Pequena Ficção : Ciúmes

Novembro 25, 2008

“Deixa que eu pego a bebida pra gente, eu conheço o dono daqui”. Ela disse isso, piscou e sumiu pelo meio da festa. Diogo olhou pro lado, procurou uma bancada e se encostou. Ela era assim: decidida, decisiva e coisas do tipo. Ele tinha se acostumado rápido com a idéia de que ela era não ficaria esperando que ele fizesse as coisas, ainda mais porque ele não era do tipo que fazia as coisas, então até que as coisas combinavam bem. Se encostou mais folgado ainda na banca e esperou.

Cinco minutos. Dez. Quinze. Só aí ele começou a pensar que tinha alguma coisa errada acontecendo. Ela não tinha ido na Escócia busca whisky, por que toda essa demora então? E que papo era aquele de “conhecer o dono”? Conhecia de onde? Conhecia como? Conhecia no sentido… bíblico? Começou a cogitar a possibilidade de que estava enganado ao pensar que tinha algo errado. Na verdade tinha algo muito errado acontecendo. Mas não tirou as costas da bancada, claro.

Passou a desconfiar que tinha tomado o clássico “perdido”. Sim, ela queria fazer algo com alguém e, sabendo que ele nunca tinha ido naquele lugar, tinha usado o clássico truque do “vou pegar uma bebida, eu conheço o dono daqui”. História velha. Provavelmente estava se agarrando com outro. Sentiu um calafrio. Extremidades ficaram geladas. Começou a coçar a barba. Ah, merda, estava tendo uma crise de ciúmes. E sem nada pra beber.

Procurou por referências mentais que ela já tivesse feito sobre algum amigo/ficante/ex-namorado que tivesse um bar. Só de cabeça lembrou de 3. Parou de pensar nisso, não ia ajudar. Era fato, tinha sido chutado. Jogado. Tomado um perdido. Como uma menina de 16 anos ficando com um cara numa micareta, ele tinha sido descartado. Ela, num gesto babaca e gratuito, estava ficando com outro cara na festa em que tinha chegado com ele, ficando com ele. Diogo pensou no por que. Afinal, ele não era possessivo, aceitava tudo numa boa, era só ela dizer que ele iria no máximo soltar um “ahhh…” e ir pra casa. Claro, nunca mais ia olhar na cara dela, mas tudo bem, essas coisas acontecem.

É, ela estava com outro cara. Fato. Vinte minutos pra trazer dois copos? Nem se ela estivesse soprando o vidro. Ele sabia que deveria ir procurar, talvez alguma coisa tivesse acontecido, mas quis ver no que ia dar. E tinha se afeiçoado à bancada, que tinha sido uma boa companheira num momento tão difícil. Estava pensando até em comprar a bancada, quem sabe?

E pensando notou que o pior não era ser descartado. O pior não era ser trocado. O pior nem era a mulher com quem ele queria namorar ficando com outro debaixo do nariz dele. O pior seria ir andando pra casa. Porque ele não sabia dirigir e não tinha vindo com dinheiro, só cartão. Devia existir alguma regra não-escrita avisando que quando você for deixar alguém jogado numa festa você deve avisar pra pessoa que ela vai ter que voltar de taxi, porque carona não vai rolar. Ou se rolar, vai ficar aquele clima chato.

Estava pensando em como convencer o motorista de taxi de que ele ia sim pagar a corrida quando ela chegou. “Se eu não venho aqui você não me procura, né?”. Fez cara de quem não entendeu. “E não atende o celular também, certo?”. Agora era real, ele não estava entendendo. Olhou no celular. É, ela estava tentando falar com ele há uns 10 minutos. “Então, seu insensível…Eu torci o pé…Meu amigo me ajudou a sair e eu fiquei te ligando pra gente ir embora…mas tem alguém aqui que não presta atenção em mim…”

Ela fez, claro, aquela carinha de carente. E estava machucada. Ele sorriu de canto e foi com ela até a saída.

Mas foda-se, ele precisava mesmo aprender a dirigir. Afinal, nunca se sabe.

Manuela – Lançamento

Novembro 20, 2008

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Uma daquelas frases clichês clássicas da humanidade é “escreva um livro, plante uma árvore, tenha um filho”. Eu admito que sempre cobrei um pouco mais de mim, afinal, além do livro eu sempre quis escrever um filme, compor uma música, escrever uma história em quadrinhos e ter dois filhos. O que, eu acho, é uma forma legal de compensar o fato de que eu provavelmente não vou plantar árvore nenhuma…

E após iniciar o meu projeto de banda, filmar meu segundo curta-metragem e estar quase terminando meu livro de contos, finalmente saiu a minha primeira história em quadrinhos, com roteiro escrito por mim, arte do lendário Dias, colorização do Snuck e do Dias e revisão por parte do Kio (“ooooo editoooooor”), chamada “Manuela”. Nascida da provocação de um amigo sobre eu só conseguir escrever histórias sobre super-heróis, Manuela é uma pequena história sobre a primeira garota de quem eu gostei na minha infância, a filha do cara que consertava a máquina de lavar da minha mãe. (Sim, éramos todos uns românticos antes de termos 8 anos de idade e ficarmos cínicos, eu sei…)

Para baixar clique aqui. Ou aqui. Ou aqui. Ou aqui. Ou aqui. Ou aqui. E também aqui. E aqui. Ou mesmo aqui. Ou seja, existe qualquer razão pra não baixar, menos a falta de links. Afinal, tem mais um link aqui. E outro aqui. E mais um aqui. E aqui. E aqui. E aqui também. E só mais um aqui. Ok, eu menti, tem outro aqui. E aqui. E aqui também. Ou seja, baixe isso logo. Clicando aqui, por exemplo.

Farrazine #8

Novembro 19, 2008

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E saiu o Farrazine #8! Dessa vez o tema é “Mulheres” e temos, além de entrevista com Mike Deodato, piadas infames e machistas, matérias sobre mulheres-nerds e universo feminino como um todo, uma entrevista com Jussara, a guria que criou “Turn to Fall”, uma iniciativa bem legal de quadrinho on-line. E claro, como eu tenho amigos dentro da núcleo editorial, temos dois contos meus “A Invasão dos Homens-Borracha” e ” Correspondência Completa entre Sebastian Coreille e Amélie Nevillet”. Baixe, leia, divulgue, mostre pra sua namroada, fale bem para os seus primos e amigos do trabalho.

Baixar no rapidshare, clique aqui

Baixar no 4shared, clique aqui

E finalmente Manuela está completa, em suas fases finais. Só falta revisar e corrigir os créditos, já que lá meu nome consta como José Luis. Sério. Isso só acontece comigo…Mas é provável que antes do final do mês já esteja disponível aqui pra download. Issa. Uhu. Ok, vou me conter.

O Nariz de Cleópatra

Novembro 14, 2008

“Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade.”

Álvaro de Campos, “Pecado Original”

“Não pense em se. Se minha mãe tivesse duas rodas, você era neto de uma bicicleta”

Seu João


Lembro bem que uma vez ouvi de alguém a tese do “Nariz de Cleópatra”. Na verdade acho que foi em um filme. A questão é que diziam que, se Cleópatra tivesse um nariz maior, um pouco maior, o bastante para ser esquisito, toda a história da humanidade seria diferente hoje. A não ser, é claro, que Julio César e Otávio Augusto tivessem uma queda por narizes grandinhos, o que jogaria toda a tese por terra, mas não pensemos nisso agora. O que conta é a idéia de que pequenas mudanças, pequenos desvios no momento certo (ou errado) poderiam causar mudanças gigantescas, e tudo que existe hoje se formou por uma intrincada rede de coincidências, desastres, desvios, atitudes equivocadas e impensadas.

E quando falo isso não estou pensando nas grandes mudanças, como se Napoleão tivesse tentado invadir a Rússia durante a primavera, ou a União Soviética tivesse conseguido sobreviver até hoje. Não, falo de coisas pequenas, mínimas mesmo, pequenos desvios de rota dos quais nunca nos daríamos conta e sobre os quais nunca paramos para pensar.

Eu, por exemplo, provavelmente só fiquei com a minha ex-namorada porque um amigo meu apanhou em um show. Isso porque no dia desse show, eu, recém-chegado na faculdade, estava interessado em outra garota, conhecida minha, já que nem tinha sido apresentado á minha atual ex-namorada (existe isso?) naquela época. E lá estava eu, me preparando para abordar essa outra garota, acreditando piamente nas minhas chances de êxito (ou um pouco menos), quando meu amigo me diz que vai pra frente do palco. Eu sinceramente teria concordado mesmo se ele dissesse que ia de pedalinho para o inferno, portanto apenas soltei um “ahh…vai então” e fui tentar a aproximação. Antes que eu piscasse, ele voltava, mancando, com um joelho do tamanho de um melão (e o outro substituído por um melão) pedindo que eu desse uma força pra que ele fosse pra casa. Apesar da imensa vontade de mandar que ele fosse de mini-buggy para o Cazaquistão, resolvi ajudar o companheiro em situação desagradável. Dois dias depois eu iria começar a conversar com a minha ex-namorada, e então as coisas iam tomar outro rumo totalmente diferente.

Mas o que poderia ter acontecido? Apenas um fora, e a história tomaria naturalmente os rumos que tomou? Teríamos nos apaixonado e estaríamos juntos até hoje? Ou nós iríamos ficar e depois ela iria roubar o meu rim? Nesse caso, como em vários outros, é engraçado pensar no tipo de implicação que um simples fato bobo (se eu tivesse um amigo mentalmente estável, as coisas teriam acontecido de forma diferente?) pode ter nas coisas que irão acontecer. Cada escolha, cada possibilidade, cada pequena atitude idiota tomada por um bêbado, altera significativamente o futuro de toda a humanidade. Ou, vamos lá, um pouco menos. E às vezes é engraçado pensar em toda essa “possível história do que não foi”, pra entender aonde e em que ponto foi culpa dos outros (ou nossa) cada coisa que aconteceu.

Ou então você pode chamar o Ashton Kutcher, fazer um filme e depois fazer uma continuação horrível que só vale Erica Durance. Cada um com as suas escolhas…

Romantismo Desperdiçado #1

Novembro 11, 2008

Não sei se algum de vocês já viu um filme chamado “Simples como amar”, com a Juliette Lewis e o Giovanni Ribisi. É aquele com o casal de jovens com problemas mentais que resolvem ficar juntos, lembram? Eles se conhecem na escola politécnica, quando ela está tentando convencer os pais de que pode ser independente e levar a vida sozinha. Ele é o rapaz sempre zoado mas que leva uma vida um pouco mais independente e já vive relativamente sozinho à algum tempo. Eles se apaixonam, ficam juntos, lutam contra o preconceito e tem um final feliz se casando com uma banda ao fundo. Legal, não?

Além das razões obvias pra que eu me identifique com histórias sobre pessoas com problemas mentais e do fato de que eu as vezes me expresso da mesma forma que o personagem do Ribisi, esse filme é disparado o filme de “romance” que mais mexe comigo. Desde a cena do primeiro beijo no baile de Halloween, com ela vestida de cisne e ele com aquela fantasia engraçada de cachorro até os dois conversando sobre sexo no sofá, eu admito que passo o filme todo assistindo sem piscar, chegando a momentos de quase lacrimejar e outros em que eu tenho que virar o rosto de tão ansioso que fico com certas cenas. É, eu tenho medo de mim as vezes…

E bem, ainda que com todo esse meu cinismo e frieza natural que eu tenho em relação a vida pessoal e coisas do tipo, durante o tempo de duração do filme eu admito que sinto, além da preocupação absurda com os personagens (preocupação essa que não muda mesmo depois de ver o filme 36 vezes), uma onda chocante de romantismo. Vontade de acreditar em finais felizes, vontade de acreditar em compreensão mútua e pessoas que gostam de você como você é, vontade de acreditar em pessoas se casando com bandinha ao fundo, pôr-do-sol sentados de mãos dadas e declarações de amor que não fazem todo mundo se sentir imbecil sete segundos depois. Ou seis, se forem bem contundentes.

Ou seja, por duas horas (incluído o tempo dos comerciais) eu realmente me sinto romântico, aposto em relacionamentos duradouros, espero uma alma gêmea e confio plenamente na felicidade a dois.

Só que aí vem o Corujão e eu volto a ser frio como uma mesinha de mármore trancada num freezer. Mas fica a dica de filme pra ser assistido antes de dizer o “sim” na cerimônia de casamento.

Birthday Post

Novembro 7, 2008

Eu nunca curti muito o meu aniversário. Não por razões lógicas e profundas, como o medo de envelhecer, a solidão universal ou coisa do tipo. Na verdade tem mais a ver com eu sempre ganhar roupas de presente (eu odeio ganhar roupas), com novembro ser um mês irritantemente quente (eu odeio calor) e com o fato de ser uma dessas datas especiais que só são especiais pra mim, o que dá uma sensação idiota de que o mundo está me ignorando, que eu não tenho no natal ou na páscoa, quando todo mundo está sem fazer nada também. Fora que ser meu aniversário não torna o dia feriado, então eu tenho que estudar ou trabalhar do mesmo jeito. Ou seja, baita dia especial sem graça.

Esse ano a falta de graça natural do meu aniversário foi somada á falta de graça natural das piadas referentes à minha idade. Sim, estou fazendo 24 anos e, claro, isso é deixa para todo tipo de piada infame possível que fossa fazer menção a uma possível mudança de opção sexual de minha parte. Ha. Ha. Ha…Ha. Mas não quero pensar nisso…

Mas é claro, apesar de todos os pesares, existe o ponto bom. Consegui, graças a meu domingo trabalhando como mesário no segundo turno das eleições, dois dias de folga do trabalho, e decidi aproveitar essa “recompensa cívica” para não ter que passar nem o meu aniversário e nem meu primeiro dia pós-aniversário usando um head-set e atendendo clientes que me ameaçam de morte. Claro, segunda-feira eu volto pra essa rotina, mas também não quero pensar nisso.

Mas vamos à empolgante programação comemorativa do meu aniversário de 24 anos, repleta de emoções e diversão.

07/11 : Sexta-feira

11:00 – Acordar. Afinal, é meu aniversário e eu tenho o direito de dormir até tarde.

12:30 – Almoçar fora de casa. Porque é meu aniversário e eu vou estar com preguiça de cozinhar. Afinal, quase todo dia eu tenho preguiça de cozinhar.

12:50 – Voltar pra casa e cochilar até o começo da tarde.

14:00 – Ir até o shopping.

14:30 – Assistir ao filme novo do Guy Ritchie. Eu não vou dizer que o filme se chama Rocknrolla. Isso seria uma piada fácil demais no dia em que eu faço 24.

17:00 – Passar na livraria do shopping e comprar um DVD e um livro para me dar de presente.

17:30 – Parar no Burger King e pedir um lanche que envolva algum brinde engraçadinho.

18:00 – Entregar os presentes para mim fazendo cara de surpresa e dizendo a mim mesmo que “não precisava”.

19:00 – Assistir a Quantum of Solace pra poder dizer que não foi tão bom quanto Cassino Royale.

21:00 – Tomar um sorvete antes de voltar pra casa.

21:05 – Voltar pra casa. Sim, eu tomo sorvete muito rápido, fazer o que?

22:00 – Ajeitar o sofá e começar a maratona da segunda temporada de Heroes

22:01 – Ouvir minha mãe reclamando que eu deveria dormir cedo.

22:02 – Voltar à maratona de Heroes.

04:00 – Ir dormir porque estarei cansado e a pipoca vai ter acabado. Mas eu poderia comprar mais pipoca…Pensarei nisso…

08/11: Sábado

12:30 – Acordar. Afinal, eu estou ficando velho e pessoas velhas acordam tarde. Na verdade acho que elas acordam cedo…Mas que se dane…

13:00 – Almoço baseado no bolo que a minha mãe fez na véspera.

13:30 – Cochilo da tarde.

15:30 – Maratona “Woody Allen sem legendas”.

19:30 – Telefonema do meu pai desejando parabéns para o meu irmão.

19:34 – Telefonema do meu pai perguntando se é mesmo meu irmão que está fazendo aniversário.

19:37 – Telefonema do meu pai me desejando parabéns pelos meus 22 anos e perguntando como eu estou indo na faculdade.

22:00 – Saída para o bar para comemoração com amigos.

22:05 – Chegada no bar e começo do arrependimento devido a minha fobia de eventos sociais.

22:10 – Início do pensamento positivo pra que ninguém apareça.

22:20 – Chegam as primeiras pessoas e começa a soar mal caso eu vá pra casa.

22:30 – Começo a beber e achar as pessoas divertidas.

23:00 – Começo a achar as pessoas extremamente divertidas.

00:30 – Bate a depressão.

00:45 – Bebo até afogar a depressão.

01:00 – 03:00 – Fase do borrão, aonde as pessoas começam a ir embora sem que eu note e quando eu reparo sobramos apenas eu, Yuri e meu irmão.

05:00 – Retorno ao lar.

Domingo: 09/11

08:30 – Acordar para ir jogar futebol.

09:30 – 14:00 – Futebol society.

15:00 – Preparação para ver futebol na TV.

16:00 – Futebol na TV.

18:00 – Cochilo pós-futebol na TV.

20:00 – Mesa redonda na TVE.

22:00 – Pizza com meu pai, pra que ele me pergunte quando eu me formo e como vai meu namoro com a Ana Paula.

23:30 – Retorno ao lar.

24:00 – Seriados no SBT

02:00 – Dormir.

- DVD ou VHS de qualquer filme do Kevin Smith (eu só tenho eles pirateados e gostaria de ter os filmes com capinha, extras e coisas do tipo)

- “Master”, o jogo. Ainda se vende isso, alguém sabe? Mas “Imagem e Ação” tá valendo também

- Pôsteres de filmes da década de 50/60.

- Uma máscara de goleiro de hóquei.

- Bonecos articulados de personagens de quadrinhos. Tá valendo até o Super-Choque.

- Qualquer livro do Nick Hornby, menos o “Como ser legal”, que eu já tenho.

- Um peixe beta azul.

- Os livros 2,3 ou 4 do “Guia do Mochileiro das Galáxias”

- A trilogia do Homem-Aranha em DVD.

- Um frango de borracha.

- Uma fantasia de coelho.

- Um “CD-coletânea” do Belchior.

- Garrafas de vodca de qualquer marca.

-Qualquer marca mesmo.