Numa vibe que não atrai “as muiezada”
Fevereiro 26, 2009

Cena simples que resume o que foi esse meu mais recente (e muito provavelmente último) carnaval em Rio Branco.
Cinco homens numa sala, sentados em frente ao laptop do Yuri, assistindo a primeira temporada completa de Joey. Um de nós se revolta, fica de pé e diz:
“Pô, gente, cinco homens, novos, em pleno carnaval, a gente vai ficar aqui sentado vendo Joey? Pelo amor de deus, caramba!”
Todos param, trocam algumas exclamações de choque e do fundo vem uma voz.
“Tem razão, cara. Coloca House, acho que tem a última temporada salva aí no computador!”
Eu poderia (e talvez até faça) um texto maior sobre o carnaval. Mas não existe descrição melhor do que essa…
Top Five – Músicas sobre sexo casual
Fevereiro 17, 2009

One night stand – The Rifles: A típica música sobre o lado menos romântico (existe um lado mais romântico?) de transar cada noite (dia? tarde? manhã? madrugada?) com uma pessoa diferente e não ter o menor interesse em mudar isso. Também emociona a descrição carinhosa sobre uma das garotas (“i’m not being mean, in fact i’m really quite polite/all i’m trying to say is that you won’t catch her on mastermind”) e a promessa não cumprida de se livrar de uma vida de promiscuidade e pegação (“one day i’ll retire/oh what a liar/just not tonight”). Nota: 3 noites de pegação em 5 possíveis.
Eu nunca disse adeus – Capital Inicial: Uma bela história de bêbado sobre o cara que conhece a mulher numa noite, enche a cara, aporrinha a guria o tempo todo e depois fica se perguntando porque nunca mais conseguiu encontrar com ela. Não deixa claro que ocorreu o intercurso carnal, mas como disse certa vez um amigo meu “se não tivesse rolado ele não iria estar procurando com essa vontade toda”. Nota: 2 pedaços de papel com o número do telefone escrito errado de propósito em 8 possíveis.
You gave your love to me softly – Weezer: Sim, existe o lado romântico do sexo casual. Aquela noite em que você estava chateado, jogado, abandonado, mais solitário do que uma música original num CD do Emerson Nogueira e encontra aquela pessoa que te dá aquela noite que você precisa pra voltar a se sentir uma pessoa. E claro, ela some no momento seguinte pra que vocês ainda possam ter uma impressão boa um do outro depois. Nota: 6 desencalhes de baleia em praias cariocas de 7 possíveis.
Young love - Mistery Jets: O clichê clássico do “one night stand”, onde cara conhece garota, eles ficam por uma noite mas ela some e ele passa a procurar pela sua amada pelas ruas da cidade. Outro clichê sensacional é o do “you wrote your number on my hand but and it came off in the rain”, típico de comédias românticas e, se me lembro bem, já usado (com alguma variação) até em propaganda de carros. Nota: 2 frases daquelas que aparecem dentro de bombom serenata de 5 possíveis.
Strangers in the night – Frank Sinatra: Pouca gente percebe, mas essa é a música máxima sobre sexo casual e a graça de transar no primeiro encontro. Afinal, eles se topam em algum lugar, sem nunca terem se visto antes e acabam indo pra cama, e daí começa um belo relacionamento e tudo mais. Ok, amor à primeira vista é bonitinho, é fofo, mas eles provavelmente já tinham feito isso com outros parceiros antes, daí a prática e a facilidade pra passar de “strangers in the night” pra “lovers at first sight, in love forever”. 6 regravações do Cake em 7 possíveis.
Ilha de Lego – S01EP01
Fevereiro 15, 2009










(Sim, eu fiz isso numa noite de insônia. Mas não, não quero tocar nesse assunto…)
Dude in the box – S01EP01
Fevereiro 12, 2009

Como saber o valor do seu tempo em apenas um telefonema. (Que nem foi pra você.)
Seu gerente te chama na sala dele após você já ter batido o ponto de saída e diz que quer conversar contigo. Te avisa que você mudou de setor, após poucos dias, devido ao seu desempenho impressionante e quer falar contigo, apenas 5 minutos, porque sabe que você já passou da hora de sair. Ele começa e o telefone toca. Ele atende.
Ele começa então a conversar com o cliente sobre um empréstimo, em detalhes. Então ele começa a falar sobre o pacote dele da Net. Em detalhes. Então ele pega uma receita de polenta (?!) em detalhes. Nisso se passam 15 minutos. Então ele comenta com o cliente que tem um rapaz novo no setor de crédito e olha pra você, sorrindo. E explica ao cliente que você entrou no lugar do Vagner. Sim, o Vagner, aquele que pediu transferência pra outro setor por causa do “problema esquisito com a úlcera nervosa”*. Então ele desliga o telefone, depois de te prender durante 30 minutos e te diz que é pra você chegar mais cedo no outro dia, pra continuar a conversa.
*Uma úlcera nervosa é uma úlcera causada por stress ou uma úlcera irritadinha e brigadora que ataca sem a menor provocação?
P.S: Se alguém mais quiser comprovar como minha vista é assustadora e cheia de coincidências bizarras, leia o comentário do Zé no post anterior.
(Como estarei sem acesso prolongado a computadores pelas próximas três ou quatro semanas mas com acesso esporádico a internet, o blog será mantido com textos antigos que nunca foram publicados devidos a critérios relacionados a baixa qualidade, cunho pessoal excessivo ou apenas porque não faziam sentido nenhum. Ou seja, se preparem para um mês bizarrice freestyle. See ya.)
Ao Gérson com carinho
Fevereiro 9, 2009

Ou
Pensão Tyler Durden para pessoas com esquizofrenia aguda
“If you wake up at a different time, in a different place, could you wake up as a different person?”
Neste domingo eu voltei pra Viçosa. Eram cerca de 23:40 quando meu ônibus, cambaleante e fazendo ruídos estranhos, chegou na rodoviária de Viçosa e eu desembarquei. A viagem, é claro, foi como de praxe: dormi, ouvi música e um cara sentou do meu lado e tentou ficar passando a mão na minha coxa*. Me dirigi até o ponto de táxi e pedi que o taxista me levasse até o Hotel Rubi,. Ele riu, o que evidentemente não era um bom sinal, mas eu continuei mesmo assim.
Cheguei ao hotel extenuado, cansado, sem ânimo pra nada e destruído pra caramba. Ah, e querendo dormir também. Na entrada fiz o check in (quer dizer, eu só disse meu nome, mas vamos chamar de check in) peguei a chave e fui levado até meu quarto (na verdade jogaram a chave no meu colo e apontaram a direção do quarto, mas vamos deixar assim). Chegando lá notei que a chave não abria. Tentei mais uma vez, ainda não abria. Tentei de novo. Ainda não abria, fui falar com o senhor da entrada.
Chegando lá ocorreu o seguinte diálogo:
“Licença…Essa chave não abre a porta…”
“Tem certeza?”
“Tenho.”
“Vamos lá testar então”
(Testando a chave virada pra cima)
“Ah, é isso, ela tá virada pro lado errado”
(Sorrisos nervosos)
“Bem…é…não ta funcionando desse lado também…”
“É…”
(Silêncio constrangedor)
“Então, é que eu tinha pedido por Gérson arrumar a fechadura, ela tava meio quebrada, vou buscar a cópia pra ver se funciona”
E então nós testamos a cópia. E nada. E testamos a cópia virada pro outro lado. E nada. E testamos a original de novo. E nada. E aí já eram meia noite e quinze. E nada. E claro, cada teste sem sucesso era intercalado com xingamentos ao Gérson, que não viu a chave, que não trocou a fechadura, que não conserta nada, que não trabalha direito, que não cumpre as suas obrigações e não jogou essa bola toda na Copa de 70. Então o senhor que estava me “ajudando” disse que ia buscar óleo pra ajudar. Em 10 minutos ele me volta, é claro, com um litro de óleo de cozinha, o que me fez pensar que ele ia fritar pipoca pra eu comer enquanto ele dava um jeito na porta. Mas não, ele molhou a chave, besuntou a fechadura, botou um pouco na língua (?!) e tentou de novo. O resultado, é claro, foi…nada.
E continuamos tentando, agora mais exaltados. Já era quase 01:00 e eu continuava trancado do lado de fora do quarto, mala nas costas, visivelmente nervoso e com a certeza de que iria dormir na saleta do hotel. Até que o velhinho diz que vai acordar o Gérson e sai. E não volta. Se passam 15 minutos. Eu começo a ficar chateado de verdade (antes eu estava só brincando). Olho a porta. A porta me olha. Vejo que o velhinho não está no corredor. Dou dois passos pra trás, preparo o ombro e dou uma porrada na porta. Ela abre, mostrando que Deus existe, só cobra bandeira 2 após as 23:00.
O velhinho retorna, com um pote de margarina (que eu nem quero pensar pra que era) e parece feliz por eu ter aberto a porta. Incrivelmente a fechadura não ficou quebrada, apenas aberta mesmo, e é possível abrir e fechar a porta por dentro, só por fora é que o problema continua. Resolvo deitar e só pensar nisso no dia seguinte.
E chega o dia seguinte. Hoje. Acordo, me levanto, lavo o rosto e vou para a sala do café da manha. Chegando lá noto um funcionário e ele pergunta se eu sou o rapaz do 18. Eu digo que sim. Ele me fala que um funcionário está esperando pra falar comigo, vai consertar a fechadura, e chama o lendário e relapso Gérson.
Pela saleta, vindo em minha direção, chega o velhinho da noite anterior. Andando sozinho.
Ainda hoje me mudo pra outro hotel.
*Eu não entendo bem a dinâmica disso, mas algo nas minhas pernas parece atrair os participantes da AARA (Associação do Apalpadores Rodoviários Anônimos) de uma forma impressionante, fazendo com que eu sempre passe a viagem encolhido, com medo e tentando colocar as pernas pra fora pela janela. Desconfio que se eu causasse em pessoas do sexo oposto esse mesmo tipo de reação minha vida pregressa teria sido bem mais divertida.
A teoria do tempo cíclico
Fevereiro 8, 2009

Bem, eu nasci no Rio. Quer dizer, na verdade eu não nasci no Rio exatamente, eu nasci em Nova Iguaçu. Quer dizer, na verdade, na verdade mesmo, eu nasci no Rio, tecnicamente, já que a maternidade ficava nas Laranjeiras, mas fui registrado em Nova Iguaçu (segundo a mitologia familiar porque meu pai achou que tinha fila demais nos cartórios da capital). Aí, após alguns anos morando na perifeira da perifeira do Rio (sim, eu morava num bairro afastado na já afastada cidade de Nova Iguaçu. Na verdade minha família não tinha uma casa, o termo correto era “cativeiro”), eu me mudei pra Juiz de Fora. Em Juiz de Fora eu vi coisas impressionantes como calçamento, escolas que ficam a menos de 30 km da sua casa e que é possível sim chegar até uma banca de jornal sem ter que pegar dois ônibus. E aqui eu fiquei dos 7 até os 18, o que faz com que eu me considere mineiro e juizforano ao invés de fluminense e novaiguaçuano. Juiz de Fora é basicamente a minha cidade, com suas mulheres lindas, seus bares cheios, seus shoppings ridículos e seu calçadão engraçadinho.
Mas pra fazer a minha queria faculdade de jornalismo eu tive que sair daqui. Fui pra Viçosa, um cidade próxima, onde eu aprendi que ser viçosense não é uma questão de nascimento e sim um estado de percepção. Afinal, em Viçosa todo mundo fala com todo mundo, a vida noturna custa 5 reais (e você ainda volta com troco) e os filmes saem no cinema depois de saírem em DVD. Viçosa é uma realidade paralela onde as caixas d’água têm cerveja, a alimentação é baseada em salsicha e miojo e se você falar o nome de uma pessoa ao contrário ela desaparece.
Só que em 2007 eu me formei e tive que voltar pra Juiz de Fora pra procurar emprego, uma busca tão sucedida quanto a busca por um fã de Lynird Skynird na região de Nova Iguaçu em que minha avó mora. Depois de um ano dando murros em ponta de facão, eis que começo a passar em concursos públicos. Três pra ser exato. E pra me gabar um pouco. Um deles era o emprego dos sonhos de mamãe*, o de assessor de comunicação da Petrobras. E um dos outros era na Caixa, acho que na função de caixa. Provavelmente para trabalhar dentro de uma caixa. Ok, vou parar. Mas como a Petrobras atrasou as convocações por conta da crise (não essa crise. ou essa crise. é essa crise.) eu acabei sendo chamado antes pela Caixa. E pra onde eu fui chamado? Viçosa.
Uma chance de matar as saudades de uma cidade onde eu gostei muito de morar, de ver como é ser solteiro em Viçosa (afinal, eu passei a maior parte do meu tempo de curso namorando), e de experimentar a vida numa cidade universitária tendo dinheiro pra mais do que salsicha, miojo e cerveja Nova Schin. Uma chance de, num certo nível, fazer as pazes com os problemas que ficaram por lá, fechar assuntos pendentes e poder encerrar meu ciclo na cidade. Uma boa, pra dizer o mínimo.
E ao que tudo indica eu ficaria lá até o meio do ano, algo assim, já que é a previsão de convocação da Petro. Que ao que parece vai ser para…o Rio de Janeiro.
Ao que parece aí o ciclo se fecha. Faço as pazes com Viçosa, saio da minha cidade adotiva de um jeito legal e volto pra minha “cidade biológica” * pra finalmente tentar entender qual é a graça de lá (eu sinceramente não gosto do Rio, ainda que a ache a maior parte das pessoas até bem simpática, só tenho pelo Rio a mesma falta de tesão que tenho por todas as grandes cidades), e em breve poder me mudar pra outro lugar (ou não) já em dia com toda essa…bagagem emocional intermunicipal.
E claro, existe um bônus: Visconde do Rio Branco. Cidade onde eu passei os melhores carnavais da minha vida e para a qual, após anos de ausência, voltarei para o carnaval de 2009, na já lendária casa da avó do Yuri, para encerrar o ciclo de carnavais com chave de ouro. Ou prata. Ou bronze. Ou apenas bebendo e fazendo coisas absurdas.
As coisas estão assim então: ciclos que se fecham, pazes sendo feitas, coisas que ficaram pra trás sendo resolvidas. É um bom jeito de começar o ano, acho. Desde que, é claro, eu não precise acertar meus assuntos pendentes com os primos capixabas da minha mãe que tentaram me bater quando eu tinha 7 anos e contra quem eu prometi vingança. Afinal, fechar assuntos pendentes é bom, mas não vamos apelar. Aqueles caras são violentos…
*O emprego dos sonhos da sua mãe é bem diferente do seu emprego dos sonhos, assim como, por exemplo, a mulher que a sua mãe sonha pra você é diferente da sua mulher dos sonhos. Exemplo disso é que a minha referência de mulher é a Amélie Poulain, que foi carinhosamente descrita por mamãe, após ver o filme, como “aquela garota meio retardadinha de cabelo engraçado”. Fofa, muito fofa.
*Cidade pra mim é como aquela história sobre pais: sua cidade não é aquela onde você nasceu, é aquela onde você foi criado.