Bem, como muitos já sabiam após o estrondoso sucesso de “Alfred, á Árvore” e a lenda cult que se tornou o “Super-Pentecostal” ( o único personagem de tirinhas a constar do “Index” da Inquisição Espanhola), eu sempre sonhei em fazer tiras, afinal, foi ali que os quadrinhos começaram. Mas eu, como todo mundo também sabe, não sei desenhar nada…Por isso a minha felicidade quando Mainardi (uma espécie de Maurício de Souza que aceita desenhar personagens que não sejam os próprios filhos ou jogadores de futebol) topou trabalhar num projeto meu, o Capitão Confiança, o primeiro super-herói com um grave complexo de inferioridade. (Conceito legal, não?)

E por isso a minha felicidade ainda maior quando, na edição 7 do Farrazine, uma página inteira foi dedicada ao trabalho artístico do Mainardi e as minhas piadinhas infames. Então, com vocês, uma tira do Capitão Confiança!

Para ver as tiras numa resolução decente, que permita que você leia o texto sem colocar a cabeça dentro do monitor, clique aqui.

Para baixar toda a edição do Farrazine, dessa vez um especial sobre vampiros e desfrutar de todo seu sensacional conteúdo, clique aqui. (mas leia as tiras primeiro, afinal, eu sou seu amigo há mais tempo…)

P.S: Sim, o vilão é a cara do Freud. Uma bela sacada do Mainardi. Esse cara é foda.

P.S: Sim, eu acho que Horácio e Piteco são baseados em filhos ilegítimos do Maurício de Souza…

Essa última semana foi uma daquelas esquisitas pra mim. Fatos confusos na vida pessoal, tensão no trabalho e dois eventos que mesmo sem nenhuma relação entre si e até mesmo com pouquíssima relação comigo, acabaram me fazendo pensar em um monte de coisas e mudar minha postura em relação a outras.

O primeiro foi o início do funcionamento do LHC, o maior acelerador de partículas do mundo. Além da minha natural curiosidade como fã de física teórica (sim, e daí?), uma outra coisa que me deixou fascinado foi o risco que vários físicos associam ao processo. Nem tanto pelos afamados buracos negros que o acelerador poderia criar, mas sim os “strangelets”, partículas exóticas que não existem em condições normais, mas poderiam surgir durante as experiências. Essas partículas têm a capacidade de, quando tocam o núcleo de um átomo normal, converter o átomo em “strangelet”, num comportamento “cancerígeno” da matéria, que levaria a uma reação em cadeia que consumiria o planeta todo. Legal, não?

O outro fato foi receber meu primeiro convite de casamento de uma pessoa da mesma geração que eu. Não que os noivos fossem exatamente os meus dois melhores amigos, mas são duas pessoas de quem eu gosto e com quem eu tive bastante convívio nos tempos do colégio (ainda que eu tenha ficado meio chocado por terem lembrado de mim pra cerimônia) e por serem da mesma idade que eu, o casamento me deixou bastante impressionado.

Mas qual a relação entre as duas coisas? Bem, a relação é que são duas provas de que o tempo está passando, terminando. Primeiro porque as coisas podem sim acabar de uma hora pra outra, seja por causa de um “câncer sub-atômico” corroendo o mundo, seja por causa de um atropelamento, seja por um pedaço de comida preso na garganta, seja por uma jaca que me acerte na cabeça. E depois porque o tempo está passando e eu às vezes não noto. Tenho 23 anos, estou prestes a chegar no duplo 12, ou seja, já vivi mais de um quarto da minha vida e fiz muito pouco do que eu esperava ter feito nesse tempo. Um trabalho do qual eu não gosto, um livro que nunca fica pronto, uma beliche na casa da minha mãe e todas as frustrações adolescentes, que vão desde não ter aprendido a tocar gaita até nunca ter ficado com uma ruiva e ter só um livro do Nick Hornby na estante.

Isso me fez ficar, como as pessoas mais próximas já notaram, ansioso. Eu passei a ter pressa. Não sei quanto tempo essa sensação vai durar, talvez apenas até semana que vem, quando eu vou deixar isso tudo de lado e a calmaria vai voltar, mas eu agora estou apressado, tentando correr. Não aceito mais demoras, não quero mais protelar decisões, não tenho a mesma paciência para as esperas. Acho que escrevi essa semana mais páginas do no último mês inteiro, vi mais filmes nos dois últimos dias do que na última quinzena e voltei a malhar, dormir nas horas certas e ler os livros que eu peguei na biblioteca. Resolvi algumas questões pessoais de forma totalmente forçada, com a sutileza de uma foice, tanto em família quanto fora, deixando um rastro de destruição estilo Braddock pelo caminho. Estou realmente resolvendo as coisas com pressa.

Como eu disse, não sei se isso é passageiro ou uma nova postura de vida (eu chutaria opção a, cravado), tanto que eu duvido que vá continuar escrevendo nesse ritmo, continue malhando por mais de dois meses, consiga ver tantos filmes sem ficar cego ou vá me tornar o terror das ruivas, mas admito que fazer as coisas me deu uma sensação de progresso que eu sinceramente não tinha faz tempo, ainda que eu saiba que é bastante falsa. Mas eu estou tentando aproveitar o ímpeto e não pensar tanto assim nisso. Nem que seja só pra chegar animado no casamento e tentar terminar esse bendito livro até o meu aniversário.

Mas independente do resultado, é legal ver as coisas acontecendo. E sempre posso culpar os malditos “strangelets” e o acelerador de partículas.

Eu e Yuri nos conhecemos em Bogotá, em 1974. Ele estava em uma clínica de reabilitação para dependentes sexuais/fãs de Metallica/bebedores de coca-cola e eu estava lá apenas para passar o final de semana porque eu acho clínicas de reabilitação divertidas. Em duas semanas internados em quartos contíguos, nós, apenas nos comunicando através do vão da porta, conseguimos descobrir a cura para o câncer, a Aids, o Ebóla, e em parceria com Nelson Motta, compusemos “A Cura”, para o Lulu Santos. Foi nesse ponto que os médicos do local acharam que nossos casos eram graves demais (afinal, músicas para o Lulu Santos…meu Deus…) e nos deram alta, nos enviando para Malta, a ilha. De onde nós rapidamente voltamos, porque não tinha nada de legal por lá.

Foi uma imensa surpresa então quando nos reencontramos no Colégio Militar, em 3657 (pelo calendário judaico). Lá nos tornamos novamente amigos, fundamos um jornal, fomos punidos por termos fundado um jornal, continuamos o jornal mesmo assim, e quando todos já tinham se acostumado nós paramos com o jornal, apenas porque somos babacas. Foi graças à Yuri que conheci a lendária Visconde do Rio Branco, onde desenvolvi uma dupla personalidade, engordei sei lá quantos quilos, tomei os maiores porres da minha vida e descobri que “não sou praieiro, tô solteiro, funileiro e vou pular no cesto de lixo”.

Yuri também estava próximo quando apanhei (e ele mais ainda) naquela maldita festa de 15 anos onde um amigo nosso foi príncipe, quando meus dois namoros terminaram, quando meu pai perdeu o emprego, quando eu estava jogado em casa sem dinheiro, quando meu avô morreu e naquela noite em que eu quase entrei em coma alcoólico por causa de vodca russa feita em Cuiabá. Ou seja, apesar de não me dar sorte, Yuri é alguém com quem eu posso contar.

Durante todos esses anos Yuri foi meu amigo, colega, goleiro esporádico e editor. Ainda que eu não tenha publicado nada…E em mais de dez anos de amizade eu posso dizer, com convicção, que Yuri só vacilou comigo uma vez. E sempre se pode dizer em defesa dele que a bola fez uma curva, ele realmente achou que poderia dar um golpe de vista e o Ramos nunca mais vai acertar um chute daqueles.

É por essas e outras razões que gostaria de usar esse espaço para desejar as mais sinceras felicidades ao Yuri, assim como os meus parabéns. Não só pelo seu duplo 12 como também, e tão importante para você quanto, pelo fato do Metallica ter voltado a lançar discos decentes. Já era tempo, pô…

Black is beautiful

Setembro 12, 2008

Conversa entreouvida hoje, no trabalho:

“Acredita que tem gente dizendo agora que o Machado de Assis era preto? Gente, de onde tiraram isso? Como é que ele ia conseguir escrever aquelas poesias modernistas e publicar no tempo da escravidão se ele fosse negão? Esse pessoal não tem mais o que inventar mesmo…”

Ou eu sou hiper-sensível com literatura ou esse raciocínio é tão, mas tão errado e de tantas, tantas maneiras, que eu nem sei por onde começar a reclamar…

Music Review #1

Setembro 9, 2008

The Cardigans Acoustic

Gravado em 2006

Cotação 6/8

Existem discos que acabam ganhando uma função importante na vida de quem ouve. Discos que simbolizam momentos, que curam depressões, que te animam nos piores momentos. Mas esse definitivamente não é o caso do acústico do Cardigans, uma gravação que, pelo menos na minha opinião, foi feita apenas para tornar mais torturantes os momentos de fossa e levar pessoas mais mentalmente frágeis ao alcoolismo.

São apenas seis faixas, gravadas durante uma participação em um programa de rádio, mas que parecem ter sido pensadas e selecionadas com o claro intuito de me deixar profundamente deprimido, principalmente quando utilizadas no combo “comédia romântica boba/audição de CD do Cardigans/noite de sono pensando em como o dia de trabalho vai ser uma droga”, o que tornam o disco um sério candidato ao título de “o mais triste do mundo”.

Começamos com a faixa 1, uma introdução triste feita por um locutor que parece ter perdido a mulher para o melhor amigo exatamente naquela manhã. Ele apresenta a banda, num tom compungido, e então o grupo começa a segunda faixa, “And then you kissed”, sobre amores complicados, cruéis e cheios de sofrimento.

and it hit me that love is a game

like in war no one can be blamed

yes, it struck me that love is a sport

so i pushed you a little bit more”

Então vem “Erase and Rewind”, uma espécie de pedido de “volta pra mim”, cheio de arrpendimento. Você começa a achar que X&Y do Coldplay era uma trilha sonora de festa junina. Infantil.

A primeira metade termina com “You’re the storm”, a clássica canção de desistência, com aquela mensagem de “finge que eu sou Vladivostok e me invade com 6 exércitos.” Ou algo assim, eu sou péssimo com analogias.

“I’m an angel bored like hell

And you’re a devil meaning well

You steal my lines and you strike me down

Come raise your flag upon me

And if you want me, I’m your country

If you win me I’m forever, oh yeah”

A faixa 5 é uma faixa de entrevista, em que todos eles contam histórias tristes sobre a morte de pessoas próximas e discutem imagens de foquinhas e pingüins molhados de óleo. Ok, não é sobre isso que eles falam e sim sobre a carreira da banda, mas não é pelo tom de voz que você nota a diferença entre os assuntos…

Surge então um dos hits da banda, “For what is worth”, uma das músicas do meu top 100 das canções fofinhas/depressivas, com o clássico refrão “For what it’s worth, I love you/And what is worst, I really do”. Nesse momento você deve pedir pra que alguém de confiança esconda as facas e garfos. E também as colheres, se você for do tipo que come demais quando fica triste.

A faixa 7, “Communication”, que já é triste até pra quem não entende a letra ou não compreende o contexto (acho que pessoas surdas ficariam tristes apenas com as vibrações da música), ganhou um grau de tristeza toda especial pra mim após algumas experiências pessoais recentes. Parabéns pra mim, né? Uhu…

“And I saw you

But that’s not an invitation

That’s all I get

If this is communication

I disconnect

I’ve seen you, I know you

But I don’t know

How to connect, so I disconnect”

Então, como que numa tentativa de se redimir e reduzir as estatísticas de suicídio na área de cobertura da rádio, a banda fecha o mini-show com “My favourite game”, uma das mais animadinhas deles. Que ainda é bastante triste, se você for pensar…

Em suma, um CD perfeito pra momentos de fossa, tristeza, ou pra quando você precisa chorar no funeral de uma pessoa da qual você não gosta e está difícil encontrar motivação.

A song about you – Weezer

First time I saw you
I didn’t think you were special
But now I realized that you’re the one I want to grow old with

I want to take you out,
I want to do everything right,
I’ll take you to your favorite shop,
I’ll even let you use my favorite coffee cup

Oh you, when you look at me,
you make me feel so glad
Oh you, when you smile at me,
you make me feel so nervous
Because you’re the one I adore

I’ll let you use my coat when you’re cold,
I’d do anything for you
But now you’re probably in bed,
Sleeping with one of my best friends.

Sério, eu não penso em canção mais alegre e animadora do que essa. É garantia de um sorriso no rosto, desde a primeira vez que eu ouvi. Uhu! E depois tem gente que fala que eu sou depressivo…Palhaços…