista e autora de livros infantis e eu um…um…um “eu”, nós tínhamos uma certa necessidade patológica de colocar as coisas por escrito, como que pra manter um registro mais confiável de tudo, além de ajudar a disfarçar a nossa insegurança natural em relação ao outro. Não cheguei a contar todas, mas consegui encher algumas caixinhas e ainda tive que forçar pra que os pacotes fechassem.
Interessante é notar como as coisas foram evoluindo com o decorrer das cartas. Desde o começo, quando eram frases tímidas (“oi, tudo bem?”) até na fase mais madura do namoro, quando eram planos, projetos, promessas, num nível de cumplicidade e empolgação que eu sinceramente tenho até dificuldades pra aceitar que eu tenha chegado. (Cara, eu pensei em ficar noivo, eu pensei em casar, eu pensei em morar junto. Eu, que quero comprar um carro de kart pra não ter que andar junto com ninguém) Também é interessante notar como um namoro quer durou ¼ da minha vida e foi o único relacionamento “real” que eu já tive conseguiu virar bem menos do que amizade e só um pouco mais do que ser um “mero conhecido” (afinal, eu sou um “conhecido que deve ser ignorado”, o que, vai lá, é mais do que ser apenas um “conhecido”).
É aquela discussão clássica sobre o fato de que tudo termina, por mais que você se esforce pra manter e o porquê disso ter passado a me dar tanta preguiça de começar qualquer coisa. Afinal, a gente começa, se esforça, mantém e um dia tudo acaba, um dos dois termina e ninguém nem se fala direito mais (a não ser que vocês sejam britânicos…ou, sei lá, civilizados…), ou seja, é como um jogo de vídeo-game incrivelmente complexo em que você nunca consegue salvar as fases pelas quais já passou e sempre tem que recomeçar do zero. Não existe “memory card” emocional, acho.
Fiquei então sentado no quarto, pensando se seria mais saudável jogar fora as cartas (pensei numa pira alta, no meio da garagem, onde eu também queimaria, talvez, os CDs do Lionel Ritchie que a minha mãe tem, pra aproveitar o fogo) ou guardar, em respeito ao que aconteceu e a toda essa pequena grande história pessoal. Coloquei Wilco pra tocar e passei vinte minutos pensando nela, em tudo que tinha acontecido e em como eu tinha terminado com tudo. Olhei pras cartas de novo, reli algumas.
No final acabei optando pela saída mais emocional. Guardei as cartas no armário. Se ela um dia ficar muito rica eu posso conseguir alguma coisa fazendo chantagem, nunca se sabe.
Movie Review # 7
Junho 20, 2009

A Mulher Invisível
Cotação 6/8
Uma coisa que sempre me ressentiu um bocado em boa parte do cinema nacional é que ele não parecia ser feito exatamente para o público e sim para o autor. Não que eu tenha nada contra o cinema autoral, mas sempre achei que o conceito seria mais o de passar uma perspectiva autoral através da obra e não o de fazer uma obra que apenas o autor e alguns estudantes de cinema conseguissem gastar algumas horas apreciando (mas vocês podem em chamar de americanófilo vendido e inimigo da arte, eu vou entender). Por isso eu não nego que chego a ficar feliz com a intenção que parece ter surgido nos produtores de cinema brasileiros de fazer filmes que, ó supremo mistério da indústria, o público realmente possa, em algum momento, sentir alguma vontade de ver por alguma razão que não a de impressionar as garotas no bar do DCE. Claro, nesse processo surgiram criações que vão desde filmes malas como “Dois filhos de Francisco” e “Olga” até filmes realmente divertidos e que te motivam a pagar uma entrada de cinema, como “Meu tio matou um cara” e, claro, “A Mulher Invisível”.
Com direção e roteiro de Cláudio Torres (do irregular mas interessante “Redentor”), o filme conta a história de Pedro, um cara extremamente romântico que, após ser abandonado pela esposa, que alegava que a vida deles era “segura demais”, se afasta do mundo e acaba conhecendo a mulher perfeita, sua vizinha Amanda. Ela adora tudo que ele faz, é linda, não reclama de nada, em suma, ela é perfeita mesmo. Ela só tem, é claro, um defeito. Ela não existe.
Bem, procurando na sua mente você vai achar que já viu isso antes, e provavelmente já viu mesmo, mas é aí que está a graça do filme: “A mulher invisível” não tem medo de ser um filme “normal”, em nenhum instante. Está ali toda a fórmula do cinema americano, desde a divisão do filme em três atos e um epílogo até o melhor amigo engraçado do mocinho, a vizinha real que é tão interessante quanto a vizinha imaginária, toda aquela aura de “familiaridade” que os americanos aprenderam que o cinema precisa ter se quiser lotar salas e fazer dinheiro. A diferença é que Torres conseguiu ao mesmo tempo contar uma história que pode atrair o público sem pra isso abrir mão de contar uma boa história, e se cercou de ótimos atores, além de ter escrito um bom roteiro.
Primeiro Selton Mello. Bem, o Selton Mello é foda. Ele dublou Peanuts, ele fez o João da Ega em “Os Maias”, ele é um dos poucos atores brasileiros “jovens” que consegue carregar um filme nas costas (acho que o outro seria o Wagner Moura) e, se as minhas expectativas em relação a “Feliz Natal” se concretizarem, vai ficar provado que o cara também é um ótimo diretor. E ele fez piadas sobre o Oswaldo Montenegro nos “Aspones”. O que mais eu posso dizer de um cara desses? A atuação dele, ainda que numa onda careteira meio “Jim Carrey”, é excelente e serve pra ancorar o filme. Mas isso você provavelmente só vai entender quando, lá pro final, ele para na frente do elevador e começa a dizer “eu estou bem, eu estou bem, está tudo bem”. Sensacional, mesmo.
Luana Piovani faz o papel que é possível pra Luana Piovani fazer, e cumpre muito bem a tarefa de ser “a mulher dos sonhos”. Não foi aquela atuação toda (mesmo porque não precisava ser), mas conseguiu contar a história da forma que precisava ser contada e colocar a autenticidade necessária nas falas. Pedir mais o que, né? Vladimir Brichta fez o papel de malandrão que ele sabe fazer tão bem e Maria Manoella (de quem eu nunca tinha visto nada), se saiu sensacionalmente bem no papel da vizinha, aquela coisa de mocinha tímida de comédia romântica, se encaixando totalmente.
Espero mesmo que o filme dê uma bela grana, porque vale a pena ser visto (ainda que, depois de pegar uma sessão de sábado a tarde e notar que na sala estávamos apenas eu, um casal de garotas e um velhinho que parecia bêbado, eu não sei o que pensar) e é mais um passo rumo a conseguir conciliar uma indústria cinematográfica nacional de qualidade com uma produção autoral significativa e influente. Meus próximos compromissos com o cinema nacional agora são “Apenas o fim”, do Matheus Souza, que parece ser uma comédia romântica/dramática nacional com toques de cultura pop(?!) que eu duvido que vá passar em Juiz de Fora e o documentário sobre o Simonal, o tipo da idéia que lá fora daria uma mini-série premiada com vários Globos de Ouro e um filme com Oscar pro Jamie Foxx, mas no Brasil tende a não passar nem uma semana em cartaz.
De qualquer maneira esse é um filme que vocês deveriam ver, fosse ele brasileiro, americano, inglês, búlgaro ou indiano (ainda que na Índia um filme com um protagonista controlador de tráfego fosse ser beeeem mais engraçado. “Acidente envolvendo uma vaca e uma van cheia de crianças na avenida principal, Nandra. Mande alguém lá pra salvar a vaca, agora!”), mas que por ser nacional ganha toda uma simpatia especial e merece o nosso incentivo. Eu recomendo. (mas nem a pau devolvo seu dinheiro se você não gostar, claro…)
Cotas para as cotas
Junho 18, 2009

Estava eu vendo um boletim sobre a São Paulo Fashion Week (eu vejo essas coisas sobre moda como se fosse Orson Welles transmitindo a Guerra dos Mundos pelo rádio: parece real, mas não pode ser real, o universo não é assim) quando soube que por decisão da organização existe uma cota estabelecida que orienta que 10% dos modelos a desfilar nas passarelas do evento precisam ser negros, indígenas ou afro-descendentes. Ou indígeno-descendentes. Ou os dois. Ou qualquer parcela de uma das duas coisas. Ah, vocês entenderam.
Eu sempre fiquei meio dividido em relação ao assunto das cotas. Afinal, como afro-descendente (e bisneto de judeus) que tem cara de árabe mas na verdade é um esquimó, a questão de levar algum tipo de vantagem por ser de um grupo etnicamente minoritário ou de um grupo etnicamente majoritário que não se dá muito bem acaba sempre parecendo atraente, mas existem ramificações complicadas. E não falo apenas que, por exemplo, o sistema de cotas nas universidades, por mais bem intencionado, gentil, mano, correria, sangue bão e roots que seja, é apenas um paliativo pra uma situação de colapso da educação pública que afeta brancos e negros, mas acaba prejudicando mais os negros porque eles representam a parcela majoritária dos muito pobres. Isso qualquer candidato a vereador poderia falar e é chato de ficar repetindo.
Também não vou falar que tenho minhas restrições quanto a ações afirmativas porque desconfio que se você ficar exaltando o fato de que é branco e ele ficar exaltando o fato de ser negro nós não só vamos estar nos distanciando um pouco mais de qualquer tipo de integração étnica como também vamos estar ratificando a noção bizarra de que existem raças diferentes (biologicamente isso não existe, até onde eu sei) e deixando muito sem graça as pessoas que, como eu, são tecnicamente cinzas (branco + preto = cinza?), amareladas, cor de burro quando foge ou os afro-asiáticos, essa minoria composta apenas pelo filho do Amaral, aquele que jogava no Palmeiras.
E claro, ainda assim, mesmo com todas essas restrições, talvez as cotas sejam um passo válido, ao menos no curto prazo. Afinal,oferecem novas oportunidades a uma parcela anteriormente excluída da sociedade e criam a chance de que esse grupo também aumente sua renda e seu status. Claro, o sistema de cotas visando incluir a população negra e pobre no mercado de trabalho não faz absolutamente sentido nenhum num contexto em que a universidade pública é abandonada e o governo prefere dar semi-bolsas pra todo mundo em faculdades particulares (o que, evidentemente é mais barato. Quer dizer, não é não…hummm), mas quem sou eu pra cobrar coerência das pessoas depois de baixar um cd da Katy Perry e achar divertidão?
Desconfio que provavelmente o que “pegou” pra mim foi o fato de serem cotas num desfile de moda. Claro, eu entendo o argumento de que isso não só garante empregos como também ajuda a inserir a beleza negra num contexto mais amplo da sociedade, uma coisa “revista raça vibrations”. Entendo totalmente. Mas não deveriam existir coisas mais importantes no horizonte? Afinal, acho que a OAB jamais vai aceitar que em concursos públicos pro cargo de advogado existam cotas para o cargo, ou mesmo que cada escritório tenha que ter seu número de advogados negros. E nem sei se deveria aceitar, pra ser sincero. A constituição não garante oportunidades iguais pra todos? Então quando você torna menos íngreme os caminhos para alguns você não está indo contra isso? E isso vale pra todas as minorias? E até que ponto as cotas ajudam a realmente mudar a situação social do país? Afinal, numa loja de eletrônicos os seguranças continuam seguindo cerca de 95% dos negros que entram, independente do sistema de cotas, e não é pra dar carinho e atenção.
Talvez eu duvide das cotas porque sou um acinzentado de classe média e consegui achar meu espaço no mercado de trabalho sem precisar da ajuda delas (ainda que tenha sido no serviço público e mesmo assim eu seja sempre o “mais moreninho” em todos os lugares em que eu trabalhei) e teria uma opinião totalmente diferente se eu tivesse estudado em uma escola pública ruim (eu estudei num colégio militar, que é uma escola pública mas não aceita isso e se atacada reage com baionetas) e tivesse perdido várias vagas de emprego para pessoas brancas/arianas/albinas (eu sempre perdi vagas para asiáticos, o que me faz defender um sistema de cota máxima de 10% para japoneses). Mas eu desconfio que ainda que a idéia seja boa ela consegue ao mesmo tempo parecer exagerada e ser muito, muito pouco.
Afinal, uma idéia paliativa faria sentido diante de um projeto maior que a tornasse desnecessária no longo prazo, algo que permitisse que as pessoas conquistassem seu espaço, sem que ele fosse reservado, num processo lento, mas sólido, e que fosse realmente significar mudança num longo prazo. Afinal, estamos no Brasil, não sei se vocês lembram. E por aqui se você criar uma cota de 10%, iremos sempre ter só 10%, ninguém vai tentar passar além disso, afinal, estamos “seguindo a lei” e ponto final. E é por isso que é ao mesmo tempo exagerado e muito pouco: porque 10% pelas cotas, por força de lei, parece gente demais. Mas 10% conquistado por métodos igualitários ainda vai ser muito pouco em termos de proporção populacional. Mas sei lá, talvez isso faça um pouco mais de sentido pros índios, vai saber…
Top 5 – Piores pesadelos recorrentes
Junho 16, 2009

Inspirado no post da Érica resolvi listar aqui os meus piores pesadelos recorrentes, ou seja, aqueles que mais vezes me aterrorizaram até hoje.
O do Lanterna Verde: eu estou em um beco, saindo de um bar com meus amigos, mas eu preciso urinar num canto do beco e eles me deixam pra trás. Aí aparece um anão azul voador que obviamente é um Guardião do Universo (obviamente pra mim, pra vocês está aqui o link) e ele me diz: “João Luis, por sua grande capacidade de superar o medo você foi escolhido como o Lanterna Verde do setor 2814. Aqui estão seu anel e sua bateria”. E aí eu coloco o anel e surge em mim um sensacional e clássico uniforme levemente inspirado no do Hal Jordan mas com toques de Sodam Yat (mais links pra vocês) e eu começo a fazer o juramento e carregar o anel. E aí, logo no meio do “no dia mais claro, na noite mais densa” o anão vira e me pergunta se o meu Luis é com s ou com z. Porque se for com s ele entregou o anel pro cara errado e vai ter que pegar de volta.
O do lateral: é uma final de campeonato mundial e eu sou zagueiro do Flamengo. Estamos perdendo para o Real Madri por 1×0 e o Robinho está vindo com a bola dominada pra cima de mim, que sou o último homem. Ele ginga para um lado, ginga para o outro e pedala. Assim que ele coloca a bola na frente eu levanto meu pé a quase um metro e meio do chão e lhe acerto uma bicuda no peito, que o juiz considera lance de jogo. Saio com ela dominada, toco pro Cocito, que é volante do meu time, pra logo depois receber na frente. Passo pelo Beckham, passo pelo Kaká ganhando na ombrada e deixo o Cristiano Ronaldo sentado no chão. Então eu lanço pro lateral do meu time e corro, sozinho, pra área, pra cabecear. Aí eu levanto a cabeça e vejo que o lateral é o Índio Irakinã. Então eu levo uma bolada muito forte na cabeça e acordo.
O da Natalie Portman: Eu estou numa festa e alguém me apresenta pra Natalie Portman. Nós conversamos e ela parece bastante interessada em mim. Nós continuamos conversando e ela continua parecendo interessada em mim. Se passam mais de 5 horas e ela continua interessada em mim (festa loooonga). E aí, quando eu estou me preparando pra chegar nela, eu me lembro que eu sou eu. Eu sei, não parece um pesadelo contando assim, mas é porque vocês nunca me viram tentando ficar com ninguém…
O do Justin : Não quero falar nisso de novo…
O do despertar sem fim: eu acordo e noto que estou sonhando. Aí eu acordo de novo, mas ainda sei que estou sonhando. Aí eu acordo de novo, mas ainda sei que estou sonhando. E de novo. E de novo. E de novo. Até que eu finalmente acordo de verdade. Mas percebo que estou preso dentro de um antigo rótulo de Pó Royal.
P.S: Diante da atual correria que virou a minha vida (dois dias por semana no Rio fazendo exames médicos, dois dias por semana em Viçosa trabalhando e dois dias em Juiz de Fora descansando, o que além de ser cansativo me faz desconfiar que alguém está me roubando uns 4 ou 5 dias por mês…) está sendo complicado escrever material novo pro blog, então nos próximos quinze dias eu devo ir publicando textos curtos ou então o material que sobrou ainda não publicado, por isso não se surpreendam com textos sobre a final da Copa de 70, resenhas de discos dos Beatles ou posts totalmente fora de qualquer contexto (ou apenas muito ruins). Mas assim que eu voltar ao mundo dos que não dormem em rodoviárias se preparem para muita diversão e azaração com a galerinha super-descolada de sempre. E um suco de beterraba pra mim, garçom!
Biografias reais, bandas imaginárias
Junho 15, 2009

Olodoom
Fundada por Doninho Manduca, meio irmão de Carlinhos Brown e ex-percussionista da Timbalada, em 1992, o grupo Olodoom tinha uma proposta no mínimo inusitada: fazer death metal baiano com pitadas de axé. Para isso Doninho convidou uma equipe de músicos que ele considerava capazes de levar em frente seu audacioso projeto: no baixo Pepeto Morais, sobrinho-neto de Morais Moreira; nas guitarras Dinelson Teixeira, ex-Chiclete com Banana e Lucas Screamer, ex-roadie do Angra, além dele mesmo na bateria e no vocal e de Dudinha Magalhães, neto de Antônio Carlos Magalhães, que não tocava nada e entrou na banda apenas por pressões políticas.
Com a primeira formação definida o grupo, no começo de 1993 passou a se dedicar a composição de músicas para o primeiro álbum, que contaria com participações de Dio, Durval Lélis e André Mattos, mas acabou tendo apenas Marrone, na época ainda desconhecido, tocando sanfona em uma faixa secreta do disco. Apesar disso o álbum “Abadá para o inferno” chegou a ter um relativo sucesso de vendas para os padrões de uma gravadora independente, com 15 mil cópias vendidas e o single “Micareta necrófila” sendo executado por algumas rádios baianas antes que um promotor de Feira de Santana proibisse a reprodução do disco em locais públicos.
Depois disso a banda foi para a estrada, fazendo shows por toda a região nordeste, participando inclusive do “Tieta Festival” de 1994, o primeiro festival de música totalmente financiado com dinheiro oriundo de casas de tolerância baianas. Também nessa época a banda passou pelo seu primeiro grande conflito interno, quando Dinelson Teixeira pediu o afastamento de Dudinha da banda, alegando que o afilhado de ACM não só não fazia nada como chegava nos shows bêbado, drogado, vestido de mulher e insistia em tocar o instrumento que quisesse, na hora que desse na telha. O problema foi resolvido com a entrada na banda do guitarrista Leto Catanduva, que substitui Dinelson após este ter subitamente decidido fazer uma viagem só de ida para o Burundi, alegando que precisava estudar culinária e cuidar mais dos filhos e da mulher, apesar de ser solteiro.
Em 1996 a banda retornou aos estúdios, produzindo sob a supervisão de Liminha (o animador de auditório, não o produtor) o álbum “Metal Destruction Forever, Meu Rei”, cujo single “Quero trucidar Caetano” chegou as paradas de sucesso da região sudeste e lançou realmente a manda no mapa do rock nacional, com aparições nos programas de Ronny Von e Ana Maria Braga. Outros sucessos desse disco foram as canções “Me fatia na Bahia” e “Sou um íncubo sem hospedeiro sem você”, que chegou a entrar na trilha sonora de Malhação. Apesar do sucesso esse foi um período complicado para a banda, com várias queixas por parte dos fãs com relação a uma possível “traição” da banda ao movimento do death-axé-rock baiano, alegando que o som do segundo disco havia se tornado excessivamente comercial. Também nesse disco a banda manteve uma estranha mania que havia começado em “Abadá para o inferno”, a de colocar escondidas em todas as faixas mensagens positivas como “dê um abraço em sua mãe” e “leia a bíblia”, que só poderiam ser ouvidas se o disco fosse tocado ao contrário.
Com o sucesso os problemas de Dudinha quanto as drogas se agravaram, causando a sua morte após uma overdose de cocaína, maconha, ecstasy, lsd e Kapo de uva, tudo isso dentro do mesmo acarajé. Apesar da morte do integrante o grupo, por razões políticas, continuou tendo que pagar sua parte nos shows e pedir sua opinião em questões criativas, tudo isso sendo feito através de um pai de santo recomendado pela família Magalhães.
Devido a morte de Dudinha a banda entrou em um hiato e decidiu encerrar oficialmente as atividades em 1998, com vários integrantes seguindo carreiras solo ou se envolvendo em outros projetos. Se Doninho abandonou a carreira musical, irritado com as constantes declarações de que apenas no Roupa Nova o baterista podia cantar, Pepeto passou a produzir bandas novas no estado de Sergipe, enquanto Lucas e Leto montaram uma nova banda, a “Chupeta Mascava” dedicada a tocar apenas versões em português de músicas do Geroge Michael em festas de 15 anos para adolescentes gays.
O destino parecia selado para o Olodoom até 2003, quando a MTV baiana começou a produção de um especial da banda e propôs reunir todos os integrantes originais para uma última apresentação, incluindo até mesmo Dudinha, incorporado no corpo do Pai Preto de Olhubababaluaênaminhaminhamãoéumreal. Durante os ensaios para o especial, porém, a banda notou que antiga dinâmica ainda existia e acabou propondo que o especial tomasse outro rumo, surgindo assim o “Acústico MTV – Olodoom”, um audacioso projeto que incluiu músicas clássicas da banda como “Micareta Necrófila” e “Quero Trucidar Caetano”, mas também apresentou novos sucessos, como “Me and Bel in da hell” e “Melada de Cianureto”, além das participações especiais de Ivete Sangalo em “Kill, Kill, Krill” e de Sérgio Mallandro na cover de “Um capeta em forma de guri”.
Depois disso a banda ficou na estrada até 2007, com uma extensa turnê do disco por todo o Brasil, incluindo desde grandes capitais como Rio Branco até pequenas cidades como Guiricema, com imenso sucesso de público e de crítica, levando a banda a gravar um novo disco de estúdio em 2008, intitulado “Demônios no Elevador Lacerda”, com participações de Wagner Moura e Lázaro Ramos nos vocais e nas letras em diversas faixas, como os singles “Essa noite comerei ter xinxin” e “Eu se fosse você dava pra mim. No inferno”. Apesar da produção bem trabalhada e da enorme publicidade, o disco não conseguiu sucesso nem de público e nem de crítica, levando Doninho a novamente abandonar a banda para se tornar jurado do quadro de calouros do programa “Bole Bole” da TV Diário do Ceará, o que causou o esfacelamento da banda, que ruiu sem a presença de seu vocalista, baterista e líder.
Atualmente Lucas e Leto se dedicam ao gênero sertanejo de duplo sentido, alcançando até relativo sucesso com a música “Chupeta debaixo da carreta”, enquanto Pepeto comprou uma franquia do Habib’s em Salvador; Dinelson continua morando no Burundi, pois ainda não acredita que ACM tenha realmente morrido e Dudinha continua morto, ainda que dando consultoria empresarial e musical numa esquina do Pelourinho.

E sim, chega o dia 12 de junho e nessa sexta-feira é comemorado o dia dos namorados. Claro que esse tipo de feriado mezzo emocional mezzo comercial acabou perdendo o seu apelo depois que a os lojistas passaram a forçar a barra e inventar coisas como o dia da amante, o dia da ex-namorada e o dia daquela garota com quem você ficou naquele show dos Paralamas em que estava tão bêbado que se sentou em cima do muro, chamou o policial militar de Sr. Sulu e disse que era pra ligar os motores de dobra que você iria acabar com todos os romulanos ali mesmo, mas ainda assim é uma data que tem seu significado. Afinal, se você namora é um ótimo dia pra tentar fazer alguma coisa especial, exagerar no romantismo ou pelo menos gastar um dinheiro num presente relativamente interessante. E se você está solteiro é um dia pra…pra…bem, vou dar aqui cinco interessantes sugestões do que fazer no dia dos namorados quando você não tem namorada, namorado, ficante, ou algum ser vivo (ou não) com quem você se relacione de forma romântica, afinal, cada um cuida da sua vida e tal.
Arrume alguém: Dia dos namorados, sexta-feira, provavelmente isso irá despertar em certas pessoas emocionalmente mais frágeis um certo nível de carência afetiva que pode resultar no surgimento de um novo relacionamento logo nesse dia tão especial. Pense só, que coisa fofa pra contar pros seus filhos: “sabia que mamãe e eu nos conhecemos no dia dos namorados, Junior?”. Bem melhor do que se conhecer no funeral do síndico ou no dia do açougueiro, não? Então se anime, vista sua melhor camisa com listras que te emagrecem, penteie o cabelo, use aquele Axe que promete fazer as mulheres te morderem (mas não cumpre, infelizmente…eu testei…) e saia para a noite, meu garoto (ou minha garota)!
Atrapalhe a noite de um casal: Você não acredita nas suas chances de conseguir alguém e prefere jogar na segurança, com algo que você tem certeza que consegue fazer, ou seja, incomodar a noite de outras pessoas. Então faça isso! Escolha seu casal favorito e force a barra para sair com eles, destruindo totalmente qualquer possibilidade de que eles tenham uma noite realmente romântica ou divertida em qualquer aspecto. Leve eles para o Habib’s, peça um sundae imenso e fale sobre sua vida pessoal, diga que está carente e se sente entre os dois no cinema, leve seu porta-cd e ouça Rogério Skylab no carro deles, coisas assim. Afinal, como dizia meu avô, se você não pode vencê-los, incomode-os.
Curta uma fossa: Claro, existem pessoas que preferem curtir seu dia dos namorados solitário de uma forma mais introspectiva, mais reflexiva, ou seja, na fossa mesmo. Faça um jantar solitário ouvindo Eric Clapton, depois sente sozinho para assistir “Cidade dos Anjos” ou “Casablanca” tomando sorvete no pote e finalize relendo as cartas da sua ex-namorada que agora está noiva de um cara mais bonito e bem-sucedido do que você! Claro, antes disso se lembre de esconder todas as facas e outros objetos pontiagudos e de colocar aquelas redinhas nas janelas, mas não perca a chance de curtir essa noite com o seu emocional uns 6000 metros abaixo do nível do mar!
Fique em casa com a sua mãe a ouvindo falar mal do seu pai: Uma forma bem legal de não se sentir mal por estar sozinho é, quando você tem pais divorciados, ficar em casa e pedir pra sua mãe falar sobre casamento, vida a dois e relacionamentos em geral. Provavelmente depois de meia hora de conversa você já vai se sentir feliz por estar sozinho, mas se tiver força de vontade e suportar, digamos, umas 4 horas, você vai terminar essa noite totalmente convencido de que nunca mais deve nem mesmo se aproximar de pessoas do sexo oposto, seu pai é o anti-cristo e o casamento é uma instituição com tantas chances de sucesso quanto um acústico do Carrapicho (“bate forte o tambor, eu quero é tiquetiquetiquetiquetá”).
Namore com você mesmo: Bem, é dia dos namorados, que tal dar uma atenção especial para a pessoa que você mais ama no mundo? Sim, vista uma roupa bonita, se arrume, pague um taxi para você mesmo e se leve para jantar, se dê um presente legal, quem sabe um cinema depois, talvez até beber alguma coisa. Você se conhece bem e sabe como se fazer feliz. Depois vá para casa, coloque uma música, um cd que você goste, talvez assistir um pouco de televisão, aquela sua série favorita. Então uma sobremesa, alguma coisa leve e depois…bem, depois, é contigo, mas eu não recomendo que você se leve pra cama no primeiro encontro, vai fazer com que você se ache fácil e depois descarte a si mesmo. E bem, você não quer que você mesmo comece a te telefonar de madrugada te chamando de canalha, não?
P.S: Alguém mais aqui, quando pensa no dia dos namorados, acaba inevitavelmente se lembrando dos problemas que Charlie Brown tinha por nunca receber um cartão? Sério, eu realmente associei a data com isso…