It’s nice to be out

Março 30, 2009

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Como todo mundo sabe, eu estou solteiro. Mas não apenas solteiro, eu estou realmente sozinho, disponível e desinteressado. Mas não apenas solteiro, sozinho, disponível e desinteressado, eu realmente estou livre, sem estar apaixonado por ninguém. Eu sei, eu sei, “grande coisa”, vocês dirão, mas é porque vocês não tem a noção exata do quanto isso é incomum, afinal, desde os 7 anos que eu, com pausas curtíssimas, sempre estive apaixonado por alguém. Sempre. Desde quando fiquei gamado na filha do cara que consertava a máquina de lavar da minha casa até o final do meu mais recente semi-quase-relacionamento-traumático, eu sempre estive emocionalmente envolvido com alguém. Foram colegas de sala, de curso, amigas, vizinhas, ex-namoradas de amigos, colegas de crisma (?!), colegas de trabalho, semi-desconhecidas randômicas, balconista de locadoras, vendedoras de óticas,ou seja, basicamente quase todo tipo de garota com quem eu tive contato nos últimos 17 anos. E finalmente agora eu resolvi me dar uma folga e parar com essa bobagem.

Claro, eu sei que a culpa é minha. Eu admito, eu sou um cara fácil. Quer dizer, eu sou um cara muito fácil. Quer dizer, eu sou um cara extremissimamente fácil, daqueles que, se fossem uma garota, realmente teriam tido uma fama ruim no colégio. Eu consigo me apaixonar com uma facilidade extrema. (Um sorriso bonitinho? Estou apaixonado. Uma voz engraçadinha? Vamos namorar. Um senso de humor acima da média? Eu te amo. Você sabe o juramento dos Lanternas Verdes? Eu quero ter filhos com os seus olhos, vamos até um cartório agora!) E toda essa facilidade pra ver as qualidades nas mulheres ainda se soma com fatores como a minha imaginação fértil (saibam, quanto mais distante da realidade você vive, mais fácil gostar das pessoas), a minha total incapacidade de dizer não (meu deus, eu realmente teria tido uma fama ruim no colégio se fosse um garota…) e uma certa volubilidade da minha parte, que me permite estar apaixonado e não fazer lá muita coisa em relação a isso (para fins de auditoria, de todas as garotas por quem me apaixonei eu consegui ficar apenas com…duas…).

E com isso eu fui emendando uma paixão na outra. Me apaixonava, sentava em casa esperando passar(se você trocar o elemento feminino pelo vírus influenza isso fica impressionantemente parecido com o procedimento padrão durante uma gripe, não?)e me apaixonava de novo. Algumas vezes eu levei à sério e fui à luta, o que resultou, por exemplo, no meu namoro (eu iria dizer “segundo namoro”, mas me lembrei que decidi ignorar meu primeiro namoro para fins de cronologia), e em alguns outros bons momentos. E claro, também tive minhas curtas fases de paz, principalmente nos entre-guerras (períodos pós final de namoro), mas logo depois o meu instinto novamente se manifestava e eu ficava apaixonado. De novo.

Mas agora acho que algo mudou. Não sei se foi um natural amadurecimento (ainda que amadurecer não seja tão natural assim pra mim), uma certa desilusão com o gênero feminino (experimente assistir uma temporada inteira de “Sex and the city” e reparar em duas capas de “Nova” e me diga se você não vai gostar menos das mulheres…) ou mesmo o fato de que agora eu tenho um computador melhor e dinheiro para comprar um playstation, mas eu acho que acabei ficando mais difícil. Acho que hoje já consigo resistir a um sorriso bonitinho, a uma voz engraçadinha e a um senso de humor acima da média. Uma mulher que saiba recitar o juramento dos Lanternas Verdes? Bem, uma coisa é ficar frio e sem esperanças, outra muito diferente é se esconder do amor verdadeiro, não?

Top 5

Março 27, 2009

5 Hábitos que as pessoas precisam de 20 anos morando sozinhas para adquirir e eu ganhei em dois meses

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Falar sozinho: Eu sempre gostei de falar sozinho. Primeiro porque é uma das poucas formas de falar sem gaguejar absolutamente nada (as outras duas são falar com um tom de voz diferente ou falar imitando o Selton Mello, o que é meio degradante depois de um certo tempo…) e depois porque é uma forma de preencher o ambiente quando eu me sinto realmente solitário. Mas ultimamente tenho estado preocupado. Não sei dizer exatamente quando esse hábito tomou contornos patológicos, mas desconfio que foi em algum momento entre eu ter começado a falar com um amigo imaginário e esse amigo imaginário ter se mudado porque achou que eu falava demais.

Assistir programas de culinária: Uma coisa engraçada de quando você mora sozinho é que você começa a se interessar bastante por programas de culinária, mas continua vivendo naquela dieta pirata , baseada em carne enlatada, legumes enlatados, doces enlatados e biscoitos enlatados. Sua única atitude para fugir do botulismo é começar a comprar o óleo de soja naquela embalagem de plástico.

Assistir Lazy Town : Ok, ok, só eu faço isso…Mas vocês podem fingir e me dar um apoio…Custa nada…

Dar papo para pessoas desconhecidas: Eu sempre fui uma pessoa anti-social, mas desde que comecei a morar sozinho notei em mim uma certa tendência a alongar conversas totalmente desnecessárias com pessoas estranhas, apenas para suprir minha necessidade de companhia. Ou seja, o bêbado da rua me pára e diz “eu…azul…inflama…Ramalho,volante do São Caetano…baba…evita perón…girassol…abluéééé” e eu ao invés de sair correndo digo “nossa, que interessante, me fala mais sobre isso? Ablué? Como assim?”

Usar a TV como companhia: Quando você está sozinho a TV realmente pode se sair muito bem no papel de amiga, companheira e terapeuta. Eu, por exemplo, depois de dois meses acompanhando o programa da Oprah aumentei bastante a minha auto-estima como mulher negra e…humm…eu não sou uma mulher negra…hummm…Preciso realmente ver menos TV…

 

The Farrazine Theory

Março 24, 2009

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Acho que já se passaram uns dois anos desde que eu ouvi pela primeira vez a frase “cara, assisti um seriado e me lembrei de você…se chamava “the big bang theory”. Desde então eu ouvi essa referência umas boas vinte vezes, da parte de amigos, parentes, amigos de amigos e derivados. Após um bom tempo me sentindo bastante curioso em relação ao programa, finalmente consegui, essa semana, assistir a primeira temporada e só posso dizer que fiquei chocado…Nerds, pessoas com dificuldades de relacionamento, caras que falam muito rápido sobre assuntos científicos com os quais ninguém mais se importa, referências sobre ficção científica e pessoas usando camisas com estampas de personagens em quadrinhos…Como alguém conseguiu ver uma coisa dessas e lembrar de mim? Mas essa não é a pergunta mais importante…A verdadeira questão é onde eu encontro à venda um sabe de luz como aquele que aparece no segundo episódio da temporada?!
 

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E saiu mais um Farrazine, pessoal. Na edição número 10 (quem poderia imaginar que iríamos tão longe?) temos Rafael Grampá, resenha de Watchmen, Albaria, Clube da Luta e Elvis. Da minha parte temos um artigo sobre J.D. Salinger e uma página inteira com a origem do Capitão Confiança, desenhada pelo genial Mainardi (quem poderia imaginar que um personagem assim teria um desenhista tão bom?). Baixem e sejam felizes. Ou baixem e sejam infelizes, mas baixem. Mas claro, se vocês ficarem felizes eu vou me sentir melhor…Ok, deixa pra lá…

 

Baixe aqui!

 

P.S: E sobre a minha atuação em BH…Bem, eu fiz o que podia…Cheguei no grupinho, disse que era um professor de uma escola americana pra jovens especiais e tinha alguns coleguinhas superdotados que queriam conhecer garotas de fora do Kentucky. Teria dado certo se eles soubessem fazer o sotaque com um mínimo de decência, não é culpa minha…E Elisa e Angélica, eu realmente consigo falar direito com vocês duas…Então acho que eu deveria casar com uma de vocês, algo asim…Ah, vocês tem namorados, certo? Droga, lá se vai minha vida pessoal embora de novo…Mas eu sinto que quase cheguei lá dessa vez…

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Cidade de BH, quinta-feira, numa boate chamada Swingers (que não, não é uma casa de swing…ou então é uma péssima casa de swing…ou então eu sou mais distraído do que eu poderia imaginar). Um grande grupo de pessoas do meu curso, em sua maioria homens. Sentamos numa mesinha pra bater papo e ao lado está um grupo de garotas loiras, todas seguindo alguma espécie de padrão engraçado de fabricação e embalagem. Noto uma certa apreensão no meu grupo diante do contato com as garotas, mas estou mais concentrado no meu copo. Começa a surgir uma troca de olhares entre os dois grupos, mas eu continuo concentrado no meu copo. Nesse momento um dos caras bate no meu ombro e me vem com a seguinte frase:

“João…vai lá falar com elas pra gente…”

“Eu? Falar o que?”

“Ah, puxar conversa, bater papo, você se apresenta, faz contato e depois chama a gente…”

“Eu ir lá puxar papo? Mas por que eu?”

“Cara, de nós aqui você é o que sabe falar melhor com mulher…”

Eu parei, respirei fundo, olhei pro céu e disse para mim mesmo: “Deus, essa noite vai ser muito estranha…”

Após um período de viagem, aprendizado e visitas à casas de swing onde ninguém faz swing, estamos de volta ao funcionamento normal…

Bem, como todos notaram (ou não), o blog vai ficar parado essa semana e na próxima devido a uma fundamental viagem de trabalho para um curso em BH, que irá durar até o outro final de semana. Apenas para descrever o quão útil e instigante tem sido o curso: depois de três dias com aulas de seis horas de duração a coisa mais produtiva que eu fiz foi compôr uma versão em forró para a música “Devil in Disguise” do Elvis, que seria mais ou menos assim “Você parece um anjo/anda como um anjo/fala como um anjo/mas eu não caio mais/você é o demo, é satanás”. É como no colégio, só que eu sou pago pra isso. Sério, eu adoro workshops!

Até mais, pessoal!

Um tipo de pessoa que eu sempre respeitei é a pessoa contundente. Sim, aquela pessoa que chega e dispara declarações como se fossem axiomas, verdades máximas do universo, regras inexoráveis acima de qualquer discussão. Ela não tem opiniões, ela exala verdades. Ela tem certeza absoluta do que diz e considera absurdo que alguma pessoa conceba, mesmo num universo hipotético, a possibilidade de que ela esteja errada.

Eu sei, claro, que odeio ter esse tipo de gente por perto, mas admito que tenho um nível de admiração bem grande por pessoas assim, já que eu sou exatamente o contrário. Afinal, eu sou incapaz de ser contundente, seja na questão que for, já que tudo que eu digo é precedido ou concluído com um “eu acho”. Eu não sinto dor, eu “acho” que sinto dor e eu não fico com raiva, “eu acho que fico com raiva”, o que já tira qualquer possibilidade de impressionar o interlocutor com a minha convicção. Afinal, tenta me imaginar assaltando um banco (“eu acho que você deveria colocar todo o dinheiro nessa sacola e me passar…eu acho…”) ou pedindo alguém em casamento (“ eu acho que te amo…e você deveria se casar comigo…ou não…”) , seria um fail total…

Além disso existe a minha natural confusão e insegurança em relação as coisas. Como ser contundente quando não se tem convicção de nada? Até pra responder de que cor é uma parede eu tenho dificuldades e me sinto pressionado (“ok, isso é verde…quer dizer, parece verde, o espectro luminoso pode ser confuso, e com essa sombra…e se eu for daltônico? eu tenho um tio daltônico, eu posso ser também…e se for laranja? ou musgo? existe cor musgo? e é verde claro? escuro? hummm…”), resultando em respostas confusas, hesitantes e um tanto quanto dúbias.

Mas claro, isso nunca me incomodou (eu acho), até algumas experiências passadas quando, em momentos de tensão durante discussões com ex-namoradas eu não consegui ser…hummm…contudente como eu gostaria.

“Olha…eu…acho que…não dá mais…”

“O que?! Seu escroto! Seu maldito! Te odeio!”

“Bem…eu…humm…não fica assim…sério…”

“Eu vou te matar. Acabar contigo. Botar fogo no seu peixe de estimação! Eu te odeio.!”

“Eu acho que…bem…olha…essa conversa não tá…ajudando…melhor eu ir embora…”

“Vai fugir, né? Você é um merda como o seu pai e toda a sua família!”

“Humm…bem…é…ok…tchau então…tudo de bom pra você…”

Foi nesse tipo de situação que eu notei que talvez eu precise ser um pouco mais convicto. Não falo a ponto de conseguir discordar ou pedir pra pessoa parar, mas pelo menos no nível de conseguir pedir pra que minha família seja mantida fora do assunto, afinal vovó não tem culpa de nada, tadinha, ela até faz bolinhos de chuva pras visitas…

Então passei a tratar como um dos meus objetivos secundários para esse ano aumentar o meu “nível de contundência”, conseguindo dizer as coisas com convicção, certeza e confiança, sem deixar que as pessoas me pressionem ou eu pareça não acreditar no que eu mesmo estou dizendo. Faço exercícios em frente ao espelho (“não quero me converter à sua religião”, “não acho legal você xingar meus pais”, “por favor, me solta”), ensaio com parentes em casa e tenho certeza que em breve vou conseguir me tornar uma pessoa mais convicta e contundente. Eu acho.

Romantismo Desperdiçado

Março 1, 2009

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Sempre tive problemas com relacionamentos pessoais de cunho romântico. Sempre. Por uma razão ou outra, por um motivo aqui ou outro ali, por mais que eu me esforçasse as coisas não fluíam. Quer dizer, fluíam por algum tempo, mas depois eu notava que elas não estavam fluindo, eu é que estava tentando manter artificialmente as coisas fluindo apelas pela necessidade de acreditar que elas conseguiriam fluir. E talvez, claro, por alguma necessidade patológica de usar o verbo “fluir” várias vezes, mas vamos falar disso outro dia.

O que conta é que nada “dá certo” e eu sempre pensei em várias razões pra isso. A minha insegurança natural (eu sou tão inseguro que peço licença pra mim mesmo ao entrar no meu quarto vazio), dificuldades de comunicação (“eu disse que era pra passar o pão, não pra matar meu irmão, querida”), diferenças comportamentais/mentais excessivas entre eu e a parceira (“Belinha, você é uma zebra e eu sou humano…nunca daria certo…meus pais tem problemas com listras…”), ou até mesmo o fato de que nada nunca dá certo e eu sou uma pessoa iludida em termos de romance por vários anos de filmes da Meg Ryan na TV.

Até que pensando bem sobre várias coisas, desde relacionamentos prévios até relacionamentos de amigos, colegas, familiares (e vizinhos que discutem alto o bastante pra que eu conheça a vida pessoal deles), eu entendi que o que sempre me faltou (e possivelmente ainda vai me faltar por muito tempo) é compreensão. É alguém que te entende, ou, como diria aquele candidato de Belo Horizonte, “é gente entendendo gente”.

E entender, no sentido que eu falo, é algo complicado. É possível achar alguém que tolere suas diferenças sem entender (“ok, ele tem essa idéia ridícula de que no mundo real alguém pode se tornar Lanterna Verde, mas eu posso suportar isso porque gosto muito dele”), é fácil achar alguém que ignore (“é, ele realmente fala essas coisas estranhas, mas eu posso pensar em outra coisa e fingir que estou ouvindo”) e é fácil até mesmo achar alguém que te conheça (“eu sei como ele está se sentindo e sei como ele vai ficar se eu deixar que ele coma seis bolinhos ana maria”), mas é praticamente impossível achar alguém que te “entenda”.

Entender num sentido completo. Desde conhecer seu background cultural, acompanhar suas referências, entender porque aquela piada é engraçada, porque aquele filme é bom (e mesmo que discorde, saber o porque de você gostar tanto daquela droga). Que entenda as suas razões, seus motivos, suas causas, seus comportamentos, que consiga pensar junto contigo. Que não vá rir quando você contar uma coisa importante pra você, ainda que babaca e nem vá te censurar por causa de uma piada contada num velório com caixão aberto. Alguém que, quando te apoiar, não seja porque apóia qualquer coisa vindo da pessoa de quem gosta ou porque apoiaria até uma tentativa de libertar o Tibet usando um bidê e meio pacote de manteiga, mas porque acredita realmente naquilo que você quer.

E alguém que você entenda, cujos dados você consiga processar. Alguém em quem você note os padrões, alguém que você possa “ler”, uma pessoa cujo comportamento possa fazer sentido pra você, talvez não sempre, mas na maior parte das vezes. Ou pelo menos de vez e quando. Alguém que tenha uma lógica, que você possa apoiar, dar suporte, porque entende o motivo disso.

Entendi que tudo pra mim se resume a isso, em termos de vida pessoal num nível romântico. Compreensão. Estar em algum lugar, olhar nos olhos de alguém e saber que a pessoa está pensando a mesma coisa que eu, mas ela não tem barba e nem serviu ao exército. E saber que tudo não se resume a viver como o Cérebro do desenho animado, que sempre perguntava pro Pinky se os dois estavam pensando a mesma coisa e o mais próximo que conseguia de compreensão era um “sim, mas como vamos fazer Audrey Hepburn montar nua num camelo bebendo coalhada?”.